Ayelet Kroizer trabalhou na unidade encarregada de falar em nome do exército de “Israel”. Nesta quarta-feira (4), a ex-militar contou que, durante seu serviço, informações repassadas à imprensa eram manipuladas e palestinos inocentes recebiam a classificação de “terroristas”. O objetivo, segundo ela, era apresentar as operações militares de maneira favorável ao exército.
Kroizer fez a declaração ao anunciar sua entrada na organização Breaking the Silence, que reúne testemunhos de pessoas que serviram nas forças israelenses. Ela descreveu duas tarefas da unidade: reforçar a confiança dos israelenses em seu exército e obter, no exterior, legitimidade para as operações em Gaza e na Cisjordânia. O direito do público de conhecer os fatos ficava, segundo seu relato, em segundo plano.
A ex-militar também contou como eram redigidos comunicados após ataques com dezenas de mortos. Ao informar as mortes, acrescentava automaticamente uma manifestação de pesar pelos civis atingidos. A frase de lamentação fazia parte do trabalho habitual, mesmo quando o ataque havia produzido uma grande quantidade de vítimas.
A denúncia vem de alguém que participou da fabricação desses comunicados. Quando o exército identifica uma pessoa morta como “terrorista”, sua versão passa a circular em jornais e declarações de governos antes que a família da vítima possa contestá-la. Kroizer afirma ter visto essa classificação ser aplicada a civis. Seu testemunho expõe o papel da propaganda na tentativa de justificar os crimes cometidos contra os palestinos. O Diário Causa Operária já havia publicado relatos de outros ex-soldados sobre ataques a civis e o uso de palestinos como escudos humanos.
Kroizer disse que se alistou acreditando que ajudaria a defender seu país. Ao deixar o serviço, escolheu divulgar o que viu e pediu a outros ex-militares que fizessem o mesmo. A diferença entre o que ocorreu nos territórios ocupados e o que foi anunciado ao público é precisamente o que o exército de “Israel” procura esconder.





