As Forças Armadas do Iêmen realizaram nessa sexta-feira (7) novos ataques contra tropas apoiadas pela Arábia Saudita, dando continuidade aos combates iniciados no dia anterior. A ação ocorreu ao mesmo tempo em que Saná anunciou que passará a atacar diretamente qualquer movimentação militar saudita em direção ao território iemenita.
Segundo uma fonte ouvida pela AFP, três combatentes morreram e outros quatro ficaram feridos após um ataque de drones na região de Harib, no sul da província de Marib. Também foram registrados confrontos de artilharia em Sirwah e na frente de al-Kasara, ao norte da cidade de Marib.
As forças iemenitas atingiram ainda um depósito de armas na província. Na região de Hadramaut, mísseis balísticos foram lançados contra posições das tropas ligadas a Riade. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram ataques contra o Aeroporto de Seiyun, utilizado pelas chamadas Forças do Escudo da Nação.
Qualquer movimentação será atacada
Uma fonte iemenita declarou à rede libanesa Al Mayadeen que o governo revolucionário do Ansar Alá estabeleceu uma nova situação militar no país. A partir de agora, qualquer presença ou deslocamento de tropas sauditas para o Iêmen, ou a partir do território iemenita, poderá ser atacado diretamente.
A medida procura impedir a reorganização das forças sustentadas por Riade, cortar suas linhas de abastecimento e dificultar o deslocamento de tropas entre as províncias.
As autoridades de Saná também fizeram um chamado aos iemenitas incorporados às forças sauditas para que abandonem os acampamentos e se afastem dos oficiais a serviço da reacionária monarquia saudita. A advertência foi acompanhada do aviso de que novas concentrações de tropas serão consideradas alvos militares.
Os ataques de ontem mostram que a ameaça não ficou apenas no terreno das declarações.
Operação matou dezenas no dia anterior
Na quinta-feira (6), as Forças Armadas iemenitas haviam realizado uma operação de grande porte contra concentrações militares em al-Ruwaik, al-Abr e al-Thaniyah, além de bases das Primeira e Terceira Brigadas de Emergência.
O número de mortos chegou a 58, segundo a AFP.
O porta-voz das Forças Armadas do Iêmen, brigadeiro-general Iahia Saria, afirmou que a operação foi realizada depois que os militares detectaram grandes concentrações de tropas destinadas a uma nova ação contra as regiões controladas pelo governo revolucionário.
Segundo Saria, a mobilização tinha como objetivo pressionar o Iêmen a abandonar sua política de combate ao bloqueio imposto pela Arábia Saudita.
Uma fonte militar ouvida pela Al Mayadeen afirmou que os ataques foram precedidos por um amplo trabalho de inteligência. A preparação teria permitido surpreender as tropas ligadas a Riade e impedir uma ofensiva terrestre que vinha sendo preparada havia meses.
A política anunciada pelos iemenitas é resumida na fórmula “bloqueio por bloqueio e escalada por escalada”. Enquanto Riade mantiver o cerco e retomar os ataques contra o país, o Iêmen responderá militarmente contra seus interesses.
Arábia Saudita retomou agressões
O confronto entre os dois países havia diminuído consideravelmente depois da trégua negociada em 2022. A Arábia Saudita, no entanto, nunca pôs fim ao bloqueio imposto ao Iêmen.
Riade iniciou sua guerra contra o país em 2015, depois que o Ansar Alá assumiu o poder em Saná. A monarquia saudita organizou uma coalizão para tentar derrubar o novo governo, realizou uma campanha maciça de bombardeios e bloqueou portos e aeroportos.
Quase 400 mil iemenitas morreram como consequência da guerra e do cerco, que provocaram uma das maiores crises humanitárias das últimas décadas.
O confronto voltou a se intensificar em julho, depois que aviões sauditas bombardearam a pista do Aeroporto Internacional de Saná para impedir o pouso de uma aeronave civil iraniana que transportava uma delegação do Ansar Alá.
Em resposta, no dia 20 daquele mês, o Iêmen anunciou um bloqueio marítimo contra navios comerciais e petroleiros ligados à Arábia Saudita que atravessam o Mar Vermelho pelo estreito de Bab al-Mandab.
Agora, os iemenitas ampliaram a reação também no terreno. Depois de destruir concentrações militares na quinta-feira, as Forças Armadas voltaram a atacar nesta sexta e deixaram claro que não permitirão que o agressor acumule tropas para preparar uma nova invasão.





