O estudo da Finlândia, publicado no último sábado (4), contesta a teoria da identidade de gênero. A pesquisa analisou mais de 2 mil casos de pessoas com menos de 23 anos encaminhadas a serviços especializados entre 1996 e 2019, comparando-os com um grupo de controle de mais de 16 mil indivíduos. Os pesquisadores questionaram a partir do resultado obtido a aplicação de tratamentos de “redesignação de gênero” em crianças e adolescentes.
A disforia de sexo é uma condição psiquiátrica que faz o paciente sentir profunda aversão a certas características de seu sexo. A teoria da identidade de gênero buscou explicar o fenômeno propondo que quem tem essa condição pertenceria mentalmente ao outro sexo. Então, existiria um sexo do corpo e um “sexo da mente”. Esse segundo foi chamado de “gênero”. Com base nessa interpretação, a teoria do gênero encontrou como tratamento para a disforia de sexo, adequar a aparência do indivíduo com a do sexo oposto, buscando torná-la mais próxima de seu “gênero”. Esse tratamento, chamado de “redesignação de gênero”, pode ser feito de diversas maneiras, desde cirurgias e ao uso de hormônios do sexo oposto.
Apesar disso, a solução apresentada não obteve resultados aferíveis pelo método científico. O estudo da Finlândia mostra que quase metade dos jovens já havia passado por tratamento psiquiátrico antes mesmo do início do acompanhamento especializado, usado pelos pesquisadores. Após dois anos adotando o tratamento prescrito pela teoria do gênero, esse percentual sobe para 61,7%, enquanto no grupo de controle, que não aplica o tratamento, permanece estável.
O estudo também analisou separadamente os casos que seguiram intervenções de “redesignação de gênero”. Os dados indicam que a necessidade de tratamento psiquiátrico não diminui após essas intervenções e, em parte dos casos, há agravamento do quadro, demonstrando a ineficácia desses tratamentos.
O estudo finlandês mostra que o tratamento proposto a partir da teoria do gênero, de fazer o indivíduo parecer com o outro sexo, simplesmente não funciona. Pontua-se que nem mesmo a existência da mente, onde ficaria o gênero, é amplamente aceita na neurociência.
Esses resultados estão em linha com conclusões do chamado Cass Review, um relatório que revisou estudos sobre o tema e apontou fragilidade nas evidências que sustentam intervenções médicas precoces em adolescentes.
Os dados sugerem que a disforia de sexo frequentemente está associada a outros problemas de saúde mental, como depressão, ansiedade e traumas. A pesquisa destaca que o sofrimento psíquico permanece elevado antes, durante e após o processo de “transição de gênero”, tratamento proposto pela teoria da identidade de gênero.
Além disso, foi observado que jovens encaminhados após 2010 apresentam níveis ainda mais altos de problemas psiquiátricos, indicando piora dos casos ao longo do tempo. O período coincide com o momento em que a teoria da identidade de gênero passou a ser adotada para explicar a disforia de sexo.
A pesquisa aponta a necessidade de avaliações clínicas mais prolongadas e cuidadosas para cada caso, considerando a complexidade e singularidade dos fatores envolvidos. É de se destacar que o estudo também aponta para tratamentos individualizados, que contrastam com o projeto político do imperialismo de transformar a disforia de sexo numa identidade, algo comum a um grupo de indivíduos, para fins políticos.
Os dados de ambos os estudos são incompatíveis com a base teórica que sustenta ideia de “identidade de gênero”, usada de pretexto para defender e aprovar leis repressivas, como foi o caso da lei de racismo, que foi interpretada pelo STF para punir como racismo a mera discordância dessa teoria, chamando a negação da existência de algo como gênero de “transfobia”.




