Presidente do PCO

Rui Costa Pimenta denuncia perseguição judicial e prevê agravamento da crise mundial

Dirigente participou de edição especial do Redcast, discutiu o caso Flávio Bolsonaro, o imperialismo e a possibilidade de uma situação revolucionária

O presidente nacional do Partido da Causa Operária (PCO), Rui Costa Pimenta, participou de uma edição especial do Redcast, apresentada por Junior Masters, ao lado de Monark e Rubão. O dirigente analisou a perseguição judicial a Flávio Bolsonaro, o imperialismo, as perspectivas revolucionárias e sua prisão na ditadura argentina.

O primeiro assunto foi a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. Rui defendeu a decisão e denunciou o caráter político das medidas adotadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Eu acho que o Flávio Bolsonaro tinha que sair. […] É um caso de perseguição. É ridículo. Eu vejo as pessoas falando: ‘Não, ele tem um caso criminal contra ele’. Bobagem. É pura perseguição política.”

Ele criticou os inquéritos sigilosos e o uso de declarações de familiares para justificar medidas contra adversários.

“Você tem um inimigo político, aí você abre um inquérito, né? Você fala que fulano disse tal coisa e, portanto, a pessoa tá investigada. É um inquérito político”, afirmou. Também denunciou pressões contra familiares, que relacionou à Lava Jato e a Moraes.

Isso não significa apoio eleitoral a Flávio. Ao comentar o voto de Rubão e Aldo Rebelo no candidato do PL, Rui explicou a posição do PCO.

“Eu não votaria, tanto que a gente propôs o voto nulo, mas eu entendo o ponto de vista. O pessoal não quer entender porque eles pensam assim: ‘O Lula é nacionalista, o Flávio Bolsonaro é entreguista’. Não é bem assim.”

“O PL é um partido burguês, ele não é nacionalista”, declarou. Também criticou os acordos de Lula com os Estados Unidos e a União Europeia, que considera incompatíveis com a soberania nacional.

Rui relata prisão durante a ditadura argentina

Um dos momentos centrais ocorreu quando Monark afirmou estar desiludido com a política e disposto a abandonar a atuação pública. Rui, que também enfrenta processos e investigações, respondeu: “Não, eu não sou descrente, não”.

Rui embrou que começou a militar sob as ditaduras latino-americanas.

“Quando eu comecei a militar, era ditadura e era ditadura em toda a América Latina. […] A gente pensava o seguinte: nós estamos nisso aqui, pode acontecer com a gente. Você pode ser pego aí, pode ser levado para um campo de concentração.”

Numa viagem à Argentina, no fim da ditadura, levava livros marxistas e documentos políticos. Em Paso de los Libres, foi retirado do ônibus por militares e detido por cerca de 24 horas.

Um Ford Falcon, veículo associado aos sequestros da ditadura, chegou para buscá-lo. Sob ameaça de arma, foi levado por ruas escuras. Um militar anunciou que viria de Buenos Aires um “especialista”.

“Eu perguntei para ele: ‘Especialista em quê?’. Aí ele olhou assim e falou: ‘Especialista, se você ficar doente, vem um médico que é um especialista. Para esses casos aqui, nós temos especialistas’.”

Rui interpretou a fala como ameaça de tortura. No quartel, homens à procura de outro preso conferiram seus documentos. Posteriormente, foi levado a um exame médico e liberado. Segundo contou, foi fichado na Interpol.

O relato serviu para contrapor ao pessimismo de Monark a experiência de quem militou sob o terror militar.

‘O mundo caminha […] para uma situação revolucionária’

Questionado sobre a possibilidade de revolução no Brasil, Rui rejeitou o argumento de que a população não teria disposição para uma ruptura porque deseja apenas trabalhar e melhorar de vida.

“Isso é o que todo mundo quer em todos os lugares. Então, mas isso nunca impediu que tivesse revolução de monte em tudo quanto é lugar.”

Rui diferenciou a revolução de seu desenvolvimento posterior. Apontou a Rússia de 1917 como referência comunista e explicou que a Revolução Cubana só radicalizou seu programa depois da queda de Batista, sob pressão norte-americana.

Também contestou a ideia de que toda revolução necessariamente persegue as pessoas por suas opiniões. Citou o recrutamento de antigos oficiais do Exército czarista para o Exército Vermelho, organizado por Trótski durante a guerra civil, como demonstração de que a luta revolucionária não implica eliminar todos os integrantes do regime anterior.

“Você pode achar que o povo brasileiro é o povo mais pacato do mundo, mais despolitizado, mas chega uma hora que a situação vai a um ponto tal que o negócio explode.”

Citou os protestos de estudantes e trabalhadores na França como sinal da crise política.

“Eu acho que o mundo caminha a passos relativamente grandes para uma situação revolucionária, porque os capitalistas estão perdendo o controle da situação. O caso da França não é uma revolução. O que tem na França não é uma revolução, mas é um sinal de que mais um pouco e o país vai entrar numa situação revolucionária.”

Para Rui, os Estados Unidos também estão à beira de uma “conflagração”. Donald Trump agravou a crise ao perseguir imigrantes e entrar em guerra contra o Irã após prometer encerrar as guerras.

“O problema é o seguinte: o imperialismo é um sistema econômico e político mundial. É uma ditadura. Eles controlam tudo. Você vê o Brasil. Brasil é uma colônia”, afirmou. Para ele, Rússia e China representam obstáculos a essa dominação. Rui definiu Trump como um “aventureiro”, que imaginou ser possível impor rapidamente uma derrota ao Irã, mas expôs os limites da força norte-americana.

Criticou também os petistas que comemoraram vitórias dos democratas nas eleições norte-americanas. “Não criem expectativas, senão você pode cair do cavalo”, advertiu.

Controle operário e inteligência artificial

Sobre o socialismo, Rui rejeitou a identificação do comunismo com o comando de uma burocracia. Na União Soviética, afirmou, essa camada retirou dos trabalhadores o controle do Estado.

“Uma das primeiras crises foi por causa disso: é que você precisa de uma grande participação da população para fazer esse planejamento. A burocracia não é capaz.”

Situou essa perda de controle por volta de 1923 e 1924. “Você precisa do povo para planejar, porque quem sabe qual é a necessidade social é o povo.”

Rui também valorizou as possibilidades da inteligência artificial. Disse que o PCO a utilizou para contar, nos boletins de urna públicos, os votos de uma chapa paulista cuja votação, segundo denunciou, foi anulada.

“A gente pegou a inteligência artificial e ela contou os votos nossos em todos os boletins de urna de São Paulo, que são públicos”, relatou. “Quer dizer, tá difícil de você ocultar informação.”

Ao contrário do pessimismo de outros participantes, Rui sustentou que o poder do imperialismo não é ilimitado e que a crise pode abrir caminho a novas explosões populares.

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