Movimentos populares denunciam que o governo de Rodrigo Paz, por ordem do comandante-em-chefe das Forças Armadas, general Balderrama, transferiu para La Paz cerca de 800 integrantes da Unión Juvenil Cruceñista e os alojou no Colégio Militar do Exército, em Irpavi.
A Unión Juvenil Cruceñista é a tropa de choque paramilitar da extrema direita boliviana. Foi uma das organizações utilizadas no golpe de Estado contra Evo Morales, em 2019, quando a direita, apoiada pelo imperialismo, derrubou o governo eleito em meio a uma mobilização do aparato de repressão, em especial da polícia boliviana.
A própria reação dentro das fileiras militares mostra o caráter grave da medida. Setores das Forças Armadas manifestaram incômodo com o uso da instituição para alojar bandos paramilitares. Mesmo assim, o alto comando levou adiante a operação, indicando que a presença da Unión Juvenil Cruceñista nos quartéis corresponde a uma orientação política.
O governo boliviano teme, acima de tudo, a mobilização independente das massas. É contra os trabalhadores, os camponeses e os setores pobres da população que a direita procura manter à disposição seus grupos fascistas. Quando o povo entra em cena, a direita tradicional, a extrema direita e os partidos do regime burguês se unem contra a mobilização popular.
Quem está abrigando os fascistas é aquilo que a esquerda pequeno-burguesa passou a chamar de “democracia”. É o Estado, é a direita “civilizada”, é o imperialismo. Todos aqueles que correspondem, no Brasil, à rede Globo e ao Supremo Tribunal Federal (STF) expuseram sua relação promíscua com o fascismo.
Por isso, a política de frentes “antifascistas” com setores da burguesia é um erro grave. O imperialismo não tem nenhum compromisso real contra o fascismo. Serve-se dele quando precisa atacar as massas e, ao mesmo tempo, apresenta-se como defensor da “democracia” para confundir a esquerda e os trabalhadores, enquanto aumenta ainda mais o seu aparato de repressão.





