A presidente da Bulgária, Iliana Iotova, terminou à frente no primeiro turno da eleição presidencial deste domingo (25), de acordo com as pesquisas de boca de urna. Os levantamentos atribuíram a ela entre 35% e 36,5% dos votos, contra 32,2% a 32,5% do banqueiro e ex-primeiro-ministro interino Andrei Guiurov. Os dois disputarão o segundo turno em 1º de novembro.
A diferença ficou abaixo da prevista nas semanas anteriores, quando as pesquisas davam de 41% a 47% para Iotova e de 28% a 31% para Guiurov. A participação foi estimada em cerca de 20% do eleitorado. Os percentuais divulgados após o encerramento da votação eram projeções, ainda sem a confirmação da apuração oficial.
Apoiada pelo primeiro-ministro Rumen Radev e por seu partido, Bulgária Progressista, Iotova defende o diálogo com a Rússia e se opõe ao envio de ajuda militar à Ucrânia. Apresentou-se na campanha como uma “presidente da paz”, mas não questionou a permanência do país na União Europeia ou na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Após votar, afirmou que pretendia combater a pobreza na Bulgária, o país mais pobre do bloco europeu.
Guiurov tem o apoio da oposição alinhada às potências imperialistas europeias e aos Estados Unidos. Como primeiro-ministro interino, assinou um acordo de cooperação em segurança com Quieve. No último comício da campanha, em Plovdiv, prometeu que a Bulgária seria “um aliado confiável dentro da OTAN”.
Radev defende a retomada das relações com Moscou e se opõe ao acordo de defesa de 10 anos firmado entre Sófia e Quieve em março. Ao comentar o comparecimento às urnas, culpou as pesquisas que indicavam ampla vantagem de Iotova. Afirmou que os levantamentos tranquilizaram seus apoiadores e desanimaram os eleitores do adversário.
Guerra e carestia
Os ataques contra quatro embarcações próximas à costa búlgara neste mês, que deixaram 21 desaparecidos, estiveram entre os principais assuntos da campanha. Radev declarou que os episódios pareciam favorecer os interesses russos e convocou o embaixador de Moscou. Seu governo, porém, reconheceu não possuir provas que ligassem diretamente a Rússia aos ataques.
A Ucrânia utiliza portos do Danúbio e rotas próximas às águas da Bulgária e da Romênia, o que expõe a navegação na região à guerra. Os candidatos também trataram do encarecimento da energia e da inflação, que agravam as dificuldades das famílias, principalmente nas áreas rurais.
A eleição foi o primeiro grande teste eleitoral do Bulgária Progressista desde a vitória parlamentar de abril, quando o partido conquistou 131 das 240 cadeiras. Ex-jornalista e ex-deputada do Parlamento Europeu, Iotova foi eleita vice-presidente ao lado de Radev em 2016 e 2021. Assumiu a Presidência em janeiro, quando ele deixou o cargo para disputar a eleição parlamentar.
Se vencer, Iotova será a primeira mulher eleita presidente da Bulgária, e Radev ampliará seu apoio no governo. Das 27 chapas que concorreram no primeiro turno, quase metade defendia abertamente a aproximação com a Rússia. No segundo turno, os candidatos disputarão também os votos dos eleitores do GERB, cujo dirigente, Boiko Borissov, já declarou que não votará em Iotova.





