Eleições 2026

Frente ampla termina com apenas 26% dos governos estaduais

Apesar da reeleição de Lula, apenas sete dos 27 governadores eleitos apoiaram o presidente; Flávio Bolsonaro reuniu 16 aliados e outros quatro ficaram neutros

A conclusão das eleições de 2026, neste domingo (25), deixou a frente ampla que apoiou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com apenas 25,9% dos governos estaduais. Dos 27 governadores eleitos, incluindo o Distrito Federal, somente sete declararam apoio ao presidente durante a campanha. Outros 16, equivalentes a 59,3%, apoiaram Flávio Bolsonaro (PL), enquanto quatro, ou 14,8%, permaneceram neutros.

O resultado contrasta com a eleição presidencial, na qual Lula conseguiu reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno e conquistou seu quarto mandato. Na disputa pelos governos estaduais, entretanto, os aliados do candidato derrotado venceram em mais que o dobro das unidades da Federação conquistadas pelos apoiadores do presidente.

A diferença também aparece na distribuição geográfica. Os governadores que apoiaram Flávio Bolsonaro venceram em todos os estados do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal, além de cinco estados do Norte. Entre os aliados de Lula, seis estão no Nordeste. O único governador eleito que apoiou o presidente fora dessa região foi Omar Aziz (PSD), no Amazonas.

Dos sete governadores aliados de Lula, quatro pertencem ao próprio PT: Jerônimo Rodrigues, na Bahia; Elmano de Freitas, no Ceará; Rafael Fonteles, no Piauí; e Cadu de Lula, no Rio Grande do Norte. Os outros três são Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; e Omar Aziz (PSD), no Amazonas.

O PL, por outro lado, passou de dois governos conquistados nas eleições de 2022 para seis em 2026. A legenda de Flávio Bolsonaro elegeu Sergio Moro no Paraná, Douglas Ruas no Rio de Janeiro, Zucco no Rio Grande do Sul, Marcos Rogério em Rondônia, Arthur Henrique em Roraima e reelegeu Jorginho Mello em Santa Catarina.

O partido tornou-se a maior força isolada entre os governos estaduais, à frente do PSD, que elegeu cinco governadores. PT, PP e Republicanos ficaram com quatro cada. O PSDB conquistou dois governos, enquanto MDB e Podemos ficaram com um cada. PSB e União Brasil, dois partidos com presença expressiva na política nacional, terminaram a eleição sem nenhum governador.

A composição dos governos mostra ainda como as alianças estaduais atravessam os partidos nacionais. O PP, que integra a base do governo Lula, elegeu quatro governadores, mas apenas Lucas Ribeiro, da Paraíba, apoiou a reeleição presidencial. Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, Mailza Assis, do Acre, e Celina Leão, do Distrito Federal, apoiaram Flávio Bolsonaro.

No PSD, a divisão foi diferente. Dos cinco governadores eleitos, dois apoiaram Lula, enquanto três permaneceram neutros. Raquel Lyra, de Pernambuco, Eduardo Braide, do Maranhão, e Dr. Furlan, do Amapá, não declararam apoio a nenhum dos dois candidatos presidenciais. O quarto eleito neutro foi JHC (PSDB), de Alagoas.

A neutralidade de Raquel Lyra ocorreu mesmo após a governadora derrotar João Campos (PSB), um dos principais “aliados” de Lula em Pernambuco. Também no Maranhão, o candidato associado ao grupo político do governo federal, Orleans Brandão (MDB), foi derrotado por Eduardo Braide.

Entre os 16 governadores alinhados a Flávio Bolsonaro estão, além dos seis eleitos pelo PL, os quatro eleitos pelo Republicanos: Tarcísio de Freitas, em São Paulo; Cleitinho Azevedo, em Minas Gerais; Otaviano Pivetta, em Mato Grosso; e Lorenzo Pazolini, no Espírito Santo.

Completam o grupo Eduardo Riedel (PP-MS), Mailza Assis (PP-AC), Celina Leão (PP-DF), Daniel Vilela (MDB-GO), Dr. Daniel (Podemos-PA) e Vicentinho Júnior (PSDB-TO).

A distribuição mostra que os governadores que apoiaram Flávio venceram nos três maiores colégios eleitorais brasileiros: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Os partidos PL, PP e Republicanos, considerados em conjunto, comandarão estados onde vivem aproximadamente 64% dos brasileiros, segundo levantamento da Folha de S.Paulo. Esse cálculo inclui também a Paraíba, governada por um aliado de Lula.

No segundo turno, realizado em cinco estados e no Distrito Federal, o resultado foi semelhante ao quadro nacional. Dos seis governos definidos neste domingo, quatro ficaram com candidatos que apoiaram Flávio Bolsonaro: Acre, Distrito Federal, Espírito Santo e Tocantins. Lula conseguiu eleger aliados no Amazonas e no Rio Grande do Norte.

A vitória mais apertada ocorreu no Rio Grande do Norte, onde Cadu de Lula venceu com 50,77% dos votos válidos, contra 49,23% de Allyson Bezerra (União Brasil). No Amazonas, Omar Aziz venceu com 61,41%, derrotando Professora Maria do Carmo (PL).

No Distrito Federal, Leandro Grass (PT), apoiado por uma coligação que reuniu PT, PCdoB, PV, PDT, PSOL e Rede, perdeu para Celina Leão (PP), que obteve 57,18% dos votos válidos. No Espírito Santo, Ricardo Ferraço (MDB), apoiado pelo governador Renato Casagrande (PSB), também foi derrotado, por Lorenzo Pazolini.

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