O Partido da Causa Operária (PCO) mais que dobrou sua votação para o Senado Federal entre as eleições de 2022 e 2026. O Partido passou de 29.752 para 60.912 votos em todo o País, um crescimento de 104,7% em quatro anos. Foram 31.160 votos a mais para as candidaturas do PCO à Câmara Alta do Congresso Nacional.
O resultado representa um crescimento expressivo da votação do Partido, que disputou as eleições deste ano em meio a uma intensa perseguição judicial, com candidaturas impugnadas, dificuldades para participar dos debates e restrições à divulgação de sua propaganda eleitoral.
Os números incluem a votação de São Paulo, que não aparece na totalização pública do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Segundo levantamento realizado a partir dos boletins de urna, o candidato do PCO ao Senado paulista, Ednelson Cesaretti, recebeu 10.434 votos. Sem essa apuração, milhares de votos depositados nas urnas pelos eleitores paulistas ficariam de fora do balanço eleitoral.
O caso de São Paulo é particularmente grave. O TSE deixou de apresentar publicamente a votação dos candidatos do PCO ao governo estadual, ao Senado e à Câmara dos Deputados. Não se trata apenas da discussão sobre a validade jurídica dos votos, mas do direito da população de saber quantas pessoas votaram em cada candidato.
A inclusão dos votos paulistas permite apresentar um balanço nacional mais completo da votação do Partido. Em 2022, o PCO havia recebido 29.752 votos para o Senado. Quatro anos depois, a votação chegou a 60.912, ultrapassando em mais do dobro a marca anterior.
O crescimento para o Senado acompanha o resultado das candidaturas do Partido aos governos estaduais. Conforme levantamento publicado pelo Diário Causa Operária, o PCO passou de 20.025 votos para governador em 2022 para 46.073 em 2026, um aumento de 130,08%. Nesse caso, o resultado também considera os boletins de urna de São Paulo, onde Izadora Dias recebeu 22.369 votos.
Os dois resultados mostram uma ampliação da votação do PCO nas disputas majoritárias, apesar dos obstáculos enfrentados pelo Partido durante a campanha.
Uma campanha política nacional
O crescimento ocorreu durante uma campanha em que o PCO apresentou um programa nacional, encabeçado pela candidatura de Rui Costa Pimenta à Presidência da República.
Diferentemente dos partidos que organizam suas campanhas em torno de acordos eleitorais com outras legendas, o PCO apresentou suas candidaturas como parte de uma intervenção política independente, voltada à defesa das reivindicações da classe operária e dos demais setores explorados da população.
A campanha destacou a necessidade de um aumento emergencial de 50% dos salários e aposentadorias, a reposição integral das perdas salariais, a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais, a reestatização das empresas privatizadas e o não pagamento da dívida pública aos banqueiros.
Também foram apresentadas as reivindicações de dissolução da Polícia Militar, direito ao armamento da população, reforma do Judiciário e defesa da soberania nacional contra a intervenção do imperialismo.
Os candidatos ao Senado participaram da divulgação desse programa, levando as posições do Partido às ruas, aos locais de trabalho, às universidades e às mobilizações populares.
A eleição para o Senado tem importância particular nessa campanha. Trata-se de uma das instituições centrais do regime político brasileiro, responsável, entre outras atribuições, por julgar processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O PCO defendeu, durante a campanha, uma transformação radical do sistema político e do Judiciário, denunciando o caráter antidemocrático das instituições atuais.





