Os Estados Unidos realizaram nesta segunda-feira (20) a nona noite consecutiva de bombardeios contra o Irã. O Comando Central norte-americano (CENTCOM) confirmou a nova ofensiva e declarou que pretende reduzir as capacidades militares iranianas e prejudicar o controle do país sobre o Estreito de Ormuz.
Nas últimas 24 horas, os bombardeios atingiram Abadã, na província do Cuzistão, e os portos de Mahxar e Imã Khomeini. As defesas antiaéreas foram acionadas em Konarak, na província do Sistão e Baluchistão.
Também foram atacadas Tabriz e Chabahar. Segundo o correspondente da rede libanesa Al Mayadeen em Teerã, os Estados Unidos bombardearam oito cidades iranianas em poucos minutos.
Explosões foram registradas em Buxer e no porto de Jasque. Oito projéteis caíram nos portos de Chabahar e Katark, enquanto outros dois atingiram um local em Buxer. A televisão iraniana informou que três explosões foram ouvidas em Tabriz.
O porto de Sirik, atingido em dias anteriores, voltou a ser bombardeado. Segundo a televisão estatal, os Estados Unidos procuraram danificar instalações utilizadas pelo Irã para vigiar o Estreito de Ormuz.
A ofensiva ocorre em meio ao aumento da presença militar norte-americana na região, às operações de represália do Irã e às mortes de soldados dos Estados Unidos em bases instaladas nos países vizinhos.
Aviões atingidos na Jordânia
A Força Aeroespacial do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) lançou mísseis balísticos contra aeronaves militares dos Estados Unidos estacionadas no Aeroporto de Ácaba, na Jordânia. A ação integrou a 21ª onda das operações iranianas de represália.
Segundo o CGRI, aviões de transporte militar C-17 e aeronaves Boeing P-8 Poseidon, empregadas em missões de reconhecimento e vigilância, foram atingidos. Vários aparelhos sofreram “danos pesados”.
Ácaba é o segundo maior aeroporto internacional comercial da Jordânia, mas também funciona como instalação civil e militar. Aeronaves norte-americanas permanecem estacionadas no local, situado perto do Mar Vermelho e da fronteira sul jordaniana.
Sua posição permite que o aeroporto seja utilizado como centro de transporte e abastecimento para as operações dos Estados Unidos na região.
No comunicado, o CGRI agradeceu “ao honrado povo e aos dedicados integrantes das Forças Armadas jordanianas” pelo fornecimento de dados que permitiram localizar os aviões.
A força iraniana também afirmou que operações anteriores destruíram 20 hangares utilizados pelos Estados Unidos na área militar de Azraque, na Jordânia. Dezenas de soldados norte-americanos foram mortos, segundo a declaração.
Petroleiros atingidos em Ormuz
Dois petroleiros foram atingidos por explosões ao tentar atravessar a rota sul do Estreito de Ormuz. As embarcações tiveram de interromper a viagem.
O CGRI informou que os navios procuravam entrar e sair do estreito “sob a instigação e a pressão” das forças norte-americanas. A rota tinha sido declarada insegura e sujeita a acidentes, mas os petroleiros desrespeitaram as advertências emitidas pelo Irã.
Não foram divulgados os nomes das embarcações, a causa das explosões ou a existência de mortos e feridos.
O Irã determinou o fechamento do Estreito de Ormuz “até segunda ordem” após a intensificação da ofensiva dos Estados Unidos. O CGRI declarou que a intervenção de forças estrangeiras na passagem não possui fundamento legal e que a segurança do local está diretamente ligada à defesa do território iraniano.
“Enquanto continuarem os atos de agressão dos Estados Unidos na região, esta passagem não será segura para o transporte de uma única gota de petróleo ou gás”, afirmou o comunicado.
Veículos iranianos informaram ainda que mísseis foram lançados contra embarcações que desrespeitaram as restrições de navegação nas proximidades da costa dos Emirados Árabes Unidos.
Defesa iraniana derruba drones
A rede integrada de defesa antiaérea do Irã interceptou vários aparelhos e projéteis empregados na ofensiva dos Estados Unidos.
No oeste do país, a Defesa Antiaérea do Exército derrubou um drone MQ-9 Reaper. Pouco depois, um míssil de cruzeiro norte-americano foi localizado e destruído na mesma região.
No sul, as forças navais iranianas abateram um drone LUCAS com sistemas antiaéreos ligados ao comando nacional. A Força Aeroespacial do CGRI também derrubou outro MQ-9 sobre Auvaz, no sudoeste do país, utilizando um novo sistema de defesa.
As Forças Armadas iranianas afirmaram que seus sistemas antiaéreos acumularam um amplo histórico de interceptações durante a guerra atual e nos confrontos anteriores com os Estados Unidos.
Combatentes da 48ª Brigada Fath, na província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, também obrigaram um drone de espionagem a pousar durante uma missão de reconhecimento sobre as áreas operacionais do sul. O aparelho foi capturado intacto.




