O Hamas confirmou neste sábado (16) o martírio de Ezzeddin al-Haddad, conhecido como Abu Suhaib, chefe do Estado-Maior das Brigadas Al-Qassam, braço armado do partido palestino. Al-Haddad foi assassinado em um ataque de “Israel” contra a região de Al-Rimal, na Cidade de Gaza, na sexta-feira (15), ao lado de sua esposa, sua filha e outros palestinos.
Em comunicado, as Brigadas Al-Qassam classificaram o ataque como um “assassinato covarde” e afirmaram que a operação violou o acordo de cessar-fogo firmado em Xarm el-Xeique. O comunicado declarou ainda que o assassinato de um de seus principais comandantes aumenta a disposição da resistência palestina de continuar enfrentando a ocupação.
Fontes da resistência palestina haviam informado à Al Mayadeen, ainda na sexta-feira, que al-Haddad havia sido assassinado em um ataque sionista contra a Faixa de Gaza. Netaniahu e o ministro da Defesa de “Israel”, Israel Katz, também haviam declarado que as forças sionistas tinham assassinado al-Haddad, a quem chamaram de um dos responsáveis pela operação de 7 de outubro de 2023.
O ataque atingiu uma área residencial no bairro de Al-Rimal, a oeste da Cidade de Gaza. Fontes locais informaram que “Israel” bombardeou um prédio residencial, provocando grande destruição. Serviços de emergência de Gaza registraram ao menos sete assassinados e mais de 50 feridos levados ao Hospital Al-Xifa. Outras informações apontaram oito assassinados e mais de 40 feridos.
Segundo fontes médicas ouvidas pela Al Jazeera, três palestinos foram assassinados em um ataque contra um veículo civil e outros quatro em um ataque contra um prédio. Entre os assassinados estavam três mulheres e um bebê. O correspondente Ibrahim Al Khalili informou que o bombardeio provocou pânico no local, com dezenas de palestinos obrigados a fugir de um incêndio que atingiu o edifício residencial.
O Hamas afirmou que o assassinato de al-Haddad é mais uma violação do cessar-fogo em Gaza e parte da agressão permanente contra civis no território palestino. No comunicado, o partido declarou que a ofensiva revela “a natureza criminosa e fascista” de “Israel” e seu desprezo por leis e convenções internacionais.
Outras organizações da resistência palestina também prestaram homenagem ao comandante. O Movimento Mujahideen Palestino e sua ala militar, as Brigadas Mujahideen, afirmaram que al-Haddad teve uma longa trajetória de luta contra o inimigo sionista. Em comunicado conjunto, declararam que o “assassinato covarde” não enfraquece a determinação da resistência.
Ezzeddin al-Haddad nasceu em Gaza, em 1970, e ingressou no Hamas quando o partido foi fundado, nos anos 1980. Era chamado de “Fantasma da Faixa de Gaza” por atuar sob forte sigilo operacional. Ele assumiu a chefia militar das Brigadas Al-Qassam após o assassinato de Mohammad al-Sinwar, em 2025.
Durante a Operação Dilúvio de Al-Aqsa, al-Haddad teve participação no acompanhamento dos prisioneiros israelenses mantidos em Gaza. Prisioneiros libertados relataram a veículos israelenses que se encontraram com ele durante o período em que estiveram no território palestino. Segundo esses relatos, al-Haddad fazia questão de falar em hebraico e perguntava se precisavam de algo. Um deles afirmou que o comandante orientou combatentes da resistência a devolverem um livro que havia sido perdido.
“Israel” tentou assassinar al-Haddad seis vezes e chegou a oferecer uma recompensa de US$750.000 por informações sobre seu paradeiro. Após o ataque de sexta-feira, milhares de palestinos tomaram as ruas de Gaza nos cortejos fúnebres.
Confira, abaixo, a nota emitida pelas Brigadas Al-Qassam na íntegra:
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
“Entre os crentes há homens que foram fiéis ao pacto que firmaram com Deus; entre eles, alguns já cumpriram seu destino e outros aguardam, sem jamais terem mudado de atitude.”
Comunicado militar emitido por:
Brigadas do Mártir Ezzedin Al-Qassam
Com todos os sinais de honra, orgulho, firmeza e desafio, as Brigadas do Mártir Ezzedin Al-Qassam anunciam aos filhos do nosso povo, às massas da nossa nação e a todos os homens livres, o martírio de um dos seus mais destacados homens e grandes comandantes, dos pioneiros no caminho da jihad e da resistência à ocupação, que exauriram o inimigo e lhe ensinaram duras lições:
O mártir e grande comandante Ezzedin Al-Haddad “Abu Suhaib”
Chefe do Estado-Maior das Brigadas do Mártir Ezzedin Al-Qassam
Que ascendeu às alturas como mártir em uma covarde operação de assassinato executada pelo inimigo criminoso, que não respeita acordo nem pacto. Um crime que resultou em seu martírio, junto com sua esposa, sua filha e diversos filhos do nosso povo combatente, juntando-se assim o nosso comandante e sua esposa aos seus dois filhos mujahidin Suhaib e Mu’min, que tombaram durante a batalha do Dilúvio de Al-Aqsa avançando sem recuar. Pedimos a Deus que aceite todos os mártires do nosso povo e que conceda a cura aos nossos bravos feridos.
Era chegada a hora deste leão imbatível descansar, após décadas de jihad, resistência e perseguição aos inimigos, coroadas pelo seu papel destacado na travessia do glorioso 7 de Outubro, e pela sua liderança da batalha defensiva na Brigada de Gaza, cujos homens fizeram o inimigo provar amargas desgraças, como em todas as nossas brigadas combatentes, até chegar ao comando do Estado-Maior das Al-Qassam, sucedendo aos dois grandes mártires Mohammed Deif e Mohammed Sinwar, em uma fase de extrema sensibilidade e delicadeza, durante a qual conseguiu conduzir a batalha com total competência e alcançar conquistas importantes, coroadas pela libertação de centenas de prisioneiros das masmorras da ocupação.
O título de mártir é o título merecido que todo mujahid do nosso povo deseja, quanto mais os nossos comandantes, que dedicaram suas vidas a este caminho e buscaram o martírio em seus campos. Iludido está este inimigo criminoso se acredita que a partida dos grandes comandantes deterá a nossa marcha, pois a caravana de mártires do nosso povo não cessou há quase um século, e os inimigos não colheram com seus assassinatos senão a euforia momentânea, seguida pela decepção e a desonra, e novas gerações de heróis que carregam em seus corações o amor à pátria, o legado dos mártires e a determinação para vingá-los.
Os crimes contínuos da ocupação, dos quais o mais recente é o assassinato do grande comandante “Abu Suhaib”, são a melhor testemunha e prova da criminalidade deste inimigo, que viola os pactos e ultrapassa todos os limites, atirando ao vento todos os acordos, sem se importar com mediadores ou quem quer que seja. Mas este sangue puro não será derramado em vão, se Deus quiser, e ao comandante sucederão outros comandantes, e a marcha do nosso povo continuará até a libertação da terra e do homem, e a purificação de Al-Aqsa da impureza dos usurpadores. “E perguntam-te: quando se cumprirá? Dize: Talvez muito em breve.”
“E Deus prevalece em Seus desígnios, embora a maioria dos homens o ignore.”
E é, sem dúvida, jihad de vitória ou martírio,,,
Brigadas do Mártir Ezzedin Al-Qassam
Sábado, 29 de Dhu Al-Qa’da de 1447 H.
Correspondente a 16/5/2026
A ofensiva sionista contra Gaza continuou nas últimas 24 horas. O Ministério da Saúde de Gaza informou que hospitais do enclave receberam 13 corpos e 57 feridos no período, incluindo um palestino que morreu em decorrência de ferimentos provocados por ataque anterior. O ataque ao campo de refugiados de Halawa, em Jabalia, ocorreu apesar do chamado cessar-fogo.
Desde o início do cessar-fogo, em 10 de outubro de 2025, o Ministério da Saúde de Gaza registrou 870 palestinos assassinados e 2.543 feridos por ataques de “Israel”. Outro balanço citado por autoridades palestinas apontava 856 assassinados e mais de 2.140 feridos por violações sionistas.
Desde 7 de outubro de 2023, a ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza assassinou 72.757 palestinos e deixou 172.645 feridos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. Autoridades locais também afirmam que cerca de 90% da infraestrutura do território foi destruída pela guerra e pelo bloqueio imposto por “Israel”.




