A Secretaria Municipal de Habitação e Regularização Fundiária de Canoas informou que 3.059 casas e apartamentos ainda aguardam início de obras, em Canoas, na segunda-feira (1º), dois anos após a enchente. As moradias estão distribuídas em três residenciais que seguem em tramitação burocrática. A cidade ainda convive com famílias sem solução definitiva, obras em andamento e programas de compra de imóveis para atingidos.
A enchente que deixou casas submersas em Canoas continua presente na vida de quem perdeu tudo. Mesmo após dois anos, parte expressiva da resposta habitacional ainda está no papel. Os 3.059 imóveis que aguardam construção estão previstos nos residenciais Nazário, Olaria e Casapatio. A administração municipal afirma que todos os empreendimentos estão em processo de tramitação e que as obras devem começar nos próximos meses.
O Residencial Nazário, no bairro Guajuviras, prevê 807 unidades habitacionais. A assinatura da ordem de início de serviços estava prevista para maio, e a estimativa é de entrega em 18 meses após o começo das obras. No Residencial Olaria, no bairro de mesmo nome, estão previstos 752 apartamentos. O processo também segue em trâmites e a previsão para assinatura do início das obras é de 60 dias. Já o Residencial Casapatio, com 1,5 mil casas, deve começar em prazo maior, estimado em 90 dias, em área do novo bairro Nova Harmonia, atrás da Refinaria Alberto Pasqualini.
Os três empreendimentos tiveram contratação autorizada em 2025 e integram o programa Minha Casa, Minha Vida, administrado pelo Ministério das Cidades. O investimento federal previsto para eles é de R$ 611,8 milhões. O secretário Fabiano Siqueira afirmou que a questão habitacional depende de parcerias com recursos federais e estaduais, já que os municípios não têm capacidade financeira para bancar obras desse porte sozinhos.
Enquanto essas moradias não saem do papel, outros dois residenciais caminham para entrega. O Jacuí, no bairro Niterói, estava 55,39% concluído no fim de maio. O Quero-Quero, no bairro Rio Branco, alcançava 62,90% de execução. Cada um terá 200 apartamentos. A previsão da prefeitura é entregar o Quero-Quero em dezembro de 2026 e o Jacuí em janeiro seguinte. As 400 unidades têm investimento de R$ 70 milhões.
Ainda há famílias vivendo em casas temporárias. Quarenta famílias que antes estavam em centros humanitários seguem nas moradias provisórias do bairro Estância Velha. Para esse grupo, a prefeitura assinou em 7 de maio a ordem de início para 49 casas permanentes no loteamento Acadepol, no Guajuviras, em parceria com o governo estadual. O investimento é de R$ 8,6 milhões, com recursos estaduais, municipais e de emenda parlamentar, e a previsão de conclusão é dezembro de 2026.
Além da construção, a cidade terá de garantir infraestrutura nos novos bairros, com escolas, unidades de saúde, centros de assistência social e linhas de ônibus. A chegada de milhares de moradores exige planejamento para evitar que a moradia venha separada de serviços básicos. O programa Compra Assistida também atendeu 2.060 famílias em Canoas, das quais 1.650 já assinaram contratos e estão morando em novas casas. Mesmo assim, cerca de 700 famílias ainda recebem aluguel social. O balanço revela que a reconstrução habitacional é lenta e está longe de resolver o problema social deixado pela enchente.




