Eleições 2026

Estadão elogia Temer e reforça desejo por terceira via

Estadão reforça o desejo da burguesia em emplacar um canditato da terceira via, um que seja fácil de manobrar e que não polarize

Michel Temer

O jornal da burguesia, Estadão, publicou neste domingo (19) um editorial intitulado Sem credibilidade não se governa. Credibilidade de quem? Eis a pergunta. Naturalmente que um porta-voz do grande capital está se referindo ao “deus mercado”.

Para surpresa de ninguém, o jornal elogia duas das figuras abjetas, dentre tantas, que a política nacional produziu: Fernando Henrique Cardoso, o sociólogo dos príncipes, que destruiu a indústria brasileira; e nosso Judas Iscariotes, Michel Temer, que em conluio com os EUA deu o golpe em 2016 e devolveu milhões brasileiros à fome e miséria. Com esse currículo, é claro que o Estadão iria enaltecê-los.

No primeiro parágrafo, o editorial faz a pergunta retórica “o que acontece quando um governo deixa de ser crível?”, para logo responder que “refletindo sobre como a credibilidade impacta a economia, a relação entre os Poderes e os desafios do modelo político brasileiro, o ex-presidente Michel Temer deparou-se com essa questão numa conversa com o economista Felipe Salto, articulista do Estadão, e saiu-se com a síntese: “O governo tem de ser crível, não incrível”. A tese, simples de enunciar e complexa de executar, é mais do que um trocadilho. Trata-se de um princípio de gestão que desabona o vício nacional pelo populismo, constatado nos anos em que o Brasil mergulhou na areia movediça do lulopetismo e do bolsonarismo”.

Como se nota lendo o final, a burguesia não quer Lula nem Bolsonaro, o que este Diário vem afirmando desde antes do julgamento-farsa da “trama golpista” do 8 de janeiro.

Nem Lula, nem Bolsonaro, são “críveis” para a burguesia, pois esses dois candidatos têm bases eleitorais, das quais sofrem pressão. Os interesses dessas classes não coincidem com os do grande capital, que quer colocar no poder um candidato da terceira via, um presidente “sem votos”; ou seja, sem base eleitoral, um franco-atirador, como Javier Milei, subserviente e mais fácil de controlar.

Segundo o Estadão “do alto (sic) de sua experiência como ex-presidente que, em seu tempo de governo, parecia mais preocupado em governar do que com a eleição seguinte, Temer ensina o oposto do que pregam os protagonistas da polarização. O País não precisa de governos empenhados em reinventar a roda, destruir o passado ou fabricar marcas retumbantes de gestão. Precisa de algo mais simples e mais difícil do que propaganda: credibilidade. A História mostra que isso é para poucos”.

Dificilmente um ser humano normal diria que Michel Temer esteja no alto em alguma coisa. Esse traíra tinha uma missão, destruir as conquistas dos trabalhadores para aumentar os ganhos da burguesia.

A burguesia não precisa de presidentes que “reinventam a roda”, apenas que façam o trabalho sujo de matar brasileiros de fome para alimentar banqueiros e acionistas de outros países.

Não é verdade que a “a História mostra que isso é para poucos”, não faltam vermes para roer carne podre. No Brasil, quanto tempo tivemos de ditadura militar e outros vendidos no poder?

Golpismo

É claro que ser abjeto não é o suficiente para agradar à burguesia. Como diz o editorial, “a experiência brasileira recente demonstra que a perda de credibilidade tem consequências políticas concretas. Fernando Collor viu seu governo ruir não apenas pelas denúncias de corrupção, mas pela rápida erosão de confiança que inviabilizou sua sustentação”. Ao mesmo tempo, a burguesia se agrade de candidatos assim, sem base popular, pois são mais fáceis de se arrancar do poder.

Collor, “sem credibilidade [da burguesia], perdeu apoio e abriu caminho para o impeachment.” 

Como era de se esperar, o Estadão mente, diz que “décadas depois, Dilma Rousseff enfrentou destino semelhante. Tão relevantes quanto as “pedaladas fiscais” foram a condução errática da economia e a incapacidade política que isolaram o governo e pavimentaram seu impedimento”.

Esse jornal sabe muito bem que as tais “pedaladas fiscais” foram um estratagema para sacar a presidenta do poder. O principal motivo não foi nenhuma “condução errática” da economia, mesmo porque os deputados controlados pela burguesia sabotaram sua tentativa de governar.

O The New York Times (NYT), já em 2012 e outras publicações financeiras (como a The Economist) começaram a traçar comparações desfavoráveis entre o estilo de gestão de Dilma e o de seus antecessores.

Faziam uma comparação “intervencionismo vs. ortodoxia”. Argumentavam que (FHC) havia criado a base da estabilidade econômica com o Plano Real e a abertura do setor de petróleo (Lei 9.478/97).

O NYT, que como todo jornal burguês, só gosta da “mão leve”, criticava a “mão pesada” de Dilma na economia (a chamada Nova Matriz Econômica), contrastando-a com o pragmatismo de FHC e o primeiro mandato de Lula. O jornal sugeria que a preferência de Dilma por “campeões nacionais” e intervenções em setores como o de energia elétrica e petróleo estava afugentando investidores.

Na visão do periódico, a política de FHC era “melhor” por ser mais amigável ao mercado, transparente e focada em privatizações e concessões que permitiam uma exploração mais rápida das reservas, enquanto Dilma estaria “engessando” o país com burocracia nacionalista.

Edward Snowden, em 2013, mostrou que a NSA havia espionado não apenas a presidenta, mas também as comunicações internas da Petrobrás, provando que o controle sobre os dados geológicos e as políticas do pré-sal eram de interesse estratégico direto de Washington, que comandou o golpe de 2016.

Terceira via

O Estadão aproveita o final de seu editorial para criticar tanto Bolsonaro quanto Lula. Se aquele “fez do conflito um método, o lulopetismo incorre em outro vício: a tentativa de ser ‘incrível’ a qualquer custo”, conclui.

Com isso, o jornal reforça a ideia de que o grande capital está atrás de um presidente da terceira via, está procurando uma estratégia de longo prazo, o que será difícil de se conseguir com a crescente polarização do País. Diz que, “sem isso, o Executivo perde a capacidade de coordenar maiorias, o Congresso passa a agir de forma autônoma e fragmentada, e o Judiciário é empurrado para o centro das disputas”. Um resumo de como a burguesia vem governando.

O problema da burguesia é que está correndo contra o relógio e a falta de opções na terceira via, cujos candidatos estão muito atrás do bolsonarismo, em um cenário polarizado entre Lula e Flávio Bolsonaro.

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