A reeleição de Lula foi seguida imediatamente por uma ofensiva da burguesia para impor um novo ajuste fiscal. O dólar disparou, a Bolsa caiu e os jornais passaram a exigir medidas para conter os gastos públicos. O governo, por sua vez, já discute como atender às exigências dos capitalistas. O conteúdo exato do ajuste ainda não foi anunciado, mas sua orientação política está cada vez mais clara.
Nesta terça-feira (3), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende melhorar as contas públicas em dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB) durante o próximo mandato. Segundo ele, o ajuste será gradual e não prejudicará os compromissos assumidos na campanha eleitoral.
A promessa é uma evidente tentativa de esconder o que está sendo preparado. A burguesia exige cortes e o governo promete realizá-los sem prejudicar a população. Como isso seria possível? O Ministério da Fazenda não explicou. A Folha de S.Paulo já informou que está sendo preparada uma proposta de emenda à Constituição para permitir o congelamento de mais recursos do Orçamento.
Ao mesmo tempo, Durigan descartou a proposta do economista André Lara Resende de limitar os juros e modificar sua relação com a dívida pública. Ou seja, o governo admite restringir as despesas do Estado, mas não pretende enfrentar um dos principais responsáveis pelo crescimento da dívida: os juros pagos aos banqueiros.
A contradição é reveladora. Para satisfazer os capitalistas, o governo está disposto a discutir cortes no orçamento. Quando se trata de mexer nos rendimentos dos bancos, porém, a proposta é imediatamente rejeitada.
Não há motivo para esperar que Lula faça alguma coisa diferente. A burguesia está pressionando o governo, que deverá ceder e procurar disfarçar o ajuste fiscal. O problema não é apenas econômico, mas fundamentalmente político.
O PT saiu das eleições sem uma força popular organizada para enfrentar a burguesia. Sua campanha foi inteiramente subordinada à política de conquistar votos contra o suposto fascismo. Não apresentou aos trabalhadores um programa de luta por salários, empregos e direitos. Toda a mobilização foi dirigida para a vitória eleitoral de Lula.
Passada a eleição, o movimento desapareceu. Os atos convocados pela UNE no domingo reuniram um público insignificante diante das manifestações organizadas durante a campanha. A máquina eleitoral não se transformou em um movimento de massas capaz de enfrentar a direita.
Essa situação explica por que o governo do PT só pode ser um governo direitista. Lula procura governar por meio de acordos com os capitalistas, sem mobilizar os trabalhadores. Diante das exigências da burguesia, não dispõe de outra política senão fazer concessões.
O ajuste fiscal é a consequência dessa orientação. A questão não é saber como Lula apresentará os cortes, mas compreender que os trabalhadores serão chamados a pagar pela política econômica dos banqueiros.
É preciso rejeitar integralmente o ajuste fiscal. A única maneira de enfrentar a ofensiva da burguesia é mobilizar a classe operária em defesa de suas próprias reivindicações, independentemente do governo Lula. Sem essa mobilização, o quarto mandato do PT será mais uma oportunidade para os capitalistas aprofundarem seus ataques contra o povo brasileiro.





