Copa do Mundo

Irã pede a Fifa para mudar o local de seus jogos para o México

Há preocupações com a segurança da seleção, além do peso geopolítico de jogar as partidas no país que ataca militarmente o Irã

O governo do Irã solicitou à Fifa a transferência dos jogos da seleção nacional que seriam realizados nos Estados Unidos para o México no dia 17 de março. Há preocupações com a segurança da equipe, além do peso geopolítico de jogar as partidas no país que ataca militarmente o Irã. A decisão sobre a participação do país na Copa do Mundo dependerá da resposta da entidade.

O pedido foi confirmado pelo ministro dos Esportes iraniano, Ahmad Donyamali, que afirmou que a proposta ainda não recebeu retorno oficial. Segundo ele, caso a mudança seja aceita, a presença do Irã no torneio estará assegurada.

A seleção iraniana está programada para disputar partidas do Grupo G em cidades norte-americanas, enfrentando equipes como Nova Zelândia, Bélgica e Egito. No entanto, declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, levantaram dúvidas sobre as condições de segurança da seleção iraniana.

Trump afirmou que a equipe iraniana seria bem-vinda, mas mencionou que poderiam existir riscos para a “vida e segurança” dos jogadores. Posteriormente, indicou que eventuais ameaças não partiriam do governo dos EUA. Embora o presidente dos EUA tenha sido enigmático, a possibilidade de ação dos serviços de inteligência atentando contra a vida de jogadores é alta. “Israel” não deixou de fazer diversos atentados contra esportistas palestinos em diversas partes do mundo.

O caso de Ahmed Daraghmeh

Em 22 de dezembro de 2022, o atacante Ahmed Daraghmeh, de 23 anos, um dos destaques do Thaqafi Tulkarem na Liga Premier da Cisjordânia, foi morto durante uma operação militar “israelense” em Nablus. Artilheiro da equipe com seis gols na temporada, o jogador foi atingido por tiros em meio a confrontos armados, segundo relatos de médicos palestinos e da Associação de Futebol da Palestina, que classificou a morte como execução extrajudicial e pediu investigação à FIFA..

O caso de Muhannad Fadl al-Lili

No dia 3 de julho de 2025, o capitão do clube Khidmat al-Maghazi e jogador da seleção nacional palestina, Muhannad Fadl al-Lili, foi morto por um ataque aéreo israelense que destruiu a casa de sua família no campo de refugiados de Maghazi, em Gaza. A perda do atleta, que se destacava pela liderança dentro e fora de campo, elevou para pelo menos 265 o número de futebolistas palestinos mortos desde outubro de 2023, conforme dados oficiais da Associação de Futebol da Palestina. 

O caso de Suleiman al-Obeid

Em 6 de agosto de 2025, Suleiman al-Obeid, o ex-capitão da seleção palestina conhecido como o “Pelé palestino” por sua habilidade e carisma em 24 jogos oficiais, foi morto enquanto aguardava ajuda humanitária no sul de Gaza, em Khan Yunis ou Rafah. Testemunhas e a viúva do atleta, pai de cinco filhos, relataram que ele foi atingido por fogo israelense, possivelmente de um drone ou quadricóptero. O caso ganhou repercussão internacional, com críticas de craques como Mohamed Salah à postura neutra de entidades como a UEFA, e foi mais um símbolo da devastação que o conflito impôs ao futebol palestino, segundo a federação local.

Diante do histórico de assassinato de atletas por parte de “Israel”, o governo iraniano sustenta que o país-sede deve garantir segurança plena às delegações conforme regulamentos da Fifa. Diante do cenário atual, o Irã considera incerta a participação nos jogos em território norte-americano.

A Copa do Mundo será realizada entre 11 de junho e 19 de julho, com partidas distribuídas entre Estados Unidos, México e Canadá. A decisão sobre o pedido iraniano permanece em aberto, assim como a possibilidade de participação do país.

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