Frederic Kachar deixou a chefia da Editora Globo nesta quinta-feira (15) após a divulgação de suas conversas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O executivo procurava o banqueiro para negociar patrocínios; o banqueiro o procurava para reclamar de reportagens de O Globo e do Valor Econômico.
Nas redes sociais, circula uma mensagem atribuída a Kachar: “Até o Netanyahu me retornou. E olha que sou libanês, rs!” A cobertura da Globo sobre a Palestina deixa muito claro que esse monopólio da imprensa capitalista é um porta-voz do sionismo no Brasil.
A Globo é um monopólio de comunicação a serviço dos banqueiros e do imperialismo. Na Palestina, o mesmo aparelho trabalha para a política externa do imperialismo. Desde 7 de outubro de 2023, as versões das forças de ocupação de “Israel” recebem tratamento de informação segura, enquanto as denúncias palestinas são submetidas a uma suspeita incessante.
Quando “Israel” justifica seus bombardeios, a explicação de seus porta-vozes entra no noticiário. Quando o Ministério da Saúde de Gaza conta os corpos retirados dos escombros, discute-se a confiabilidade dos números. A diferença de tratamento apresenta o Estado que massacra como fonte legítima e o povo massacrado como parte interessada, cuja palavra valeria menos.
Em dezembro de 2024, O Globo publicou um artigo de um integrante da organização sionista StandWithUs que atacava os números de mortos apresentados pelo Ministério da Saúde de Gaza. O autor lançava dúvidas sobre a contagem palestina e utilizava números fornecidos por “Israel” sobre combatentes. Em setembro de 2025, o jornal deu espaço a um porta-voz das forças de ocupação para negar o genocídio, depois de uma comissão internacional da ONU concluir que as autoridades e forças israelenses o cometiam. A propaganda escolhe quem terá a autoridade de interpretar os fatos.
Mais de 74 mil palestinos morreram em Gaza desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde local. O próprio exército israelense reconhece esses números, o que indica que há uma subcontagem. Bairros inteiros foram arrasados; o cerco, a fome e os ataques aos hospitais fazem desse crime um dos maiores da história contemporânea. A comparação com o Holocausto se impõe. Os sionistas, que se dizem representantes dos judeus, empregam contra os palestinos métodos com que os nazistas perseguiram o povo judeu.
Em 2023, quando sobreviventes brasileiros finalmente saíram de Gaza, a jovem Shahed Al-Banna contou que perdera familiares, amigas e a casa. A GloboNews, por sua vez, deu amplo espaço à Confederação Israelita do Brasil para atacar Lula depois que o presidente chamou “Israel” de Estado terrorista. Os sobreviventes tinham nomes e histórias; o porta-voz do sionismo ganhou a tribuna.
A Globo mente e distorce os acontecimentos na Palestina e no Oriente Próximo todos os dias. Faz isso com a tradição de um monopólio que manipulou parcela da opinião pública para que apoiasse as maiores barbaridades cometidas contra o povo brasileiro, como os golpes de 1964 e 2016.
O monopólio da Rede Globo deve ser cancelado. Sua concessão deve ser cassada. A comunicação deve estar nas mãos do povo, dos sindicatos, movimentos populares, associações de bairro e de categorias, universidades e dos próprios trabalhadores da imprensa. A família Marinho construiu sua fortuna a ponto de tornar-se a mais rica do País por décadas graças a todo o apoio da ditadura militar e à promiscuidade com o aparelho de Estado. A Globo tem relações umbilicais com o imperialismo americano, tendo sido criada a partir da TimeLife. É um monopólio ilegal que precisa acabar.





