Ricardo Machado

É dirigente do Sindicato dos Bancários de Brasília e ex-dirigente da CUT-DF. Integra a Coordenação dos Comitês de Luta do DF e Membro do Partido da Causa Operária (PCO)

Coluna

Organizar a reação à ofensiva dos banqueiros 

Nos últimos anos, colocou-se em marcha o mais violento ataque aos níveis de vida da categoria, que se efetivou tanto nos confiscos de salários, como nas milhares de demissões

* A opinião dos colunistas não reflete, necessariamente, a deste Diário

A campanha salarial dos bancários deste ano abre uma perspectiva do seu desenvolvimento dentro de um quadro político que assinala uma grande perspectiva para o conjunto da categoria. Esta perspectiva é vislumbrada por uma possível reação dos trabalhadores diante da política salarial hostil implementada pelos banqueiros reacionários e seus governos. 

Nos últimos anos, colocou-se em marcha o mais violento ataque aos níveis de vida da categoria, que se efetivou tanto nos confiscos de salários, como nas milhares de demissões nos bancos públicos e privados. No entanto, se depender dos últimos exemplos dos encontros nacionais dos bancários, o que se vislumbrou é que essas perspectivas de luta esbarram na política manobrista das direções sindicais, principalmente daquelas dos principais sindicatos, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, que são determinantes nas negociações com os banqueiros. São sindicatos controlados pela direitista Corrente Sindical “Artsind” (Articulação Sindical), corrente majoritária na direção da Contraf, que nesses encontros sempre procura impor todos os obstáculos possíveis para que não haja nenhum enfrentamento dos bancários com os banqueiros e o governo federal. Este setor do movimento sindical adota uma política de substituição de todos os meios de luta da categoria (como encontros nacionais abertos e desburocratizados, comando de negociações eleitos na base da categoria, mobilização por greve nacional unificada dos bancários etc.) por fracassadas negociações com os patrões.  

Na concepção da Corrente Sindical “Artsind”, é possível arrancar concessões para a categoria sem que haja qualquer mobilização. Mas essa concepção política não é nenhuma ingenuidade, e sim uma política desenvolvida com o propósito de fracassar a campanha salarial em troca de benefícios para esses burocratas sindicais, que hoje estão completamente atrelados às benesses do Estado e dos banqueiros. 

Além do mais, a campanha salarial (a data-base dos bancários é no mês de setembro), deste ano, coincide com as eleições gerais de outubro e não é de agora que essas mesmas direções sindicais e, através das suas tradicionais capitulações, utilizam o argumento que as greves são prejudiciais à candidatura Lula, e justificam um recuo nas lutas em troca de uma incerta vitória dessa candidatura.  

Nesse sentido, por se tratar da falência política da Corrente Sindical “Artsind”, que prioriza os seus interesses individuais em detrimento dos interesses coletivos da categoria, está claro que na próxima Conferência Nacional dos Bancários, que será realizado entre os dias 19 e 21 de junho em São Paulo, é necessário agrupar outros setores das diversas correntes que se opõem à política de capitulação da burocracia sindical, com a finalidade de deliberar um plano nacional de lutas, cujo objetivo seja a luta por uma verdadeira campanha salarial e em defesa de uma pauta de reivindicações que atendam realmente os interesses dos bancários, tais como: reajuste integral das perdas salariais (27%); ganho real de 20%; reajuste automático nos salários quando a inflação alcançar 3%; piso salarial de R$ 7.500; estabilidade no emprego; fim das terceirizações; fim das metas etc. 

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