O porta-voz do Exército do Irã, brigadeiro-general Mohammad Akraminia, afirmou que, caso o presidente norte-americano Donald Trump imponha uma guerra ao país, a resposta iraniana atingirá diretamente as bases militares dos Estados Unidos espalhadas pela região, dos territórios palestinos ocupados às águas do Golfo. Segundo ele, qualquer escalada “não será limitada” e se estenderá por toda a Ásia Ocidental.
Em declaração à agência Holy Defense News Agency (DEFA), Akraminia disse que as Forças Armadas iranianas estão “preparadas para enfrentar qualquer cenário que o inimigo escolha”, acrescentando que o país está pronto para a guerra caso ela seja imposta. O militar afirmou ainda que Trump deve “escolher entre reconciliação ou guerra”, advertindo que um confronto teria alcance regional.
Sobre as instalações norte-americanas na região, o porta-voz declarou que “qualquer confronto incluirá toda a geografia da região, e todas as bases dos EUA, dos territórios ocupados às águas do Golfo”. Akraminia acrescentou que, para o Irã, alcançar essas bases seria “fácil”, afirmando que a própria dispersão das posições militares dos Estados Unidos aumenta sua vulnerabilidade. Segundo o porta-voz, a mensagem de Teerã é “clara e repetida” e o país responderá “com firmeza e seriedade” a qualquer agressão.
As declarações foram feitas em meio a novas ameaças norte-americanas contra o Irã e ao aumento das tensões na região. Autoridades iranianas vêm afirmando que qualquer ataque dos Estados Unidos receberá resposta imediata e pode desencadear uma guerra regional.
Preparação militar e unidade interna
Em comentários paralelos, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Irã, Mashaallah Shamsolvaezin, afirmou à emissora libanesa Al Mayadeen que o país está, no momento, mais preparado militarmente do que diplomaticamente. Ele disse que o “dedo está no gatilho” e que a opinião pública iraniana volta a caminhar para uma posição de unidade diante das ameaças.
Também em entrevista à Al Mayadeen, Saied Ali Ahmad Khomeini, neto de Saied Ruhollah Khomeini, declarou que os iranianos não aceitariam humilhação e que a população não teria medo, permanecendo firme na defesa do país e do que considera uma causa justa.
Negociações em Mascate
Enquanto as autoridades militares elevavam o tom, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou que negociações sobre o programa nuclear com Washington estão marcadas para ocorrer em Mascate, no Omã, com início previsto para perto de 10 horas da sexta-feira (6). Um representante dos Estados Unidos também confirmou a reunião, citado pela agência Reuters.
Em publicação na rede social X, Araghchi agradeceu ao governo omanense pelos preparativos do encontro.
Fontes ouvidas pela Al Mayadeen afirmaram que as negociações haviam sido dadas como canceladas após os EUA apresentarem novas condições e após uma disputa sobre o escopo das conversas. Segundo essas informações, o impasse dizia respeito ao conteúdo, e não ao local da reunião. Ainda de acordo com o relato, os Estados Unidos teriam recuado depois de tentar impor essa manobra.
Mísseis, mudança de doutrina e guerra de junho
Em outro pronunciamento, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, major-general Abdolrahim Mousavi, disse que o país fortaleceu seu poder de dissuasão ao aprimorar, em “todas as dimensões técnicas”, mísseis balísticos de fabricação nacional. Mousavi falou durante visita a uma “cidade de mísseis” da Guarda Revolucionária (CGRI), acompanhado do comandante da Força Aeroespacial do CGRI, brigadeiro-general Majid Mousavi.
O general declarou que o Irã está pronto para responder a qualquer ato de agressão e afirmou que, após a “guerra de 12 dias”, houve mudança de doutrina, de uma postura defensiva para uma orientação ofensiva, com ênfase em guerra assimétrica e em uma “resposta esmagadora” contra inimigos.
Mousavi se referiu ao ataque norte-americano-sionista contra o Irã em junho, que, segundo autoridades iranianas, deixou ao menos 1.064 mortos. “Israel” iniciou a agressão em 13 de junho enquanto o país mantinha negociações nucleares com os Estados Unidos, que entrou diretamente na ofensiva ao atacar instalações nucleares iranianas.
A resposta iraniana atingiu alvos estratégicos nos territórios palestinos ocupados e a base de Al-Udeid, a maior instalação militar dos Estados Unidos na Ásia Ocidental. Após os ataques, Teerã informou ter intensificado medidas para ampliar tanto capacidades defensivas quanto ofensivas.
Com novo deslocamento de forças aéreas e navais norte-americanas para a região e ameaças de ataque, a tensão voltou a crescer. Autoridades iranianas reiteraram que qualquer ação militar dos Estados Unidos provocará resposta imediata e pode espalhar o conflito por toda a região, ainda que governos vizinhos tenham intensificado iniciativas diplomáticas para evitar uma nova guerra.
Delegação parte para o Omã
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirmou que Araghchi viajou a Mascate à frente de uma delegação diplomática para conduzir negociações nucleares com os Estados Unidos com “autoridade” e com o objetivo de alcançar um entendimento “justo”, “honroso” e “mutuamente aceitável”, que proteja os interesses nacionais iranianos.
Baghaei mencionou “experiências amargas” de quebras de compromissos, a agressão militar de junho e intervenções estrangeiras em janeiro, afirmando que o Irã considera obrigação defender os direitos da nação. Ao mesmo tempo, disse haver responsabilidade de não perder oportunidades de usar a diplomacia para resguardar interesses do povo iraniano e preservar a paz e a estabilidade regionais. Ele também agradeceu a países vizinhos e da região que atuaram para viabilizar o processo e declarou esperar que os Estados Unidos participem com “responsabilidade, realismo e seriedade”.





