O governo de Mato Grosso oficializou a militarização de 104 escolas estaduais. A medida foi formalizada pelo Decreto nº 1.889/2026, assinado pelo governador Mauro Mendes e republicado no Diário Oficial do Estado. Com isso, mais de uma centena de unidades da rede estadual deixam de operar sob a designação comum de escola estadual e passam a ser enquadradas como Escolas Estaduais Cívico-Militares.
A mudança amplia de maneira brusca a presença desse modelo direitista na educação pública mato-grossense. As escolas atingidas estão distribuídas por várias regiões do estado, incluindo municípios como Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Sinop e Cáceres. Em Várzea Grande, ao menos seis unidades foram convertidas. Em Cuiabá, dezenas de escolas também passaram pelo processo, consolidando uma expansão em larga escala da política educacional baseada na presença de militares no cotidiano escolar.
Segundo o decreto, o ensino regular permanece submetido às diretrizes curriculares nacionais e estaduais. O que muda é a gestão militar, com incorporação de práticas disciplinares e organizacionais executadas com participação de militares. Na prática, trata-se de um modelo em que os estudantes passam a conviver com forte repressão da Polícia Militar sob o pretexto de disciplina, ordem e melhoria do ambiente escolar.
Segundo o governo, a conversão foi fundamentada em manifestação técnica da Secretaria de Estado de Educação, que teria atestado a viabilidade administrativa, pedagógica e estrutural da mudança. A justificativa oficial fala em disciplina, gestão compartilhada e melhoria dos indicadores educacionais. Mas a aplicação concreta desse modelo mostra outra coisa: o uso de mecanismos policiais e militares para controlar a juventude dentro das escolas públicas, submetendo a vida estudantil à repressão do quartel.
O decreto entrou em vigor na data da publicação e determinou que a Secretaria de Educação do Estado do Mato Grosso (Seduc) adote as providências necessárias para efetivar a implementação nas 104 unidades. Isso significa que a expansão já está em curso e tende a produzir desdobramentos imediatos no funcionamento das escolas atingidas.





