Como diz a sabedoria popular, “não há nada tão ruim que não possa piorar”, e esse parece ser o lema do pré-candidato à presidência da República Romeu Zema (Novo), que parece estar inspirado no plano do golpista de Michel Temer, “Ponte para o Futuro”, que se demonstrou ser uma ponte para o passado longínquo. O Plano de Zema foi intitulado por ele como “Plano Implacável”, outra ponte para um passado ainda mais distante que o de Temer.
O pré-candidato fez a apresentação de seu plano em vídeo nas redes sociais e diz que vai privatizar a Petrobrás, Banco do Brasil e cortar as mordomias dos “intocáveis de Brasília”. Quem seriam esses? Ministros do STF ou funcionários de carreira com baixos salários? O mais provável é que os funcionários de baixos salários sejam os que vão levar mordidas nos já minguados salários, não os do alto escalão que são os representantes do imperialismo no Brasil.
O plano que Zema diz ser implacável começa acusando o governo Lula de gastar mais que arrecada, mas não explica como isso ocorre. Metade do orçamento federal vai para os “pobres e coitados” banqueiros imperialistas que recebem sem esforço cerca de 1 trilhão de reais, e o restante do orçamento é para pagar o funcionalismo público, pensões, aposentadorias, sistema de saúde, escolas e infraestrutura.
Além disso, desde os anos 80, os vários governos tiveram déficits orçamentários, que é quando o governo gasta mais que arrecadou. Desde esse período, só o governo FHC privatizou cerca de 125 empresas estatais federais e estaduais arrecadando míseros R$ 100 bilhões, uma bagatela para quem as comprou: multinacionais e o grande capital estrangeiro. Entre elas a Vale do Rio Doce (1997), o sistema Telebrás (1998), a Embraer e diversas empresas de energia e siderurgia. E hoje sabemos que a dívida pública não recuou, o que desmente o Zema.
A exceção ocorreu nos anos de 2000 a 2013, em que os governos apresentaram um gasto menos do que arrecadavam. A dívida líquida, que chegou a superar 50% do PIB nos anos 80, caiu significativamente nesse período. Lembrando que esse foi o período dos governos do PT, Lula e Dilma – a presidenta que sofreu golpe de Estado em 2016. De 2014 a 2016 voltaram os déficits orçamentários, fechando fevereiro de 2026 com R$ 16,4 bilhões, e a dívida atingiu o histórico patamar de R$ 10,17 trilhões.
Plano Zema
Não nos iludamos, esse plano é um autêntico plano neoliberal que, se colocado em prática, aumentará ainda mais a fome e miséria ao povo brasileiro, possivelmente em níveis até piores que durante a era FHC. Por volta de 2001, reportagens da época, baseadas em dados da Unicef apontavam que de 280 a 290 crianças morriam diariamente no Brasil por causas relacionadas à fome e à desnutrição.
Não se sabe se Zema será eleito, tem muito para acontecer até as eleições, e é alta a polarização política entre Lula e Flávio Bolsonaro. No entanto, uma política neoliberal seguramente devolverá milhões de brasileiros para a miséria. Tudo em nome dos ganhos do grande capital.
A partir da década de 1980 os governos aplicaram o neoliberalismo como arma supostamente que iria acabar com a dívida pública, colocar as contas do governo em ordem, gastando menos ou igual ao que arrecada e privatizando estatais como a solução mágica para o “equilíbrio”. Passados esses anos, tudo isso, como era esperado, se mostrou ineficiente e até piorou a situação, pois a dívida líquida saiu dos 50% do PIB nos anos 80 para 65% em fevereiro de 2026.
O neoliberalismo destruiu a economia produtiva da Inglaterra, dos EUA, da Europa e, principalmente, dos países atrasados do chamado “Sul Global”. É uma política de terra arrasada não só para os países desenvolvidos, mas principalmente para os países com menor desenvolvimento industrial.
Essa política transfere a maioria das nossas riquezas para especulação nos mercados financeiros do planeta, promovendo desindustrialização e aumentando os dividendos dos proprietários de papéis negociados nas bolsas de valores.
Aumenta a miséria da classe operária ao mesmo tempo que aumenta a já enorme riqueza da minúscula classe burguesa imperialista, esta que partilhou os mercados mundiais. Só o povo no poder pode mudar essa realidade e produzir riquezas que serão desfrutadas pela maioria da população. Em uma terra sem classes sociais, tão somente, com a igualdade para todos, é que a humanidade conseguirá progredir.
O que podemos esperar de um pré-candidato do partido Novo, que já declarou apoio ao sionismo, que pratica um terrível genocídio na Palestina? O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, declarou solidariedade a “Israel” em junho de 2025, classificando ataques de retaliação do Irã como “covardes” e destacando o apoio israelense em Brumadinho (2019). Zema firmou acordos de cooperação com os sionistas, e autorizou o envio de representantes mineiros para missões em “Israel” em meio a conflitos no Oriente Médio.
A eleição de Zema, como de qualquer outro neoliberal, fará pesar sobre a população o peso da crise imperialista. Todos esses anos de eleições, desde o fim da ditadura, mostram que nada mudou e tende a piorar. Isso mostra que esperar melhora por meio das eleições já se esgotou. A classe trabalhadora deve se preparar para seu destino nas próprias mãos.





