O número de crianças e adolescentes palestinos mantidos por “Israel” em prisão administrativa praticamente dobrou em pouco mais de um ano. Eram 103 em janeiro de 2025 e 191 em março de 2026, segundo dados do próprio Serviço Prisional Israelense (IPS, na sigla em inglês).
As informações, obtidas pela organização Parents Against Child Detention, mostram ainda que esse tipo de encarceramento responde por uma parcela cada vez maior dos menores palestinos sequestrados pelo Estado sionista. No início de 2025, cerca de 30% deles estavam presos administrativamente. Em março deste ano, a proporção já chegava perto de 50%.
A prisão administrativa permite às forças de ocupação manter um palestino encarcerado sem apresentar acusação formal e sem levá-lo a julgamento. As ordens têm duração de seis meses, mas podem ser renovadas sucessivamente por um juiz militar.
O prisioneiro sequer é informado das acusações que pesariam contra ele. As supostas provas utilizadas pelas autoridades sionistas são mantidas em segredo e apresentadas ao tribunal em sessões fechadas. Com as renovações sucessivas, palestinos podem passar anos presos sem julgamento.
Também aumentou fortemente o número de menores submetidos a esse regime por mais de um ano. Em março de 2025, eram seis. Um ano depois, já eram 50.
“Enquanto crianças em ‘Israel’ e em todo o mundo aproveitam suas férias de verão, um número crescente de crianças palestinas é mantido em condições severas, idênticas às impostas aos adultos”, declarou Titi Carmel, diretora-executiva da Parents Against Child Detention.
“Particularmente preocupante é o forte aumento do número de crianças mantidas em detenção administrativa — prisão sem acusação ou julgamento, baseada em provas secretas”, acrescentou.
Milhares presos sem julgamento
Segundo os números do IPS, 3.198 palestinos estão presos administrativamente, a maioria deles moradores da Cisjordânia ocupada.
Outros 1.358 palestinos sequestrados durante o genocídio na Faixa de Gaza foram classificados por “Israel” como “combatentes ilegais”. Muitos foram enviados ao centro de tortura de Sde Teiman, alvo de sucessivas denúncias de espancamentos, estupros e outras formas de tortura contra os prisioneiros.
Há ainda 4.767 palestinos enquadrados pelas autoridades sionistas como “detentos de segurança” ou “prisioneiros de segurança”.
As prisões israelenses mantêm atualmente cerca de 9.500 palestinos, entre eles 94 mulheres e mais de 350 crianças.
A diferença de tratamento entre palestinos e colonos sionistas também aparece no uso da prisão administrativa. O mecanismo já chegou a ser aplicado contra colonos envolvidos em ataques a palestinos na Cisjordânia, mas o ministro da Guerra de “Israel”, Israel Katz, proibiu seu uso contra eles. Contra os palestinos, porém, o número de presos continua crescendo.
O caso do colono Tal Yinon Dardik mostra o alcance dessa proteção. Ele é acusado de atacar um palestino, arrancar suas roupas, amarrar seus órgãos genitais e obrigá-lo a desfilar pelo povoado de Khirbet Humsa.
Quando o general israelense Avraham Bluth tentou prolongar uma ordem que impedia Dardik de entrar na Cisjordânia, Katz recusou-se a autorizá-la. O ministro chegou depois a sugerir publicamente que Bluth poderia ser substituído.
Isolamento e tortura
A situação dos prisioneiros palestinos foi agravada neste sábado (8), quando o ministro da Polícia israelense, Itamar Ben-Gvir, prorrogou novamente a proibição de visitas de familiares. A Sociedade dos Prisioneiros Palestinos denunciou que a medida aumenta o isolamento dos encarcerados e ajuda a manter os abusos cometidos nas prisões longe de testemunhas.
As visitas familiares e as ligações telefônicas estão suspensas desde 7 de outubro de 2023. O contato com advogados, submetido a uma série de restrições, tornou-se uma das poucas possibilidades de comunicação com o exterior.
O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) também está impedido de visitar normalmente os palestinos presos desde outubro de 2023. Em junho deste ano, a Suprema Corte israelense considerou ilegal a proibição generalizada. No mês seguinte, porém, o sistema penitenciário criou novas restrições e continuou impedindo encontros privados entre representantes da entidade e os prisioneiros.
Segundo a Physicians for Human Rights Israel, pelo menos 105 palestinos morreram sob custódia sionista entre outubro de 2023 e junho de 2026. O levantamento foi feito a partir de dados oficiais, autópsias e depoimentos de prisioneiros libertados.
Na quinta-feira (6), Ben-Gvir invadiu a prisão de Naqab e ordenou o confisco das poucas roupas que ainda estavam em poder dos palestinos. Exemplares do Alcorão também foram retirados, deixando apenas um por seção, cada uma com aproximadamente 15 celas.
O Gabinete de Imprensa dos Prisioneiros Palestinos denuncia ainda falta de alimentos e produtos de higiene, punições sucessivas e abusos contra os presos de Naqab.




