Líbano

‘Israel’ assassina outra jornalista; Hesbolá continua operações

Jornalista Amal Khalil, do Al-Akhbar, foi assassinada no sul do Líbano durante trégua de 10 dias; resistência respondeu a agressões contra civis

A jornalista Amal Khalil, correspondente do jornal libanês Al-Akhbar, foi sepultada nesta quinta-feira (23) em Baisariyeh, sua cidade natal, no distrito de Saida, no sul do Líbano, após ser assassinada por “Israel” no dia 22 de abril, na cidade de al-Tiri. O crime ocorreu durante a trégua de 10 dias em vigor.

Conhecida como “Correspondente do Sul”, Amal Khalil cobria há anos as agressões israelenses contra as aldeias da fronteira. A jornalista foi perseguida pela ocupação até ser assassinada. Na quarta-feira (22), às 14h45, um VANT israelense bombardeou um veículo civil que seguia à frente de Khalil e de sua colega, a jornalista Zeinab Faraj. As duas se abrigaram próximo a uma árvore, enquanto eram feitos contatos com a Cruz Vermelha e com a inteligência do Exército libanês.

Às 14h50, Amal Khalil telefonou a colegas e informou que estava se escondendo do bombardeio. Por volta das 16 horas, um segundo VANT atingiu diretamente o carro das jornalistas. As duas, então, buscaram abrigo dentro de uma casa próxima, ainda à espera da Cruz Vermelha, impedida de entrar na área pela ocupação israelense.

Às 16h27, aviões israelenses bombardearam a casa. O contato com Amal Khalil foi perdido nesse momento. A Cruz Vermelha recebeu autorização para se deslocar apenas 10 minutos depois do ataque, após horas de espera. Quando as ambulâncias chegaram, as forças israelenses abriram fogo contra elas e lançaram uma granada de efeito moral contra um veículo da Cruz Vermelha, impedindo o socorro.

Zeinab Faraj, ferida, e os corpos de dois mártires foram levados ao Hospital Governamental de Tebnine. Equipes de resgate trabalharam para localizar Amal Khalil sob os escombros. Faraj confirmou que a jornalista estava na casa pouco antes do ataque. Fontes da Defesa Civil localizaram seu corpo no andar térreo do imóvel destruído. Depois, foi confirmada sua morte.

O funeral de Amal Khalil reuniu moradores, jornalistas e autoridades libanesas. Os participantes carregaram o caixão pelas ruas de Baisariyeh, denunciando o assassinato cometido pela ocupação israelense e homenageando o trabalho da correspondente. O presidente libanês Joseph Aoun e o presidente do Parlamento, Nabih Berri, enviaram condolências. O Hesbolá, o movimento Amal e outras organizações também condenaram o crime.

O Hesbolá classificou o assassinato de Amal Khalil como “um crime hediondo e traiçoeiro” cometido pela máquina de guerra israelense contra a imprensa nacional livre. Segundo a organização, o ataque mostra a tentativa da entidade sionista de calar os jornalistas que denunciam seus crimes no Líbano.

Na íntegra, a nota do Departamento de Relações de Imprensa do Hesbolá diz:

“O Departamento de Relações de Imprensa do Hesbolá condena veementemente o crime hediondo e traiçoeiro mais uma vez perpetrado pelo inimigo israelense contra a imprensa nacional livre, tendo como alvo nossa colega Amal Khalil, corajosa correspondente de campo do jornal Al-Akhbar.

Khalil, cuja firmeza e resistência foram testemunhadas em todo o solo do Sul — terra moldada pelos sacrifícios e pela dedicação de seu povo — juntou-se às fileiras dos heroicos mártires da imprensa enquanto cumpria seu dever jornalístico nacional de transmitir a verdade e expor os crimes israelenses.

O ataque deliberado contra a jornalista mártir Amal Khalil, filha do firme sul do Líbano e uma de suas vozes vivas, bem como o ferimento de sua colega, a jornalista Zeinab Faraj, e o impedimento das equipes médicas de alcançá-las depois que haviam se abrigado dentro de uma casa — antes de o inimigo proceder ao ataque direto contra ela — constitui um crime de guerra completo e documentado.

Ele confirma ainda o ódio profundo que essa entidade sionista nutre contra todo patriota libanês autêntico, independentemente de sua posição ou função. Também expõe suas tentativas desesperadas e inúteis de silenciar a voz livre e quebrar a vontade da imprensa nacional da resistência, que continua a revelar seus crimes e a desmascarar sua face brutal e criminosa.

Ao lamentarmos a colega mártir Amal Khalil, estendemos nossas mais profundas condolências à família do jornal Al-Akhbar — sua direção, seus funcionários e colegas —, bem como à comunidade jornalística libanesa, à sua honrada família e a todos os seus amigos e entes queridos. Também rezamos pela rápida recuperação da jornalista ferida Zeinab Faraj.

Afirmamos que o caminho da imprensa nacional livre continuará, com maior presença e firmeza, e que o terror do inimigo e sua barragem de fogo não conseguirão silenciar essa voz que fala pela verdade e pela liberdade.”

No mesmo dia, a Resistência Islâmica no Líbano anunciou novas operações contra posições israelenses. O Hesbolá afirmou ter atacado concentrações de soldados israelenses na cidade de al-Taybeh em resposta à agressão contra civis em al-Tiri, que resultou no assassinato de três pessoas, entre elas Amal Khalil, e deixou outros feridos.

A primeira operação ocorreu às 6 horas desta quinta-feira. Às 10 horas, a resistência voltou a atacar uma concentração de soldados israelenses em al-Taybeh, desta vez com um VANT de ataque unidirecional. Às 10h30, combatentes do Hesbolá atingiram e derrubaram um VANT de reconhecimento israelense sobre Majdal Zoun.

A ocupação israelense segue violando a trégua em vigor desde a madrugada entre quinta e sexta-feira. As forças israelenses realizaram ataques contra cidades do sul do Líbano, entre elas al-Khiam, Bint Jbeil, Aitaroun, Rsheif e Shamaa. Também foram registradas demolições em massa, incêndios de casas e bombardeios de artilharia contra diversas áreas.

Em Yahmar al-Shaqif, um ataque israelense com VANT assassinou duas pessoas e feriu outras duas, segundo o Ministério da Saúde do Líbano. Desde o início de março, a ocupação israelense assassinou ao menos oito jornalistas, entre eles Fatima Ftouni, da Al Mayadeen, e Ali Shoeib, da Al Manar. Desde outubro de 2023, mais de 270 jornalistas foram assassinados no Líbano e em Gaza.

Diante das sucessivas violações israelenses, o Hesbolá afirmou que mantém “as mãos no gatilho” e que responde às agressões cometidas pela ocupação israelense contra o Líbano.

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