Gilmar Mendes defendeu que o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), formado pelos 11 ministros da Corte, analise a decisão de André Mendonça que afastou o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada, no processo relacionado ao escândalo do Banco Master.
A manifestação ocorreu depois de Mendonça formar maioria na Segunda Turma para manter os afastamentos. Luiz Fux e Nunes Marques acompanharam seu voto. Gilmar pediu vista apenas 11 segundos depois do início da votação e passou a sustentar que o caso deveria ser levado ao Plenário.
A súbita preocupação com a participação dos 11 ministros seria menos escandalosa se Gilmar não tivesse defendido exatamente o contrário quando Jair Bolsonaro estava sendo julgado.
Em 2025, discutia-se se a ação contra o ex-presidente deveria permanecer na Primeira Turma ou ser remetida ao Plenário. Bolsonaro enfrentava acusações que poderiam levá-lo — e efetivamente levaram — a décadas de prisão. Gilmar foi perguntado se um julgamento pelos 11 ministros teria maior legitimidade.
“Não mudaria nada”, respondeu.
Também declarou:
“Não vejo que isso se resolva com uma maior ou menor participação.”
Bolsonaro acabou condenado a 27 anos e três meses de prisão por apenas cinco ministros. Gilmar não viu qualquer problema nisso. Pelo contrário: compareceu à sessão da Primeira Turma, embora não integrasse o colegiado, criticou o voto absolutório de Fux e classificou o resultado como “bastante seguro”.
Agora, quando a Segunda Turma formou uma maioria inconveniente para seu comparsa Alexandre de Moraes em plena crise provocada pelo caso Master, Gilmar descobriu que cinco ministros não são suficientes.
Sua justificativa torna a fraude ainda mais evidente. Segundo ele, decisões que possam provocar “desequilíbrio da disputa político-eleitoral” deveriam ser apreciadas pelo Plenário.
Se existe caso em que uma decisão judicial teve consequências eleitorais evidentes, foi justamente o de Bolsonaro. Tratava-se do principal dirigente da direita nacional, ex-presidente da República e figura central da disputa política do País.
A decisão de Mendonça ocorre no centro da crise provocada pelo Banco Master. O escândalo envolvendo Daniel Vorcaro atingiu Alexandre de Moraes e abriu uma guerra cada vez mais explícita dentro do próprio Supremo. Mendonça tornou-se um dos principais adversários da panelinha de Moraes nessa disputa.
Enquanto as Turmas produziam os resultados desejados por esse setor do STF, Gilmar não tinha objeção alguma ao poder de cinco ministros. Serviram para condenar Bolsonaro, impor prisões, cassações e todo tipo de medida com consequências políticas nacionais.
Bastou uma Turma formar maioria contra os interesses do grupo dominante para surgir uma nova teoria jurídica: agora, questões politicamente importantes precisam passar pelos 11.





