O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos da América (EUA) autorizou a seleção do Irã a viajar para Seattle dois dias antes da partida contra o Egito, na terça-feira (23), durante a Copa do Mundo de 2026. A decisão flexibiliza restrições que impediam a delegação iraniana de chegar ao país com antecedência maior que um dia, apesar de seus jogos da primeira fase ocorrerem em território norte-americano.
A seleção do Irã está sediada no México, mas disputou partidas nos EUA. Antes do recuo, a delegação só podia entrar no país na véspera dos jogos e deveria deixar o território norte-americano no mesmo dia da partida. A regra criou dificuldades logísticas e reduziu o tempo de descanso, treino e adaptação da equipe.
A nova autorização vale para o jogo contra o Egito, marcado para Seattle, decisivo para as chances iranianas no Grupo G. Mesmo com a flexibilização, a delegação continua proibida de permanecer nos EUA após a partida e deverá retornar imediatamente ao México.
A equipe já havia reclamado das condições impostas pelo governo norte-americano. O técnico Amir Ghalenoei afirmou que o Irã era a seleção mais oprimida da competição, em referência às restrições de viagem. Nos jogos anteriores, contra Nova Zelândia e Bélgica, a delegação só pôde chegar aos EUA na véspera.
Apesar dos obstáculos, o Irã empatou seus dois primeiros jogos. Na estreia, ficou em 2 a 2 com a Nova Zelândia. Depois, segurou empate por 0 a 0 contra a Bélgica. Os resultados mantiveram a seleção viva na disputa por vaga na fase seguinte, aumentando o peso da partida contra o Egito.
O caso expõe o problema de uma Copa do Mundo organizada pelos EUA que aplicam restrições políticas e migratórias contra determinadas nacionalidades, especialmente contra o Irã, como modo de continuidade das agressões contra o país. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) apresenta o torneio como competição universal, mas a realidade mostra tratamento desigual a delegações de países adversários do governo dos EUA.
A situação do Irã não pode ser separada do contexto político internacional. O país sofre sanções, pressão diplomática e ameaças constantes dos EUA e de “Israel”. Na Copa, essa hostilidade apareceu também na forma de controle sobre deslocamento e permanência da seleção.
A autorização para chegar dois dias antes reduz parcialmente o dano esportivo, mas mantém o caráter discriminatório da medida, já que ainda obriga que os iranianos deixem o país logo após o jogo, sem descanso adequado. O governo norte-americano recuou apenas o suficiente para permitir preparação mínima antes de uma partida decisiva, mantendo a pressão excepcional contra a delegação iraniana.





