Política

Justiça manda prender Milton Leite com base em falas de terceiros

Ex-presidente da Câmara de São Paulo foi preso temporariamente em investigação sobre empresas de ônibus; político nega qualquer vínculo com o PCC

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite apresentou-se à polícia em Mogi das Cruzes, na sexta-feira (18), e foi preso por ordem da Justiça. O mandado de prisão temporária, com duração de 30 dias, integra uma investigação sobre supostas ligações entre empresas de ônibus e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Leite era procurado desde a quinta-feira (17), quando policiais não o encontraram em sua residência. O ex-vereador havia informado que se apresentaria e negou as acusações. “Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida”, declarou. Ele também afirmou que sua relação com o setor de transportes foi institucional e que não é dono da Transwolff.

O fundamento divulgado para a prisão é extremamente frágil. O pedido contra Milton Leite baseou-se em duas conversas de terceiros nas quais seu nome foi citado. A simples menção de uma pessoa em conversas alheias, sem prova direta de participação em crime, não deveria bastar para retirar sua liberdade.

A operação, batizada de Vectura Corrupta, foi conduzida pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Ao todo, 16 pessoas foram alvo de ordens de prisão, e agentes cumpriram mandados de busca em 18 endereços de cidades paulistas. A investigação sustenta que empresas contratadas para operar linhas de ônibus passaram ao controle de pessoas ligadas à organização criminosa.

Em Sorocaba, policiais encontraram cerca de R$ 740 mil em espécie, parte em dólares, no imóvel de um assessor ligado a Leite. O dinheiro não foi apreendido na casa do ex-vereador, que também não estava no local. Mesmo assim, a quantia foi usada no noticiário para associá-lo ao crime. Essa ligação ainda precisa ser provada.

Cabe às autoridades apurar os contratos, o destino do dinheiro e eventuais responsabilidades individuais, respeitando a presunção de inocência. A acusação deve provar o crime; o investigado não tem de provar que as falas de terceiros são falsas.

O crescimento de organizações como o PCC é inseparável da proibição das drogas. O mercado clandestino fornece lucros extraordinários, financia a compra de armas e permite a infiltração em negócios legais e no aparelho estatal. A principal forma de atingir essa fonte de poder é legalizar todas as drogas, retirar o comércio da clandestinidade e submetê-lo ao controle público.

A guerra às drogas preserva o negócio que diz combater e fornece ao Estado uma justificativa permanente para operações espetaculares e prisões sem provas suficientes. No caso de Milton Leite, a Justiça impôs 30 dias de cárcere sem apresentar qualquer prova direta de ligação entre o político e a organização investigada. A prisão temporária não pode servir como punição antecipada nem como meio de arrancar depoimentos.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.