Encerrado o primeiro turno das eleições de 2026, o Partido da Causa Operária (PCO) realizará uma Conferência Nacional para fazer o balanço de sua campanha e definir a política que adotará no segundo turno. A decisão não será tomada individualmente pelos candidatos ou por um pequeno grupo da direção: será discutida pelos militantes reunidos nacionalmente.
A realização de uma conferência entre os dois turnos é uma tradição do PCO. Enquanto nos grandes partidos brasileiros as decisões desse tipo normalmente saem de negociações entre presidentes partidários, parlamentares, governadores e dirigentes, o PCO reúne sua militância para discutir o resultado das urnas, a nova situação política e a conduta que deverá adotar.
Rui Costa Pimenta já havia explicado durante a campanha por que não anunciaria antecipadamente a orientação do Partido. Questionado sobre o segundo turno, afirmou:
“Primeiro, nós temos que fazer uma análise sobre a base do resultado do primeiro turno. E, segundo, o Partido tem que decidir enquanto Partido. Então vamos decidir depois do primeiro turno.”
Rui também chamou atenção para a particularidade desse funcionamento:
“Eu acho que nós somos o único partido do País que, entre o primeiro e o segundo turno da eleição, convoca uma conferência e delibera coletivamente qual deve ser a posição do Partido no segundo turno. […] Eu não posso tomar uma decisão em nome do Partido antes dos acontecimentos.”
Uma decisão nacional não pode ser substituída pela opinião pessoal de um dirigente, ainda que seja o principal dirigente político da organização. O resultado eleitoral precisa ser analisado, as diferentes avaliações devem ser apresentadas e os militantes precisam deliberar sobre qual política será adotada.
Poucos dias antes da votação, Rui voltou ao assunto ao ser questionado no programa Análise da 3ª. Novamente se recusou a anunciar uma decisão que ainda não havia sido tomada:
“Eu não quero falar do segundo turno, porque nós vamos definir a política do PCO numa conferência. Então, não vou me antecipar em nada. Eu não tenho nem o direito de dizer o que o Partido vai definir no segundo turno.”
Esse método corresponde ao centralismo democrático defendido pelo PCO. Antes da votação, há discussão, divergências e apresentação de propostas. Depois da deliberação, a resolução aprovada passa a orientar a atividade comum da organização.
O PCO realiza conferências e congressos para discutir os principais problemas políticos, sua intervenção nas lutas e sua organização. Nas eleições, esse método é empregado tanto na definição da política geral quanto na escolha das candidaturas e na avaliação dos resultados.
Em 2024, depois do primeiro turno das eleições municipais, a 37ª Conferência Nacional reuniu militantes de diferentes regiões do País para fazer o balanço da campanha e decidir a orientação diante das disputas restantes. Delegados escolhidos nas instâncias partidárias participaram da votação, que aprovou o voto nulo nos segundos turnos municipais.
A conferência daquele ano também tomou decisões que ultrapassavam a eleição imediata. Entre elas estava o lançamento de Rui Costa Pimenta como candidato à Presidência da República em 2026, além da realização de novas atividades de organização e de uma campanha de filiação.
Dois anos antes, em 2022, o mesmo método havia sido utilizado na eleição presidencial. A Conferência Nacional realizada entre os dois turnos analisou a situação aberta pela disputa entre Lula e Jair Bolsonaro e aprovou o apoio a Lula.
As decisões diferentes mostram precisamente por que o PCO rejeita uma fórmula pronta para todas as eleições. Em 2022, decidiu apoiar Lula. Em 2024, aprovou o voto nulo. A posição é tomada a partir da análise da situação política e da discussão interna, e não de uma regra segundo a qual o Partido estaria obrigado de antemão a apoiar determinado candidato.
Durante a campanha de 2026, Rui Costa Pimenta voltou diversas vezes a esse problema. Questionado sobre a possibilidade de apoiar uma das candidaturas que chegassem ao segundo turno, afirmou que seria necessário conhecer o resultado nacional e nos estados antes de deliberar. Mesmo quando comentou opiniões existentes entre os militantes, fez questão de separar essas avaliações de uma resolução oficial do Partido.
A Conferência também deverá examinar a própria experiência eleitoral do PCO. A candidatura presidencial de Rui Costa Pimenta, tendo Antônio Carlos Silva como vice, havia sido discutida anteriormente pela militância e posteriormente formalizada segundo as exigências da legislação eleitoral. O Partido também apresentou candidatos aos governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados e assembleias legislativas.
Durante a campanha, o PCO apresentou sua participação nas eleições como uma forma de levar seu programa político aos trabalhadores e ampliar sua organização. Os candidatos e militantes participaram de atos, reuniões, panfletagens, debates e atividades em diferentes estados, buscando apresentar as posições do Partido para além do espaço restrito da propaganda eleitoral oficial.
Esse trabalho também será objeto do balanço. A discussão não deverá ficar restrita aos números obtidos nas urnas. A campanha permitiu ao Partido entrar em contato com trabalhadores, estudantes, índios e outros setores que participaram ou se aproximaram das atividades organizadas durante os últimos meses.
Na reta final, durante um ato no Recife, Rui Costa Pimenta apontou justamente a necessidade de organizar depois das eleições as pessoas que haviam se aproximado do PCO durante a campanha. A Conferência deverá discutir também essa tarefa, além da política imediata para a votação seguinte.





