O ex-presidente da Bolívia Evo Morales denunciou nesta sexta-feira (15) que os Estados Unidos ordenaram ao governo de Rodrigo Paz a preparação de uma operação militar para prendê-lo ou assassiná-lo. A denúncia foi feita em publicação nas redes sociais, na qual Morales apontou a participação da DEA, do Comando Sul norte-americano, de militares bolivianos e de agentes estrangeiros.
“Os EUA ordenaram ao governo de Rodrigo Paz executar uma operação militar, com o apoio da DEA e do Comando Sul norte-americano, para me deter ou me matar”, afirmou Morales.
Na nota, o ex-presidente boliviano citou Carlos “Zorro” Sánchez Berzaín, ex-ministro de Governo de Gonzalo Sánchez de Lozada, como um dos articuladores da operação. Sánchez Berzaín fugiu para Miami após o chamado Massacre de Outubro Negro, em 2003, quando cerca de 63 bolivianos foram assassinados durante a repressão comandada pelo governo de Sánchez de Lozada.
Morales também citou Ernesto Justiniano, vice-ministro de Defesa Social, que, segundo ele, encontra-se nos Estados Unidos. “Entre os impulsionadores dessa ação estão o ex-ministro de Governo de Gonzalo Sánchez de Lozada — que fugiu para Miami depois do Massacre de Outubro Negro (2003) — Carlos ‘Zorro’ Sánchez Berzaín; e o vice-ministro de Defesa Social, Ernesto Justiniano, que se encontra em Washington”, declarou.
Segundo Morales, a preparação militar teria sido precedida por uma campanha de difamação, insultos e acusações sem provas contra ele. O ex-presidente afirmou que o governo boliviano conta com assessoria de estrangeiros especializados em operações de guerra suja e notícias falsas.
“Antes disso, o governo aplica uma intensa campanha de difamação, insultos e acusações sem provas, com a assessoria de estrangeiros especialistas em guerra suja e notícias falsas, como o argentino Fernando Cerimedo, enviado à Bolívia pelo direitista Javier Milei”, afirmou Morales.
O dirigente boliviano afirmou ainda que unidades militares já se encontram no Trópico de Cochabamba, região onde Morales tem forte apoio popular. Entre elas, citou a Nona Divisão do Exército, comandada pelo coronel Franz Andrade Loza. Segundo Morales, o governo prometeu ao militar promovê-lo a general e nomeá-lo comandante das Forças Armadas caso ele “acabe com Evo”.
Morales também mencionou o F-10, unidade ligada ao comandante em chefe das Forças Armadas, general Víctor Hugo Balderrama. Conforme a denúncia, o grupo está sob o comando do tenente-coronel Carlos Giménez Ortuño, ex-ajudante de Fernando López, ministro da Defesa do regime da golpista Jeanine Añez.
A nota ainda menciona o CITE, unidade militar de paraquedistas comandada pelo tenente-coronel Santiestevan, que, segundo Morales, esteve preso pelos massacres do regime de Añez em Sacaba e Senkata. Também foram citados o CIE 298, Companhia de Inteligência do Exército, cujos membros teriam treinado em Cotapachi para executar a operação no Trópico, além de franco-atiradores do F-10 do Regimento Ranger de Challapata.
“Desde o Batalhão Ingavi VII Sajama, foram enviados dezenas de militares, entre coronéis maiores, capitães, tenentes e suboficiais”, afirmou Morales.
Ao final da nota, o ex-presidente boliviano denunciou a presença direta de forças estrangeiras no comando da operação. Segundo ele, militares bolivianos estão sob orientação de fuzileiros navais norte-americanos e agentes paraguaios da DEA.
“Os militares bolivianos estarão sob o comando de marines norte-americanos e agentes da DEA paraguaios, a quem não importa massacrar irmãos e irmãs que residem no Trópico”, declarou Morales.
Leia, abaixo, a nota traduzida na íntegra:
“Os EUA ordenaram ao governo de Rodrigo Paz executar uma operação militar, com o apoio da DEA e do Comando Sul norte-americano, para me deter ou me matar. Entre os impulsionadores dessa ação estão o ex-ministro do Governo de Gonzalo Sánchez de Lozada — que fugiu para Miami após o Massacre de Outubro Negro (2003) — Carlos “Zorro” Sánchez Berzaín; e o Vice-Ministro de Defesa Social, Ernesto Justiniano, que se encontra em Washington. Previamente a isso, o governo aplica uma intensa campanha de difamação, insultos e acusações sem provas, com o assessoramento de estrangeiros especialistas em guerra suja e fake news (notícias falsas), como o argentino Fernando Cerimedo, enviado à Bolívia pelo direitista Javier Milei e cujas operações sujas já foram reveladas por jornalistas bolivianos honestos. Encontram-se no Trópico: Nona Divisão de Exército: Comandante Cel. Franz Andrade Loza. O governo lhe prometeu promovê-lo a general e nomeá-lo comandante das FFAA caso acabe com Evo. O F-10, subordinado ao Comandante em Chefe das FFAA (Gen. Víctor Hugo Balderrama), sob o comando do Ten. Cel. Carlos Giménez Ortuño, ex-ajudante do ministro de Defesa de Jeanine Áñez, Fernando López. O CITE (unidade militar de paraquedistas), comandado pelo Ten. Cel. Santiestevan, que esteve preso pelos massacres do regime de Áñez em Sacaba e Senkata. O CIE 298 (Companhia de Inteligência do Exército), cujos membros treinaram em Cotapachi para executar a operação no Trópico. Atiradores de elite do F-10 do Regimento Ranger de Challapata. Do Batalhão Ingavi VII Sajama foram enviadas dezenas de militares, entre coronéis maiores, capitães, tenentes e subtenentes. Os militares bolivianos estarão sob o comando de marines norte-americanos e agentes da DEA paraguaios, aos quais não importa massacrar irmãos e irmãs que residem no Trópico.”




