O governo dos EUA bloqueou a emissão de certificados de segurança para os endereços eletrônicos da agência iraniana Fars. A censura faz com que os navegadores apresentem advertências aos visitantes e, em alguns casos, impeçam o acesso ao sítio.
A agência denunciou a medida na sexta-feira (17). Suas publicações também foram retiradas dos resultados apresentados pelo Google, o que dificulta o acesso dos leitores ao conteúdo produzido por uma das principais agências de notícias do Irã.
Empresas como Let’s Encrypt, DigiCert e Sectigo, responsáveis pela emissão dos certificados SSL, recusaram os pedidos apresentados pela Fars. As negativas foram justificadas pelas sanções impostas pelo governo norte-americano.
Os certificados garantem a comunicação protegida entre o navegador e o servidor de uma página. Sem eles, um bloqueio político promovido pelos EUA aparece ao usuário como se fosse um problema de segurança do sítio iraniano.
A perseguição contra a Fars ocorre há vários anos. Em 2020, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos EUA tomou o domínio internacional da agência, terminado em “.com”.
Em setembro de 2023, o governo norte-americano incluiu a Fars e seu diretor-executivo na lista de pessoas e organizações submetidas a sanções. A União Europeia e o Canadá adotaram medidas semelhantes.
A conta da agência no Instagram, que possuía quase três milhões de seguidores, também foi retirada da rede social. Segundo o Centro de Coordenação e Resposta a Emergências Informáticas do Irã, a Fars é ainda o principal alvo de ataques cibernéticos dirigidos contra a estrutura de comunicações do país.
Enquanto censura publicações iranianas, o imperialismo financia grandes operações de propaganda favoráveis a “Israel”. Uma investigação da revista norte-americana Time revelou que o Estado sionista paga US$1,5 milhão por mês à empresa Clock Tower X, pertencente a Brad Parscale, antigo dirigente da campanha eleitoral de Donald Trump.
A empresa contrata influenciadores, coordena mensagens em grupos privados e mantém páginas destinadas a interferir nas respostas dadas por programas de inteligência artificial sobre “Israel”. A campanha tem como alvo principal os jovens conservadores dos EUA.
Autoridades norte-americanas avaliam que parte da operação se voltou contra o próprio Trump. Influenciadores pagos por “Israel” atacaram o acordo de cessar-fogo firmado com o Irã, posteriormente rompido.
Em maio, o governo israelense destinou aproximadamente US$730 milhões à propaganda para 2026, mais de quatro vezes o valor reservado no ano anterior. O aumento ocorreu quando pesquisas indicavam que 60% dos norte-americanos possuíam uma opinião desfavorável sobre “Israel”.
O chamado “Domo de Ferro Digital” israelense reúne denúncias coordenadas para retirar publicações do ar, compra de anúncios, contratos com influenciadores e campanhas dirigidas por programas de inteligência artificial.




