Correios eletrônicos vazados revelaram que Yahav Lichner, funcionário da Organização das Nações Unidas, entregou repetidamente documentos confidenciais a diplomatas de “Israel”.
Lichner dirige atualmente o escritório da Unicef em Washington. Entre 2014 e 2015, enquanto trabalhava para o Fundo de População das Nações Unidas, ele repassou relatórios secretos, atas de reuniões privadas e informações sobre discussões internas da organização.
Antes de ingressar na ONU, Lichner havia trabalhado na missão sionista. Mesmo depois de assumir um cargo no organismo internacional, continuou agindo em favor de seus antigos chefes.
As mensagens foram encontradas nos arquivos eletrônicos de Ron Prosor, representante do regime sionista na ONU entre 2011 e 2015. O material foi obtido pelo grupo palestino Handala e posteriormente publicado pela organização Distributed Denial of Secrets.
Em fevereiro de 2015, Lichner enviou um relatório confidencial acerca de uma viagem a Washington do então alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Raad Al-Husein. O documento descrevia reuniões com integrantes da Casa Branca, senadores, funcionários do Congresso e organizações sionistas.
“Somente para seus olhos. Não encaminhe”, escreveu Lichner. Um dos diplomatas respondeu que utilizaria os dados em conversas com integrantes do Congresso norte-americano.
Lichner também repassou um documento do Centro de Operações e Crises da ONU marcado como “estritamente confidencial”, um relatório sobre a Jordânia, uma carta de Mahmud Abás ao secretário-geral Ban Ki-moon e uma versão ainda não publicada da resposta da organização.
O agente avisou antecipadamente os sionistas acerca de discussões relacionadas ao assassinato de dois adolescentes palestinos e da data prevista para a divulgação de um relatório sobre a guerra contra Gaza. Também repassou comunicações internas relativas a uma apuração do jornal inglês The Guardian e procurou descobrir a fonte da repórter.
Prosor havia solicitado à então embaixadora norte-americana Samantha Power que apoiasse a contratação de Lichner. Depois de sua entrada na ONU, descreveu-o em uma mensagem como um “oficial de inteligência em formação”.
As normas da organização proíbem funcionários de fornecer a governos informações obtidas no exercício do cargo. Lichner, Prosor, Samantha Power e a Unicef não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre os documentos vazados.




