Guerra no Oriente Próximo

Irã continua combate contra Estados Unidos, que bombardeia usina nuclear

Forças iranianas atingem bases dos EUA no Cuaite, Jordânia e Barém

A guerra norte-americana contra o Irã atingiu uma usina nuclear em construção e serviços essenciais no sul do país. Em resposta, as forças iranianas atacaram bases, depósitos, radares e aeronaves dos Estados Unidos no Cuaite, na Jordânia e no Barém.

A Organização de Energia Atômica do Irã denunciou o bombardeio contra a usina nuclear de Darkhovin, que ainda se encontra em construção. A instalação está submetida ao Acordo de Salvaguardas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e integra o programa nuclear pacífico iraniano.

A organização classificou o ataque como “um crime flagrante contra o direito internacional” e afirmou que a agressão reforçará a determinação dos especialistas responsáveis pelo desenvolvimento da indústria nuclear iraniana.

A AIEA informou que apurava o ataque. Segundo a agência, a usina estava nas primeiras etapas da construção e não possuía material nuclear durante a última inspeção. Por isso, o bombardeio não provocou risco radiológico.

O ataque contra Darkhovin fez parte de uma nova série de bombardeios norte-americanos contra o sul do Irã. Pontes, portos, redes elétricas, estações de bombeamento de água e centros de comunicação também foram atingidos.

Bases norte-americanas no Cuaite

Nas fases 16 e 17 da Operação Saeqeh, o Exército iraniano lançou grandes quantidades de drones contra duas importantes bases dos Estados Unidos no Cuaite.

Os ataques atingiram o depósito de munições do Campo al-Udairi e os radares da Base Aérea Ali al-Salem. Novas operações alcançaram depósitos de equipamentos, alojamentos e outros setores da base aérea.

O Exército iraniano afirmou que os ataques foram realizados “em resposta às repetidas agressões do inimigo, ao martírio de nossos queridos compatriotas e aos ataques contra pontes, infraestrutura e áreas civis”.

O Campo al-Udairi fica a aproximadamente 104 quilômetros da fronteira iraniana e funciona como um dos principais centros de abastecimento e reorganização das tropas norte-americanas na região.

A Base Aérea Ali al-Salem é o principal ponto de transporte aéreo usado pelos Estados Unidos para enviar soldados e equipamentos à Ásia Ocidental. O Exército iraniano também atingiu prédios de comando, depósitos de munições e centros de comunicação ligados à base.

“Os ataques são realizados para defender a identidade autêntica e os milhares de anos de história do Irã, por um povo que não oprime e não aceita a opressão, de acordo com os ensinamentos islâmicos”, declarou o Exército.

Soldados mortos e aeronaves destruídas

Os ataques iranianos também provocaram baixas entre as tropas norte-americanas estacionadas na Jordânia.

O jornal The New York Times informou que dois soldados dos Estados Unidos morreram, um permanece desaparecido e dezenas ficaram feridos em quatro ataques realizados durante cinco dias.

O primeiro atingiu uma área residencial da Base Aérea Rei Faisal e feriu até cinco militares. O segundo alcançou uma base no leste da Jordânia, onde estavam helicópteros Black Hawk. Grande número das aeronaves foi danificado.

Mísseis iranianos atingiram depois a Base Aérea Muwaffaq Salti, em Azraque. Cerca de 20 soldados ficaram feridos enquanto tentavam alcançar os abrigos.

A mesma base voltou a ser atacada na sexta-feira. Dois militares norte-americanos morreram, quatro ficaram feridos e um desapareceu.

O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) anunciou posteriormente a 20ª onda da Operação Nasr 2. Mísseis e drones atingiram os abrigos de aviões e a área de estacionamento da base de Azraque.

Segundo o CGRI, dois caças e três outras aeronaves norte-americanas foram destruídos. Vários aparelhos também sofreram danos graves.

Em comunicado dirigido ao povo e às forças armadas da Jordânia, o CGRI afirmou que os Estados Unidos procuram esconder suas derrotas militares com ataques contra hospitais, pontes, ferrovias, portos, aeroportos e outras instalações civis.

O órgão iraniano conclamou os jordanianos a expulsarem as tropas norte-americanas de seu território.

Ataques no Barém e no Cuaite

O CGRI também realizou operações contra posições norte-americanas no Cuaite e no Barém durante as ondas 18 e 19 da Operação Nasr 2.

As forças navais atingiram um cais usado para abastecer a frota dos Estados Unidos no porto de al-Ahmadi, no Cuaite, e uma concentração de aviões de combate na Base Aérea Xeique Issa, no Barém.

O CGRI destruiu ainda o centro norte-americano de inteligência de dados Batelco, no Barém, e um centro de sinais e telecomunicações no Cuaite.

As forças terrestres destruíram um radar da Base Aérea Ali al-Salem, atingiram um centro de apoio às tropas em Arifjan e atacaram um galpão de manutenção de armamentos e um hangar de drones. Militares norte-americanos morreram no ataque a Arifjan.

“O regime norte-americano traiçoeiro retomou oficialmente uma guerra que nunca havia encerrado”, declarou o CGRI.

Segundo o comunicado, após vários dias de combate e de pesadas perdas, os Estados Unidos passaram a evitar o enfrentamento direto e intensificaram os bombardeios contra instalações civis.

O CGRI advertiu os países que abrigam bases norte-americanas para que ativem seus sistemas de defesa civil e mantenham a população afastada dessas posições militares.

Ataques contra água e energia

Uma fonte militar iraniana informou que usinas elétricas e estações de dessalinização do Cuaite foram incluídas na lista de alvos das forças armadas.

A medida faz parte de um plano de resposta aos bombardeios norte-americanos contra os serviços básicos do Irã.

“Não esperaremos mais que o inimigo amplie os ataques contra nossa infraestrutura vital”, afirmou a fonte. “Começamos a aplicar um plano por etapas, que terminará com a destruição de toda a infraestrutura regional de energia e purificação de água, caso a agressão dos Estados Unidos contra o Irã não pare imediatamente”.

Os Estados Unidos atacaram instalações elétricas e estações de bombeamento na região do porto de Jasc, na província de Hormozgan. O abastecimento de água foi interrompido em várias localidades.

Mísseis atingiram a rede elétrica e as bombas de dessalinização do cais da aldeia de Bunji, prejudicando o fornecimento de água potável para aldeias da parte ocidental do condado de Jasc.

Três pontes também foram bombardeadas. Entre elas estavam uma ponte próxima à cidade de Minab e a ponte sobre o rio Xur, na estrada que liga Bandar Abbas a Sirjan.

O túnel Xahid Mirzaei, em Bandar Abbas, foi fechado nos dois sentidos. Quatro centros da rede de comunicações de Hormozgan sofreram danos.

Na província de Buxer, uma região do condado de Dashti também foi atacada. Não houve vítimas. O bombardeio norte-americano mais recente atingiu o porto de Sirik durante a noite entre sábado e domingo.

‘A assinatura do presidente dos EUA não tem valor’

O líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Mojtaba Khamenei, afirmou que as sucessivas violações do Memorando de Entendimento de Islamabad demonstraram que a assinatura do presidente norte-americano “é absolutamente inútil e carece de qualquer validade”.

O acordo foi assinado em 17 de junho para encerrar as hostilidades. Na semana passada, os Estados Unidos retomaram os ataques contra o Irã e romperam novamente o entendimento.

“Hoje, o Grande Satã voltou a revelar seu verdadeiro rosto, sem máscara, para que esta sombria experiência de crime e perfídia constitua outra prova contundente da falsidade, da falta de confiança e da vileza dos Estados Unidos”, declarou Khamenei.

O líder iraniano afirmou que o povo do país e a Frente da Resistência têm “lições inesquecíveis” preparadas para os Estados Unidos. Também destacou a resistência das forças armadas e da população do sul do Irã, região mais atingida pelos ataques.

Jamenei defendeu a unidade nacional diante da guerra e afirmou que nenhuma divergência interna deve transmitir aos Estados Unidos qualquer sinal de fraqueza.

O aiatolá também elogiou a participação de dezenas de milhões de pessoas nas cerimônias fúnebres do líder mártir Saied Ali Khamenei, realizadas em Teerã, Qom, Mashad e outras cidades.

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