Eleições 2026

PCO é o partido que mais cresceu em votos em 2026

Levantamento do DataDCO aponta aumento de 99,2% na votação nacional do Partido, que enfrentou impugnações, exclusão de debates e operações da Polícia Federal

O Partido da Causa Operária (PCO) praticamente dobrou sua votação nas eleições de 2026. Segundo levantamento do DataDCO, realizado a partir dos boletins de urna do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Partido passou de 68.113 votos, em 2022, para 135.701 neste ano. Foram 67.588 votos adicionais, um crescimento de 99,2%, o maior percentual entre as organizações que disputaram as eleições sem integrar uma federação partidária.

O resultado foi obtido apesar das impugnações de candidaturas, da exclusão de debates, das dificuldades financeiras e de uma operação da Polícia Federal contra dirigentes e militantes do Partido. Enquanto as grandes legendas contaram com milhões de reais em recursos eleitorais e ampla exposição na imprensa capitalista, o PCO realizou uma campanha baseada principalmente na atividade de seus militantes, na distribuição de jornais e panfletos e na apresentação de seu programa político aos trabalhadores.

A comparação abrange os votos recebidos nas disputas para presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital. São considerados tanto os votos nominais quanto os de legenda, incluindo aqueles registrados para candidatos com o registro indeferido. A apuração utiliza os boletins de urna, permitindo identificar votos que não aparecem normalmente nos resultados públicos da Justiça Eleitoral.

O crescimento ocorreu mesmo com a redução do número de candidaturas contabilizadas. Em 2022, foram 122; em 2026, 99. O PCO, portanto, recebeu quase o dobro dos votos com um número menor de candidatos.

Os maiores avanços ocorreram nas disputas majoritárias. Para governador, o Partido passou de 20.273 para 46.078 votos, aumento de 127,3%. O número de candidaturas nessa disputa subiu de 15 para 18, proporção muito inferior à expansão da votação. Para o Senado Federal, foram 60.912 votos, contra 29.752 quatro anos antes, crescimento de 104,7%.

A candidatura presidencial de Rui Costa Pimenta recebeu 15.024 votos. Em 2022, o PCO não apresentou candidato próprio à Presidência, tendo apoiado Lula. Esses votos, portanto, representam uma parcela adicional na comparação nacional.

Também é necessário considerar que, em 2022, cada eleitor escolheu um senador, enquanto, em 2026, pôde votar em dois. Descontada a votação presidencial, a soma dos demais cargos apresenta crescimento de aproximadamente 77,2%, embora a diferença nas regras da eleição para o Senado permaneça. A votação para governador, considerada separadamente, confirma a expansão do Partido.

O crescimento das federações

Na tabela do DataDCO, duas legendas aparecem com percentuais superiores ao do PCO: a Rede Sustentabilidade, com 616%, e o PSOL, com 123,8%. Há, entretanto, uma diferença fundamental. As duas organizações integram uma mesma federação partidária e não disputaram as eleições de maneira independente.

PSOL e Rede estão federados desde 2022. A legislação determina que os integrantes de uma federação atuem como uma única agremiação no processo eleitoral. Sua representação parlamentar é considerada conjuntamente para a distribuição do horário eleitoral gratuito, a participação em debates e o cumprimento da cláusula de desempenho.

Esse mecanismo permite que partidos diferentes reúnam sua força eleitoral e parlamentar para obter vantagens que não teriam isoladamente. Embora conservem suas siglas e estruturas próprias, os integrantes ficam submetidos a uma atuação eleitoral conjunta. É um acordo que interfere diretamente nas condições de participação de cada organização nas eleições.

O PCO rejeitou esse caminho. Apresentou candidaturas próprias, manteve seu programa e não integrou federação ou coligação. Não recebeu, portanto, as vantagens eleitorais decorrentes da soma de forças com outras organizações.

A diferença não é apenas jurídica. O PSOL participa da frente ampla formada em torno de Lula, enquanto o PCO se opõe à política de colaboração com os partidos burgueses. Para o Partido, as federações são mais um mecanismo de adaptação das organizações de esquerda ao regime político, permitindo que mantenham representação parlamentar à custa de sua independência.

Entre os partidos que concorreram isoladamente, nenhuma alcançou o percentual de crescimento do PCO na soma nacional de votos apresentada pelo DataDCO. O Podemos aparece com 75,5%; o Republicanos, com 61,3%; o PP, com 59,5%; o Novo, com 56%; e o PL, com 47,1%. O PT cresceu 13,5%.

A diferença também aparece na comparação com os demais partidos que se apresentam como revolucionários. A Unidade Popular aumentou sua votação em 41,3%; o PSTU, em 40%; enquanto o PCB perdeu 65,4% dos votos recebidos em 2022. O crescimento do PCO foi mais que o dobro do registrado pela UP e pelo PSTU.

Em São Paulo, votação para governador quadruplicou

Um dos resultados mais expressivos ocorreu em São Paulo. Izadora Dias, candidata do PCO ao governo estadual, recebeu 22.369 votos, segundo levantamento do DataDCO. Em 2022, Edson Dorta havia obtido 5.305 votos para o mesmo cargo. A votação aumentou 321,7%, passando de pouco mais de cinco mil para mais de 22 mil votos.

O resultado é particularmente importante porque a candidatura de Izadora foi indeferida pela Justiça Eleitoral. Os votos recebidos pela candidata não foram apresentados da mesma maneira que os votos dos concorrentes com registro deferido. Para recuperar a quantidade efetivamente depositada nas urnas, o DataDCO precisou recorrer aos boletins produzidos em cada seção eleitoral.

O mesmo problema atingiu Ednelson Cesaretti, candidato do PCO ao Senado por São Paulo, que recebeu 10.434 votos. Somadas, as duas candidaturas obtiveram 32.803 votos, apesar das decisões judiciais que impediram seu reconhecimento nas condições normais da disputa.

O Partido denuncia esse tratamento como um ataque aos direitos democráticos dos eleitores. O indeferimento de uma candidatura não elimina o fato de que milhares de pessoas compareceram às urnas e escolheram aquele candidato. O levantamento do DataDCO permite conhecer essa votação, independentemente da decisão sobre sua validade jurídica.

O caso de São Paulo mostra também que as impugnações não impediram a expansão eleitoral do PCO. A votação para governador foi mais de quatro vezes superior à de 2022, mesmo sem a candidatura participar da disputa em condições equivalentes às dos demais concorrentes.

Uma campanha sob ataque

A eleição de 2026 ocorreu sob intensa pressão contra o PCO. Em agosto, a Polícia Federal realizou buscas contra dirigentes e militantes da organização, incluindo a residência de Rui Costa Pimenta, presidente nacional do Partido e candidato à Presidência. A direção denunciou a operação como uma tentativa de intimidar seus integrantes e comprometer a campanha eleitoral.

O Partido também enfrentou dificuldades relacionadas à liberação de recursos do fundo eleitoral. Em setembro, Pimenta denunciou que a demora prejudicava a produção de material de campanha e a propaganda nacional. A situação agravou a desigualdade entre o PCO e as organizações que dispõem de grandes estruturas eleitorais.

A esses problemas somaram-se as exclusões de debates e pesquisas eleitorais. O Partido denunciou que seus candidatos eram sistematicamente deixados de fora de atividades promovidas pelos grandes meios de comunicação, reduzindo as possibilidades de apresentar suas propostas à população.

A campanha, entretanto, não ficou limitada à propaganda pela televisão ou pela Internet. Militantes realizaram atividades nas portas de fábricas, universidades, bairros populares e locais de grande circulação de trabalhadores. Também foram organizados atos de lançamento de candidaturas em diferentes estados, com a participação de movimentos populares e sindicais.

No Mato Grosso do Sul, por exemplo, um ato de campanha reuniu mais de 200 pessoas, incluindo representantes dos povos guarani-caiuá, terena e cadiuéu. A atividade foi marcada pela denúncia dos ataques do latifúndio contra as comunidades e pela defesa da luta pela terra.

Em 27 de setembro, o PCO realizou uma manifestação nacional de encerramento da campanha, em São Paulo, reunindo delegações de diferentes regiões do País. Mais de 2 mil pessoas participaram da atividade.

A direção do Partido insistiu durante toda a campanha que seu objetivo principal não era simplesmente eleger parlamentares, mas divulgar um programa de luta e organizar os trabalhadores. Entre as reivindicações apresentadas estavam o aumento emergencial de 50% dos salários e aposentadorias, a reposição integral das perdas salariais, a jornada de 35 horas semanais sem redução de salários, a reestatização das empresas privatizadas e o não pagamento da dívida pública aos banqueiros.

O PCO também defendeu o fim da Polícia Militar, a eleição dos membros do Judiciário, o direito da população ao armamento e a luta contra a dominação imperialista sobre o Brasil.

O crescimento eleitoral deve ser considerado à luz dessa atividade. O Partido não abandonou seu programa para conquistar alianças com organizações maiores, tampouco subordinou sua campanha à frente ampla. Procurou utilizar as eleições para divulgar suas posições e ampliar sua presença entre os trabalhadores.

Os 135.701 votos registrados pelo DataDCO ainda representam uma votação pequena diante dos milhões recebidos pelos grandes partidos. Mas o aumento de 99,2% contrasta com as dificuldades impostas à campanha e com a situação das organizações da esquerda que tiveram desempenho inferior.

O PCO saiu das eleições de 2026 com uma votação nacional praticamente duas vezes maior que a de 2022. O levantamento mostra uma expansão que não dependeu de federação partidária, de alianças com a burguesia ou de uma estrutura milionária de propaganda eleitoral. Foi alcançada por uma organização que manteve seu programa revolucionário e procurou fazer da campanha um instrumento de agitação e mobilização dos trabalhadores.

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