Um dos países mais instáveis do continente latino-americano parece que se encaminha para mais um golpe. O Peru – que nos últimos nove anos já teve oito presidentes da república – foi às urnas no último dia 18 na tentativa de superar a crise político-institucional que abala o país andino há cerca de uma década.
No entanto, a estabilidade, que, em tese, poderia ser alcançada com o pleito eleitoral do último dia 18, parece estar comprometida. Isso porque o Júri Nacional de Eleições anunciou que revisará os resultados de pelo menos 106 atas eleitorais, enquanto persiste a dúvida sobre o segundo classificado no segundo turno que está previsto para ser realizado em junho próximo. O tribunal não descartou que o número de atas sujeitas a revisão possa aumentar diante de supostas inconsistências detectadas no processo, e a definição do segundo lugar pode levar até meados de maio.
De acordo com o órgão eleitoral peruano, 5.752 atas foram enviados aos Júris Eleitorais Especiais (JEE) devido a erros ou omissões no momento do registro dos votos. O Jurado Nacional de Eleições (JNE) apresentou uma denúncia criminal, enquanto a Controladoria e até mesmo o Congresso iniciaram ações de fiscalização, convocando as autoridades eleitorais. As denúncias levaram Piero Corvetto, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru, à renúncia.
Quando do fechamento desta edição a apuração já havia ultrapassado 94% dos votos. Em primeiro lugar está Keiko Fujimori (Força Popular), com 17% dos votos válidos. Em seguida vem o candidato de esquerda, Roberto Sánchez (Juntos pelo Peru), com 12%, e bem próximo dele Rafael López Aliaga (Renovação Popular), com 11,9%. A diferença entre os dois gira em torno de treze mil votos.




