A perseguição contra Neymar Jr.? Vai bem, obrigado! O que a grande imprensa diz, a esquerda pequeno-burguesa segue, não tem erro. Portanto, não poderia ter sido diferente com o artigo A submissão de Ancelotti e a decepcionante convocação de Neymar, de Ricardo Nêggo Tom, publicado no Brasil 247 nesta terça-feira (19).
O articulista começa seu texto reclamando, diz que “tendo como cerimônia de abertura uma pantomima que parecia ter sido organizada pelos mesmos roteiristas de ‘Dark Horse’, a CBF ofereceu uma festa estranha e com muita gente esquisita ao meio do futebol”.
Como se viu, o problema – além da obrigação de imitar a grande imprensa – são as posições políticas do jogador, daí a alusão ao filme Dark Horse, espécie de cinebiografia de Jair Bolsonaro.
Decepcionado, Nêggo Tom escreve que “o técnico Carlo Ancelotti cedeu à pressão e ao lobby feito por alguns jornalistas, ex-jogadores, e até jogadores da atual seleção, que deram entrevistas recentemente pedindo a convocação do jogador do Santos”.
Admitindo que seja verdade, quem não cederia à pressão de ex-jogadores, e até jogadores da atual Seleção? Alguém vai acreditar que essas pessoas não entendem de futebol?
Ricardo Nêggo Tom faz sua afirmação, de que Ancelotti teria cedido, com base na leitura que fez “desde que o italiano assumiu a seleção até esta atual convocação, onde ele nunca havia convocado Neymar e não demonstrava nenhuma empolgação com tal possibilidade.” Não demonstrava empolgação, ou preferiu poupar o jogador enquanto testava algumas configurações? E por que seria necessário se demonstrar empolgado? Isso nunca foi critério.
“Até porque”, na opinião do articulista, “o futebol que o jogador vem apresentando nos últimos quatro anos de sua tão vitoriosa como polêmica carreira, não o credencia a estar na lista”. Faltou dizer que o jogador sofreu problemas com lesões, fruto da quantidade inacreditável de faltas cometidas contra ele.
“O meu principal questionamento quanto a sua convocação”, diz Nêggo Tom, “é o fato de ele não estar conseguindo ter uma sequência de jogos, e nem ser decisivo atuando pelo Santos”. Sim, 6 gols e 4 assistências em 15 jogos na temporada são “pouca coisa” na opinião do articulista.
Apesar de um time de futebol contar com 11 jogadores em campo, Nêggo Tom tenta jogar a culpa do desempenho do Santos nas costas de Neymar; mesmo admitindo que no campeonato brasileiro “apenas duas equipes – Flamengo e Palmeiras – brigam, de fato, pelo título”.
O jornalista escreve que “Ancelotti, visivelmente, trai suas convicções e cede a uma pressão que o iguala a Tite, Dorival Júnior, Fernando Diniz, e a qualquer outro técnico brasileiro, que também seriam reféns de Neymar e o convocaria em qualquer circunstância.” É bom saber que o Brasil tem um especialista em convicções, mas este deveria se perguntar do porquê de tantos técnicos se tornarem “reféns” de Neymar. Será pelo fato de ele ser o artilheiro da Seleção Canarinho?
“A minha curiosidade” continua Nêggo Tom, “é saber como o italiano irá gerir o ambiente da seleção com a presença do menino mimado e de todo o estafe que costuma acompanhá-lo em copas do mundo”. Esse “menino mimado”, segundo as palavras de Muricy Ramalho, que o treinou no Santos, chegava antes de todos no treino e era o último a sair. Além disso, era adorado por todos os funcionários do Santos, a quem tratava super bem. Muricy, aliás, disse que poucas vezes viu um jogador tão dedicado.
Ainda assim, demonstrando completa falta de noção, o articulista pergunta “Terá Ancelotti moral para impor limites a Neymar e seus agregados dentro das instalações da seleção?”.
O Tom persecutório segue no trecho que diz que “de tão mau gosto quanto a festa organizada pela CBF, com direito a close em Luciano Huck festejando a convocação de seu ‘parça’, foi todo o apelo patético pela convocação de um jogador que não está jogando absolutamente nada, mas que alguns ainda acreditam que pode ser decisivo numa copa do mundo.” Não importam as amizades de Neymar, isso é problema dele, e mentira que não venha jogando nada.
O cúmulo da injustiça é dizer que “se não foi nas últimas três copas em que participou, e estava em plena forma, por que seria agora quando se arrasta em campo?” Será que esse jornalista assistiu aos jogos da Seleção?
Na Rússia, em 2018, o Brasil foi literalmente roubado. No primeiro jogo, contra a Suíça, Neymar recebeu 10 faltas em um jogo que teve 19 faltas no total. Estava aberta a temporada de caça contra o jogador, e com conivência da arbitragem, que deveria, se o jogo fosse limpo, amarelar todo o time suíço. Na eliminação contra a Bélgica, o VAR não pediu revisão do pênalti vergonhoso contra Gabriel Jesus. A desculpa do árbitro, após o jogo, é que não marcou porque “a bola estava saindo”.
No Brasil, Neymar foi tirado da Copa após uma entrada criminosa por trás que provou uma fratura em uma de suas vértebras.
Na desclassificação contra a Croácia em 2022, há um vídeo que mostra Neymar reclamando com a zaga que avançou sem necessidade, pois o Brasil ganhava por 1 a 0 na prorrogação. Perdeu nos pênaltis.
Os santinhos
A imprensa brasileira, não importa se de direita ou de esquerda, além da falta de honestidade contra Neymar, adotou um moralismo absurdo.
Apesar de Neymar ter feito barba e cabelo na passagem pelo PSG, que também ficou marcada pela deslealdade dos adversários, Nêggo Tom faz questão de assinar embaixo da atitude de alguns torcedores do time que exigiram a saída do jogador. Em uma clara atitude de subserviência, diz que isso é “uma prova de que sua arrogância e estrelismo não são tolerados por quem tem amor ao futebol”.
O crime dos crimes é que “com apenas 18 anos, Neymar mandou Dorival Júnior – então técnico do Santos – ir tomar no c., em plena Vila Belmiro, diante de quem quisesse ouvir. Foi nesse jogo que Renê Simões eternizou a frase ‘Estamos criando um monstro’, que vira e mexe ecoa em nossos ouvidos e faz a nossa mente pensar na assertividade da sua profecia”.
Sim, o Brasil criou um monstro, Neymar joga muito. E quem se ofende com um simples palavrão dito dentro de campo, fique de fora. Futebol nunca foi coisa para freiras, ainda mais em um país onde esse esporte foi forjado em campos de terra e por pés descalços.





