Os serviços de segurança do Iêmen frustraram um plano atribuído à inteligência da Arábia Saudita para atacar mercados e mesquitas de Saná, capital do país. A operação previa a explosão de motocicletas carregadas com bombas e a utilização de suicidas em locais frequentados pela população civil.
Hizam al-Asad, integrante do birô político do movimento Ansar Alá, informou nesta terça-feira (22) que os envolvidos foram presos antes de executar os atentados. Segundo o dirigente, todos mantinham vínculos com os serviços secretos sauditas.
“Os serviços de segurança, graças a Deus Todo-Poderoso e à colaboração dos cidadãos, conseguiram frustrar uma operação terrorista na qual o regime inimigo saudita pretendia detonar motocicletas carregadas de explosivos e utilizar suicidas para atacar alguns mercados e mesquitas na capital do Iêmen, Saná”, declarou al-Asad.
O brigadeiro Iahia Saré, porta-voz das Forças Armadas iemenitas, já havia acusado a Arábia Saudita de preparar explosões contra civis na capital. Sari advertiu que as forças do país continuarão respondendo a qualquer nova escalada promovida pela monarquia saudita.
Mercados e mesquitas na mira
Mercados e mesquitas foram escolhidos justamente porque concentram grande número de pessoas. Não havia nenhum objetivo militar. As bombas deveriam matar trabalhadores, comerciantes, idosos e crianças e espalhar o pânico em Saná.
São métodos tipicamente sionistas e terroristas. A população civil é transformada deliberadamente em alvo, enquanto atentados clandestinos procuram criar medo, desorganização e conflitos internos. É a mesma política aplicada por “Israel” na Palestina, com massacres, assassinatos e ataques contra hospitais, escolas, mesquitas e áreas residenciais.
A monarquia saudita atua como instrumento regional do imperialismo norte-americano e do sionismo. A Arábia Saudita ataca o Iêmen há anos com armamentos fornecidos pelas potências imperialistas e mantém um bloqueio terrestre, marítimo e aéreo destinado a sufocar toda a população. Derrotada em seus objetivos militares, procura agora desorganizar o país com células clandestinas e atentados contra civis.
Abed al-Thaur, analista militar iemenita, afirmou que os planos apoiados pela Arábia Saudita utilizavam integrantes do Estado Islâmico e da Alcaida. As células teriam recebido a tarefa de realizar explosões, assassinatos e ataques contra a população para quebrar a estabilidade da capital.
O emprego de grupos armados faz parte da política saudita. As monarquias do Golfo, os Estados Unidos e “Israel” recorrem a esses grupos para atacar governos e movimentos que resistem ao imperialismo. Quando deixam de ser úteis, são apresentados como inimigos; quando servem aos interesses do grande capital, recebem dinheiro, armas e proteção.
O povo impediu o atentado
Hizam al-Asad deixou claro que a célula foi descoberta com a colaboração dos cidadãos. A inteligência saudita não foi derrotada apenas pelo trabalho dos órgãos de segurança. Moradores ajudaram a identificar os envolvidos antes que as bombas fossem detonadas.
A revolução iemenita sobrevive porque conta com o apoio do povo. Sua resistência heroica não é obra de um pequeno grupo militar isolado, mas de milhões de pessoas dispostas a defender a independência do país. Depois de mais de uma década de bombardeios, fome imposta, bloqueio e destruição da infraestrutura, o Iêmen continua de pé.
A revolução reorganizou o Estado, formou forças armadas capazes de enfrentar a coalizão saudita e ligou a defesa do país à mobilização dos trabalhadores e camponeses. Sem essa base social, o Iêmen não teria resistido por tantos anos ao cerco nem identificado agentes inimigos no interior de Saná.




