O Exército do Irã advertiu que abrirá “novas frentes” caso os Estados Unidos retomem a agressão militar contra o país. A declaração foi feita pelo brigadeiro-general Mohammad Akraminia, porta-voz do Exército iraniano, durante ato público na praça Valiasr, em Teerã, em meio a novas ameaças do presidente norte-americano Donald Trump.
“A República Islâmica do Irã não pode ser bloqueada nem derrotada”, afirmou Akraminia, segundo o departamento de relações públicas do Exército.
O militar declarou que, caso os EUA ataquem novamente o país, as Forças Armadas iranianas responderão com novos instrumentos militares.
“Se o inimigo cometer outra insensatez e cair de novo na armadilha dos sionistas, lançando outra agressão contra nosso querido Irã, abriremos novas frentes contra eles com novas ferramentas e métodos”, afirmou.
A declaração ocorre depois de Trump afirmar que havia adiado uma ofensiva militar contra o Irã. O presidente norte-americano disse que estava “a uma hora” de autorizar o ataque, mas decidiu postergar a operação. Em seguida, voltou a ameaçar o país persa, dizendo que uma nova ofensiva pode ocorrer em “dois ou três dias”, caso não haja um acordo nos termos exigidos pelos EUA.
O governo iraniano afirma que não aceitará nenhum acordo que mantenha o bloqueio naval contra seus portos, as sanções e a ameaça militar. Desde o início de abril, vigora um cessar-fogo negociado pelo Paquistão, mas os Estados Unidos mantêm o bloqueio contra portos iranianos. O Irã, por sua vez, declarou que o Estreito de Ormuz não voltará à situação anterior enquanto o bloqueio não for suspenso e a guerra não terminar definitivamente.
Akraminia afirmou ainda que as Forças Armadas trataram o período de cessar-fogo como tempo de guerra, utilizando a trégua para ampliar sua capacidade de combate. Segundo o porta-voz, o Irã mantém comando total sobre o Estreito de Ormuz e a situação na passagem estratégica “nunca voltará ao estado anterior”.
“O único caminho para o inimigo é respeitar a nação iraniana e observar os direitos legítimos da República Islâmica do Irã”, disse.
A tensão aumentou depois que Trump anunciou o adiamento de uma ofensiva de grande escala contra o Irã, prevista para terça-feira, alegando pedidos de governantes do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos para que as negociações prosseguissem. Mesmo assim, o presidente norte-americano manteve as tropas em alerta para um ataque de grande escala, caso não haja um acordo “aceitável” para os EUA.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para assuntos jurídicos e internacionais, Kazem Gharibabadi, também rejeitou qualquer hipótese de rendição. Segundo ele, os EUA apresentam suas ameaças militares como se fossem uma oportunidade para a paz.
“Os Estados Unidos dizem que interromperam ‘temporariamente’ os ataques ao Irã para dar uma chance às negociações, mas, ao mesmo tempo, falam em prontidão para uma ofensiva massiva a qualquer momento. Isso significa chamar ‘ameaça’ de ‘oportunidade de paz’”, afirmou.
“Irã permanece unido e decisivamente pronto para enfrentar qualquer agressão militar. Para nós, rendição não tem sentido; ou vencemos, ou nos tornamos mártires”, declarou Gharibabadi.
O diplomata citou ainda o mártir Rajab Beigi: “somos uma grande nação, registrem nosso nome na história; entre todas as cores escolhemos o vermelho, e entre todas as mortes escolhemos o martírio.”
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e “Israel” lançaram uma guerra de agressão contra o Irã. A ofensiva assassinou o líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Ali Khamenei, e vários altos funcionários do Estado iraniano. As forças norte-americanas e sionistas atacaram instalações nucleares, escolas, hospitais e outros alvos civis.
O Irã respondeu com pelo menos 100 ondas de ataques retaliatórios na Operação Promessa Cumprida 4. Desde então, impôs um novo regime de controle marítimo no Estreito de Ormuz, exigindo autorização iraniana para a passagem de embarcações.
O ex-comandante do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (CGRI) Mohsen Rezaei, assessor do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Saied Mojtaba Khamenei, afirmou que as Forças Armadas iranianas e a população obrigarão os EUA a recuar.
Em publicação no X, Rezaei ironizou a posição de Trump.
“Ele estabelece um prazo para um ataque militar e depois o cancela por conta própria, na esperança vã de forçar a nação iraniana e as autoridades a se renderem!”, escreveu.
“O punho de ferro das poderosas Forças Armadas e da grande nação iraniana os forçará a recuar e se render”, acrescentou.
A posição iraniana também foi reforçada por dados citados em relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos EUA. O documento reconheceu que 42 aeronaves norte-americanas foram destruídas ou danificadas durante a guerra contra o Irã, incluindo caças, aviões de reabastecimento, VANTs e helicópteros.
Segundo o relatório, quatro caças F-15E Strike Eagle foram destruídos, enquanto um F-35A sofreu danos por disparos iranianos a partir do solo. O documento também afirmou que um avião de ataque A-10 foi destruído, além de sete aeronaves KC-135 Stratotanker de reabastecimento, sendo duas destruídas e cinco danificadas. Um E-3 Sentry AWACS também foi atingido.
As maiores perdas ocorreram entre VANTs. O relatório registrou a destruição de 24 MQ-9 Reaper, mais da metade das perdas totais de aeronaves. Também foram destruídos um MQ-4C Triton e dois MC-130J de operações especiais. Um helicóptero HH-60W de resgate em combate foi danificado por disparos de armas leves.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, comentou o relatório em publicação no X. Segundo ele, o Congresso norte-americano reconheceu, meses depois do início da guerra, a perda de “dezenas de aeronaves no valor de bilhões”.
“Nossas poderosas Forças Armadas foram confirmadas como as primeiras a derrubar um alardeado F-35”, afirmou Araghchi.
O chanceler acrescentou que, com as lições aprendidas durante a guerra, qualquer retorno ao conflito trará “muito mais surpresas”.




