Guerra no Oriente Próximo

Iêmen faz operação de larga escala contra Arábia Saudita

Ataque com mísseis balísticos e drones teria provocado centenas de baixas e frustrado preparação saudita para nova invasão

As Forças Armadas do Iêmen realizaram ontem (6) uma operação de larga escala contra tropas da Arábia Saudita concentradas no leste do país. Segundo o porta-voz militar iemenita, brigadeiro-general Iahia Saria, centenas de combatentes das forças sauditas foram mortos ou feridos nos ataques.

A operação utilizou um grande número de mísseis balísticos e drones contra posições em al-Ruwayk, al-Abr e al-Thaniya, além de acampamentos das chamadas 1ª e 3ª Brigadas de Emergência.

Os ataques também destruíram veículos militares, depósitos de armas, equipamentos e acampamentos na região de al-Wadi’ah.

Segundo Saria, as forças iemenitas haviam identificado uma grande concentração de tropas sauditas que se preparava para atacar as regiões controladas pelo governo de Saná.

“Diante da insistência do inimigo criminoso saudita em continuar o cerco e a agressão contra nosso querido povo iemenita por quase 12 anos, nossas Forças Armadas monitoraram grandes concentrações militares sauditas que estavam em seus estágios finais, destinadas a intensificar a agressão contra as províncias livres e o povo iemenita para dissuadi-los de sua posição pelo fim do cerco injusto”, afirmou.

Ataque preventivo

Uma fonte militar declarou à emissora libanesa Al Mayadeen que a operação foi precedida por um trabalho de inteligência que permitiu realizar um ataque preciso contra as tropas reunidas pela Arábia Saudita.

Segundo a fonte, Riade preparava havia meses uma ofensiva terrestre contra as regiões sob controle de Saná. Reuniões entre comandantes sauditas e responsáveis pelas brigadas mobilizadas para a operação chegaram a ser divulgadas publicamente.

O ataque iemenita teria ocorrido antes que essas forças pudessem entrar em ação, desorganizando os planos sauditas.

A mesma fonte afirmou que as autoridades de Riade deram ordens para esconder os nomes e o número de mortos, em uma tentativa de preservar o moral das tropas.

Após a operação, Saria advertiu que qualquer novo ataque contra o Iêmen será respondido.

“As Forças Armadas iemenitas advertem o inimigo criminoso saudita contra qualquer loucura que cometa contra nosso país e nosso povo, e ele arcará com as consequências de qualquer escalada”, declarou.

O porta-voz também fez um chamado aos iemenitas recrutados pelas forças apoiadas pela Arábia Saudita para que abandonem seus postos.

“Aconselhamos nossos compatriotas a deixar os acampamentos do inimigo saudita e retornar às suas regiões antes que seja tarde demais”, disse.

Nove petroleiros atacados

A operação terrestre ocorreu em meio à campanha militar lançada pelo Iêmen para obrigar a Arábia Saudita a levantar o cerco imposto ao país.

Também nessa quinta-feira, as Forças Armadas iemenitas anunciaram um ataque contra o petroleiro saudita DAISY, no Golfo de Áden. Segundo Saria, a embarcação foi atingida por um míssil balístico e obrigada a recuar.

A UK Maritime Trade Operations (UKMTO) informou ter recebido a comunicação de uma explosão nas proximidades de um petroleiro a cerca de 95 milhas náuticas a sudeste de Áden. Segundo o órgão britânico, a tripulação estava em segurança.

Com o novo ataque, chega a nove o número de petroleiros sauditas atingidos desde que o Iêmen iniciou sua campanha contra a navegação ligada à monarquia.

O governo revolucionário anunciou em julho um bloqueio contra embarcações sauditas em resposta ao cerco mantido por Riade contra os portos, aeroportos e demais vias de acesso ao Iêmen.

A política foi resumida pelas autoridades iemenitas na fórmula “bloqueio por bloqueio”: enquanto a Arábia Saudita impedir o funcionamento normal do país, sua própria navegação também será alvo das forças iemenitas.

Saria afirmou que o movimento dos petroleiros sauditas continuará sendo acompanhado e que as embarcações serão impedidas de atravessar o Mar Vermelho enquanto o cerco não for encerrado.

Guerra saudita fracassou

A Arábia Saudita iniciou em março de 2015 uma guerra de agressão contra o Iêmen à frente de uma coalizão de países árabes, com amplo apoio militar, político e logístico dos Estados Unidos.

Riade pretendia derrotar o Ansar Alá e restabelecer no poder um governo subordinado à monarquia saudita. Após anos de bombardeios, invasões e bloqueio, no entanto, os sauditas não conseguiram alcançar esse objetivo.

Dezenas de milhares de iemenitas foram mortos durante a guerra, enquanto a infraestrutura do país foi sistematicamente atacada.

Em 2022, um cessar-fogo patrocinado pela ONU reduziu os combates diretos entre as partes, mas não encerrou o cerco nem a intervenção saudita nos assuntos internos do Iêmen.

Nos últimos meses, a tensão voltou a crescer, com novos ataques sauditas contra território iemenita e a resposta do governo revolucionário contra alvos militares e econômicos da monarquia.

Hizam al-Assad, integrante do birô político do Ansar Alá, afirmou que a Arábia Saudita somente conseguirá interromper os ataques iemenitas caso reconheça os direitos nacionais do país e encerre o cerco.

“A obstinação e a arrogância do regime saudita acabarão levando à sua queda. As tentativas do regime de Riade de reunir apoio regional e internacional e gastar bilhões de dólares para isso não enfraquecerão a determinação nem mudarão a posição do povo iemenita”, declarou.

Mohammed al-Fará, também dirigente do Ansar Alá, afirmou que a intervenção estrangeira é a principal causa da continuação do conflito.

“Essas intervenções, realizadas com o apoio dos Estados Unidos e do regime israelense, têm como objetivo impedir que os iemenitas tomem decisões nacionais independentes”, disse.

Segundo Fará, a Arábia Saudita procura controlar as decisões políticas do Iêmen, seus recursos naturais, portos e aeroportos e impedir a formação de um Estado efetivamente independente.

Diante da nova concentração de tropas sauditas, o Iêmen deixou claro que não pretende permitir a retomada da invasão sem resposta. A ofensiva preparada por Riade foi atacada antes mesmo de começar.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.