A monarquia saudita pediu ajuda ao Paquistão e à Turquia para conter o Ansar Alá. O ataque ao aeroporto internacional de Riade neste sábado (10), que matou ao menos 12 pessoas e feriu outras 309, expôs os limites da defesa saudita. O regime, armado e sustentado pelo imperialismo, não consegue conter os ataques iemenitas, apesar de sua superioridade militar.
Os três países assinaram em agosto um acordo de defesa mútua. Nesta semana, decidiram ativar seus compromissos e acelerar o envio de recursos militares à Arábia Saudita. O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Asif, afirmou que Paquistão e Turquia prestam apoio e participam de atividades de reconhecimento.
Asif afirmou que forças dos dois países estão no reino, mas a participação turca ainda não está clara. Autoridades turcas ouvidas pela Reuters disseram que o país fornece equipamentos, inteligência e sistemas de defesa, sem enviar tropas no âmbito do acordo. A Turquia também não ratificou o pacto em seu Parlamento. Militares paquistaneses, por sua vez, mantêm presença na Arábia Saudita há décadas. O Paquistão chamou de “falsos e fabricados” relatos da imprensa sobre o uso de caças paquistaneses contra o Ansar Alá.
A cautela de Paquistão e Turquia acompanha a dificuldade saudita no campo de batalha. A coalizão agressora provida pela Arábia Saudita iniciou uma contraofensiva para recuperar posições próximas ao estreito de Babelmândebe, mas os avanços têm sido lentos. O Ansar Alá havia tomado áreas estratégicas na região e segue atacando cidades e instalações sauditas.
Babelmândebe é uma rota essencial para o transporte de petróleo e mercadorias entre o mar Vermelho e o golfo de Áden. Com o estreito de Ormuz fechado pela guerra contra o Irã, uma interrupção adicional do tráfego agravaria a crise energética nos Estados Unidos e na Europa. Uma intervenção direta contra o Ansar Alá poderia ampliar a guerra e ameaçar essa rota. Até sábado, Donald Trump dizia que avaliaria a possibilidade de os Estados Unidos se juntarem aos ataques sauditas, sem anunciar uma decisão.
O Paquistão busca ampliar sua influência na região. A Turquia, por sua vez, procura preservar espaço diante do fortalecimento do Irã, seu rival regional. Os dois países apoiam a monarquia, mas mantêm sua atuação em tarefas de defesa e apoio técnico, sem anunciar participação direta numa ofensiva contra o Iêmen.
O pedido de socorro expõe a fragilidade da Arábia Saudita. Mesmo armado por potências imperialistas, o regime saudita enfrenta dificuldades para deter um adversário muito menos equipado. O Ansar Alá demonstrou que pode atingir o território saudita e ameaçar uma das principais rotas de energia do mundo.





