A agência de inteligência da Holanda apontou a Rússia e a China como principais ameaças à segurança nacional do país na quinta-feira (23). Segundo relatório anual divulgado pela inteligência holandesa, o ambiente internacional tornou-se mais instável e imprevisível, elevando os riscos para a Europa. A diretora do Serviço Geral de Inteligência e Segurança da Holanda, Simone Smit, afirmou que nos 80 anos de existência do órgão, nunca houve nível de ameaça semelhante ao atual, com, segundo ela, pressões simultâneas sobre a segurança nacional por período tão prolongado.
A Rússia foi identificada como ameaça imediata. O documento da inteligência holandesa afirma que a Rússia está intensificando ataques cibernéticos e “operações híbridas” contra a Europa para desestabilizar sociedades e infraestruturas críticas. Não há, no entanto, nenhuma prova disso. Ainda segundo a inteligência holandesa, “a ameaça russa não mostra sinais de diminuição”, mesmo diante da possibilidade de cessar-fogo na guerra contra a Ucrânia, o que mostra que, na verdade, a OTAN não pretende deixar de ameaçar a Rússia mesmo que seja derrotada na Ucrânia. Sem provas, a inteligência holandesa acusa hackers russos de realizarem, no ano passado, o primeiro ataque de sabotagem cibernética contra serviço público holandês, com intenção de assumir controle do sistema.
A China foi citada como ameaça estratégica de longo prazo, especialmente no campo econômico e tecnológico. Segundo a inteligência holandesa, Pequim segue tentando obter de forma ilegal conhecimento tecnológico avançado e ampliar sua influência internacional para “remodelar a ordem global” segundo seus próprios interesses. O documento afirma que esse risco se aprofundou ao longo de 2025. A capacidade cibernética chinesa também é ponto de preocupação para a inteligência holandesa, com relatório separado avaliando que a China já alcançou os Estados Unidos em capacidades ofensivas no campo digital.
A Holanda, apesar do tamanho reduzido, é considerada estrategicamente importante para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) devido à localização no Mar do Norte e à infraestrutura do porto de Roterdã, o maior da Europa. O governo holandês anunciou recentemente investimento de 3,5 bilhões de euros para apoiar a Ucrânia nos próximos dois anos, demonstrando alinhamento com a política de agressão contra a Rússia.





