Partido da Causa Operária

PCO realiza maior campanha de sua história e amplia sua influência política

Eleição revelou que a organização revolucionária dispõe hoje de condições significativamente superiores às de quatro anos atrás para divulgar suas posições

O Partido da Causa Operária (PCO) encerrou o primeiro turno das eleições de 2026 com os melhores resultados de campanha de sua história. Esta é a avaliação feita pelos delegados da 39ª Conferência Nacional do Partido, na qual estiveram presentes correspondentes deste Diário.

Na avaliação dos delegados do Partido, o crescimento não se limitou à votação obtida nas urnas. O Partido ampliou sua presença nas ruas, multiplicou suas atividades, alcançou milhões de pessoas com sua propaganda política e mobilizou uma parcela significativamente maior de militantes e simpatizantes.

Os números revelam um desenvolvimento importante de uma organização que, diferentemente dos grandes partidos do regime político, não conta com uma bancada parlamentar, não recebe financiamento de grandes capitalistas e não participa das alianças que sustentam o regime político brasileiro.

A campanha presidencial de Rui Costa Pimenta e Antônio Carlos Silva foi o centro desse trabalho. Os dois candidatos percorreram 13 estados e o Distrito Federal, participando de atividades em todas as cinco regiões do País. Em algumas localidades, realizaram mais de um encontro, reunindo trabalhadores, jovens, militantes de movimentos populares e pessoas interessadas em conhecer o programa revolucionário do Partido.

As atividades reuniram milhares de pessoas e permitiram estabelecer contato direto com setores da população que, em muitos casos, nunca haviam participado de uma atividade do PCO. A campanha também aproximou antigos simpatizantes e abriu caminho para a participação de centenas de novas pessoas na atividade política do Partido.

O ponto alto dessa mobilização ocorreu em 27 de setembro, quando mais de 2 mil pessoas participaram do ato nacional da campanha presidencial, em São Paulo. Delegações de diferentes estados ocuparam a Praça Oswaldo Cruz, na Avenida Paulista, e seguiram em passeata até o Teatro Sérgio Cardoso, no Bixiga.

Foi a primeira vez que o PCO realizou uma manifestação nacional dessa dimensão durante uma campanha presidencial. Em meio a uma eleição dominada por campanhas milionárias, publicidade e disputas nos tribunais, o Partido colocou milhares de pessoas nas ruas em defesa de um programa operário e socialista.

A composição do ato foi tão significativa quanto seu tamanho. Participaram operários, trabalhadores da construção civil, jovens, índios e integrantes de movimentos populares. Entre os partidos da esquerda, apenas o PT, que possui uma estrutura incomparavelmente maior e controla importantes organizações, realizou mobilizações semelhantes durante o período eleitoral.

A dimensão nacional da campanha também aparece nos números da propaganda de rua. Segundo o levantamento realizado pelo Partido, foram distribuídos milhçoes de panfletos e santinhos em 18 estados, abrangendo todas as regiões brasileiras.

Para uma organização revolucionária, a capacidade de mobilizar trabalhadores para uma atividade política independente tem um significado muito maior do que a simples contratação de cabos eleitorais ou a aquisição de propaganda comercial. A campanha do PCO mostrou que o Partido dispõe de uma base de militantes e simpatizantes capaz de realizar um trabalho nacional de propaganda. Mostrou também que essa base cresceu consideravelmente em relação às eleições anteriores.

O resultado é particularmente expressivo diante das dificuldades enfrentadas pelo Partido, incluindo impugnações de candidaturas, obstáculos à utilização dos recursos eleitorais e a operação da Polícia Federal contra a residência de Rui Costa Pimenta, realizada no início da campanha.

Apesar disso, o PCO conseguiu levar seu programa a milhões de pessoas e realizar uma campanha de rua superior às anteriores.

O crescimento também ocorreu nos meios de comunicação. A campanha presidencial participou de dezenas de entrevistas concedidas a jornais, emissoras de televisão, portais de notícias e programas transmitidos pela Internet.

Rui Costa Pimenta esteve presente em dois debates eleitorais organizados por programas independentes com grande audiência. Candidatos aos governos estaduais também conquistaram espaço em entrevistas e debates, levando a política do Partido a públicos que normalmente não acompanham suas atividades.

A presença na imprensa ocorreu apesar da hostilidade de importantes veículos de comunicação e do boicote praticado por setores da própria esquerda. A campanha conseguiu, em diversas ocasiões, utilizar esses espaços para apresentar diretamente suas posições e chegar a um público muito mais amplo.

O fenômeno foi ainda mais expressivo nas redes sociais.

No Instagram, o perfil oficial do PCO registrou mais de 42 milhões de visualizações em um período de 30 dias, alcançando aproximadamente 15 milhões de contas diferentes. O Partido conquistou mais de 30 mil novos seguidores, ultrapassando a marca de 50 mil.

No Facebook, foram mais de 10 milhões de visualizações, com alcance de aproximadamente 6 milhões de pessoas. A conta da Causa Operária TV (COTV) no Instagram, por sua vez, ultrapassou 6 milhões de visualizações durante o período eleitoral.

O crescimento também foi registrado no X, antigo Twitter. O perfil oficial do Partido alcançou 3,6 milhões de impressões, um aumento de 116% em comparação com o período anterior. O engajamento cresceu cerca de 250%, acompanhado de aproximadamente 2 mil novos seguidores.

Na mesma plataforma, Rui Costa Pimenta alcançou mais de 2,2 milhões de impressões em seu perfil, com crescimento de 270%. O engajamento aumentou 286%, enquanto mais de 8 mil visitas foram registradas na página.

Uma organização anteriormente conhecida por um público muito mais restrito passou a alcançar milhões de pessoas, disputando diretamente a atenção de setores que estão fora do círculo tradicional da esquerda. A campanha demonstrou que existe um público considerável para uma política de esquerda que não procura esconder seu caráter revolucionário, nem adaptar seu programa às exigências dos capitalistas.

Crescimento nas urnas

A votação registrada também aponta um avanço.

O PCO somou 135.701 votos em todos os cargos disputados, considerando votos nominais e de legenda. Em 2022, esse total havia sido de 68.113 votos. O crescimento foi de 99,2%, praticamente dobrando a votação agregada do Partido em quatro anos.

É necessário observar que essa soma não corresponde ao número de eleitores diferentes, pois uma mesma pessoa pode ter votado em candidatos do PCO para mais de um cargo. Trata-se de um indicador da votação conjunta das candidaturas.

Outro dado é ainda mais significativo. Embora o número de candidatos com votos tenha passado de 121, em 2022, para 99, em 2026, a votação média por candidatura cresceu 143,5%, passando de aproximadamente 563 para 1.371 votos.

Nas disputas para os governos estaduais, o avanço também foi expressivo. Considerando os votos registrados nos boletins de urna, o Partido passou de aproximadamente 20 mil votos em 2022 para mais de 46 mil em 2026, um crescimento superior a 130%.

Em São Paulo, Izadora Dias multiplicou por mais de quatro vezes a votação obtida pelo PCO para o governo estadual em 2022. O resultado é especialmente importante porque ocorreu no maior colégio eleitoral do País e em meio a uma disputa judicial que levou ao indeferimento de sua candidatura.

O Partido apresentou chapas próprias para os governos de 18 estados e do Distrito Federal, o maior número entre as organizações que disputaram as eleições de 2026. Essa presença nacional permitiu defender um programa próprio em regiões onde a disputa costuma ficar monopolizada pelos grandes partidos.

Um caso que ganhou repercussão nacional foi o de Bruno Pedreiro, candidato do PCO ao governo de Santa Catarina, cuja campanha chamou a atenção justamente porque ele continuava trabalhando na construção civil. A diferença entre as condições de campanha dos candidatos operários e as dos representantes dos grandes partidos revelou, de maneira concreta, o caráter de classe do sistema eleitoral brasileiro.

O resultado nas urnas, porém, não expressa toda a dimensão do trabalho realizado. O PCO questiona aspectos da apuração, especialmente a diferença entre o desempenho de algumas candidaturas estaduais e a votação presidencial de Rui Costa Pimenta, que recebeu 15.024 votos.

O Partido também identificou registros de votos anulados e diferenças de votação entre determinadas localidades que pretende examinar mais profundamente. O levantamento desses casos exige a análise dos boletins de urna e dos demais registros eleitorais. Independentemente dessa investigação, os números já conhecidos demonstram crescimento em comparação com 2022.

Uma política que alcança novos setores

Outro aspecto importante da campanha foi a aproximação com setores que não pertencem à base tradicional da esquerda.

O PCO conquistou atenção e simpatia entre trabalhadores identificados com o trabalhismo e a tradição de Leonel Brizola, setores nacionalistas, pessoas influenciadas pelo bolsonarismo e mesmo grupos que defendem posições muito diferentes das do marxismo revolucionário.

Esse fenômeno está relacionado à orientação adotada pelo Partido de não limitar sua intervenção política aos setores que já se consideram de esquerda.

A defesa intransigente da liberdade de expressão, a luta contra a ditadura judicial, a denúncia do imperialismo, a defesa da soberania nacional e a oposição aos privilégios da burguesia permitiram ao PCO dialogar com pessoas que se afastaram da esquerda tradicional.

A aproximação desses setores não significou o abandono do programa revolucionário. Ao contrário, o Partido procurou demonstrar que os problemas enfrentados pelos trabalhadores não serão resolvidos pelos políticos burgueses, independentemente de sua identificação partidária.

Trata-se de disputar politicamente a consciência dos trabalhadores, em vez de abandoná-los à influência da direita porque possuem posições consideradas reacionárias.

A campanha mostrou que uma política revolucionária pode encontrar espaço em setores muito mais amplos da população do que aqueles normalmente alcançados pelas organizações da esquerda.

O avanço do PCO diante da crise da esquerda tradicional

Esse desenvolvimento ocorreu em uma eleição marcada pelo aprofundamento da crise da política petista.

O resultado do primeiro turno mostrou o desgaste da estratégia de conciliação com a burguesia, apresentada nos últimos anos sob o nome de frente ampla.

O PT apostou na aliança com setores da direita tradicional, com os grandes empresários e com as instituições que participaram do golpe de Estado de 2016. O resultado foi o enfraquecimento de sua própria base política, enquanto o bolsonarismo ampliou sua representação parlamentar e conquistou posições importantes em diferentes estados.

A derrota de Lula para Flávio Bolsonaro no primeiro turno expressa os limites de uma política que procura enfrentar a direita por meio de acordos com os mesmos setores sociais que sustentam a política econômica contrária aos trabalhadores.

O problema não se resume ao desempenho eleitoral de Lula. A crise atinge a orientação política predominante na esquerda brasileira, que substituiu a mobilização independente dos trabalhadores pela confiança nas instituições do regime. O desenvolvimento do PCO adquire importância nesse cenário justamente porque aponta em outra direção.

Ao longo da campanha, o PCO defendeu medidas como o salário mínimo de pelo menos R$8 mil, a suspensão do pagamento da dívida pública, a estatização dos bancos, a recuperação das empresas privatizadas sob controle dos trabalhadores e a formação de um governo operário.

Foi esse programa, e não uma versão moderada das propostas dos partidos burgueses, que o PCO apresentou nas ruas, nas entrevistas, nos debates e nas redes sociais. A eleição revelou que a organização revolucionária dispõe hoje de condições significativamente superiores às de quatro anos atrás para divulgar suas posições e alcançar novos setores da população.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.