O ex-presidente da Bolívia Evo Morales denunciou, nesta quinta-feira (6), que o governo de Rodrigo Paz colocou a política econômica, a segurança e até mesmo o combate ao narcotráfico sob influência direta dos Estados Unidos e de organismos controlados pelo imperialismo.
Em mensagem divulgada por ocasião do Dia da Independência da Bolívia, Morales afirmou que o país atravessa uma grave crise, marcada pela inflação, pelo desemprego, pela falta de combustíveis, pela desvalorização da moeda e pela crescente insegurança econômica da população.
Segundo o ex-presidente, diante dessa situação, o governo Paz decidiu entregar “as decisões econômicas ao Fundo Monetário Internacional, a luta contra o narcotráfico à DEA e subordinar nossa segurança nacional à estratégia do Comando Sul por meio do denominado Escudo das Américas”.
O FMI é um dos principais instrumentos utilizados pelo imperialismo para impor programas de ajuste econômico aos países pobres. A DEA e o Comando Sul, por sua vez, são órgãos diretamente ligados ao aparato de intervenção dos Estados Unidos na América Latina.
A entrada dessas organizações em setores decisivos do Estado boliviano representa um avanço da influência norte-americana sobre o país justamente em um momento de forte deterioração das condições de vida da população.
Morales contrapõe governo atual a seus mandatos
Na declaração, Morales também rejeitou a tese de que a submissão às instituições imperialistas seria a única saída possível para a crise.
“Querem nos fazer acreditar que não existe outro caminho. Nós sabemos que existe”, afirmou.
O ex-presidente lembrou as medidas adotadas durante seus governos, especialmente a recuperação do controle estatal sobre recursos naturais, a industrialização e a utilização de parte das riquezas nacionais em programas sociais.
“Nós demonstramos isso quando recuperamos nossos recursos naturais, industrializamos, redistribuímos a riqueza, reduzimos a pobreza e transformamos a Bolívia em um exemplo de crescimento econômico e estabilidade para toda a região”, declarou.
Morales acrescentou que a soberania nacional é indispensável para que a população possa decidir os rumos do país: “a soberania não é um discurso: é a condição para que um povo possa decidir seu próprio destino”.
Trabalhadores e camponeses
O ex-presidente também destacou o papel dos setores populares na resistência à política do governo Paz. Em sua mensagem, citou a juventude, os trabalhadores, o movimento de índios e camponês e os produtores bolivianos.
A declaração ocorre em meio ao enfrentamento cada vez maior entre o governo e a população. A classe operária e o campesinato bolivianos possuem uma longa tradição de mobilização contra governos de direita e contra a intervenção imperialista no país.
Morales afirmou confiar “na rebeldia de nossa juventude, na força das trabalhadoras e dos trabalhadores, na dignidade do movimento indígena originário camponês e no compromisso de nossos produtores”.
Ao final da mensagem, defendeu a organização popular contra a política adotada pelo governo: “a história da Bolívia nunca foi escrita por aqueles que se resignaram, mas por aqueles que lutaram. Com unidade, organização e amor por nossa terra voltaremos a conquistar um país soberano, produtivo, justo e igualitário”.





