A FIFA suspendeu a punição automática imposta ao atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos, e liberou o jogador para a partida desta segunda-feira (6) contra a Bélgica, pela fase de mata-mata da Copa do Mundo de 2026. A decisão foi tomada após o presidente norte-americano, Donald Trump, ter ligado para Gianni Infantino, presidente da entidade, segundo informou o jornal norte-americano The New York Times.
Balogun havia sido expulso aos 64 minutos da vitória dos EUA por 2 a 0 contra a Bósnia e Herzegovina, na quarta-feira (1º), nos 16-avos de final. Pela regra da competição, o cartão vermelho resultaria em suspensão automática de uma partida, o que tiraria o atacante do confronto contra os belgas, no Estádio de Seattle.
No domingo (5), porém, a FIFA anunciou que a aplicação da punição estava suspensa por um período probatório de um ano, com base no artigo 27 de seu código disciplinar. Com isso, Balogun, autor de três gols no torneio, ficou à disposição da seleção norte-americana.
Segundo o The New York Times, Trump telefonou para Infantino na quarta-feira e pediu que o caso fosse revisto. A Casa Branca não confirmou publicamente a ligação, mas encaminhou os jornalistas a uma publicação feita por Trump na rede Truth Social.
“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”, escreveu o presidente dos EUA no domingo.
Bélgica reage
A decisão provocou forte reação na Bélgica. A federação belga afirmou estar “surpresa” com a medida da FIFA e anunciou que avalia “todas as opções possíveis” antes da partida.
“A Real Federação Belga de Futebol está surpresa com a decisão da FIFA de declarar o jogador suspenso dos Estados Unidos Folarin Balogun apto a jogar”, disse a entidade. “Para salvaguardar os direitos legítimos de todas as equipes participantes e proteger os princípios fundamentais do fair play em nosso esporte, tanto nesta Copa do Mundo da FIFA quanto nas próximas edições do torneio, a federação está investigando todas as opções possíveis”.
O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, ironizou a decisão, comparando-a a uma brincadeira de 1º de abril.
“Eu não sabia que 5 de julho era igual a 1º de abril na FIFA”, disse Garcia em francês, durante a entrevista coletiva de domingo. “A federação não está defendendo a si própria; não está defendendo a seleção nacional; está defendendo o futebol em geral. Está defendendo sua integridade. Está defendendo sua ética”.
O goleiro Thibaut Courtois também comentou a decisão, embora tenha procurado deixar a resposta no terreno esportivo.
“Claro que isso surpreende um pouco, especialmente porque é na véspera do jogo. Se no dia seguinte ao jogo isso já estivesse decidido, você poderia se ajustar. Mas, como grupo de jogadores, temos que vencer o jogo em campo. Ele é um bom jogador, mas temos que vencer toda a América. Nós merecemos isso pelo nosso futebol e queremos vencer”, afirmou.
Pressão sobre a FIFA
A decisão da FIFA também foi criticada por Ståle Solbakken, técnico da Noruega. Segundo ele, a entidade abriu um precedente perigoso.
“É um grande erro da FIFA. Não é uma boa conclusão. Ele recebeu um cartão vermelho e o VAR concluiu que era cartão vermelho. Isso significa que você está suspenso por um jogo”, declarou. “O que é realmente ruim nessa situação é que, se os EUA vencerem a Bélgica, sempre haverá essa questão adicional. Os belgas ficarão furiosos. E o próximo cartão vermelho? O que acontece? Algum comitê vai retirá-lo? É uma decisão muito ruim, que vai prejudicar a Copa do Mundo e os Estados Unidos”.
A FIFA alegou que a decisão partiu de seu comitê disciplinar, formalmente independente, e que foi tomada com base no artigo 27 do código da entidade. A mesma regra havia sido usada anteriormente para permitir que Cristiano Ronaldo jogasse por Portugal após uma punição herdada das Eliminatórias.
A Copa do Mundo de 2026 é realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. Dos 16 estádios utilizados no torneio, 11 ficam em território norte-americano. A final está marcada para 19 de julho, no estádio MetLife, em Nova Jersey.





