O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, cancelou neste sábado (10) as eleições legislativas marcadas para 28 de novembro. Um novo decreto transferiu a votação para 11 de setembro de 2027 e convocou uma eleição presidencial para a mesma data.
Abbas governa por decreto desde 2009 e continuará no poder pelo menos até setembro de 2027. Os palestinos não elegem um presidente desde 2005 nem votam para o Conselho Legislativo desde 2006.
O decreto concede à direção da AP quase mais um ano sem qualquer autorização popular. Abbas havia reafirmado a data de novembro em 24 de setembro, durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas. Pouco mais de duas semanas depois, revogou a convocação.
Na última eleição parlamentar, o Hamas derrotou o Fatá, organização de Abbas que dominava a Autoridade Palestina. O resultado foi rejeitado por “Israel” e pelas potências imperialistas.
O regime sionista reteve receitas pertencentes aos palestinos. Os Estados Unidos e a União Europeia suspenderam recursos destinados ao governo eleito e fortaleceram Abbas e as forças de repressão sob seu comando.
Depois da guerra civil de 2007, o Hamas assumiu o controle de Gaza e expulsou os partidários de Abbas. O Fatá permaneceu à frente da AP na Cisjordânia, onde mantém a colaboração militar com a ocupação e persegue integrantes da resistência.
Desde a derrota nas urnas, a direção da AP nunca mais permitiu uma eleição nacional. Sua permanência depende do apoio estrangeiro e da colaboração com os serviços de repressão de “Israel”, não do voto dos palestinos.
O decreto atribuiu o adiamento às operações militares israelenses na Cisjordânia, à expansão dos assentamentos, à violência dos colonos, às restrições de circulação e à retenção das receitas palestinas. Também citou o genocídio em Gaza, a permanência das tropas israelenses e a falta de reconstrução.
São crimes reais da ocupação sionista. “Israel” também impede atividades eleitorais palestinas em Jerusalém Oriental e restringe a entrada de funcionários e observadores na Faixa de Gaza.
Nada disso surgiu entre 24 de setembro, quando Abbas confirmou a votação, e 10 de outubro, quando a cancelou. A mudança repentina mostra que a convocação dependia da conveniência do Fatá.
Abbas empregou a mesma justificativa em 2021. Naquele ano, suspendeu as eleições porque “Israel” não garantia a participação dos palestinos de Jerusalém Oriental. O Fatá estava dividido e corria o risco de sofrer outra derrota.
Em abril deste ano, a AP promoveu eleições municipais na Cisjordânia e em Deir al-Balah, a única cidade da Faixa de Gaza incluída na votação. Quando está em disputa a direção nacional, porém, as urnas permanecem fechadas.
Abbas assumiu por escrito o compromisso de realizar eleições diante do presidente francês, Emmanuel Macron, e do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman. A promessa integrou as negociações que antecederam o reconhecimento francês de um Estado palestino, em setembro de 2025.





