Caso Ypê

Esquerda pequeno-burguesa virou advogada da Anvisa

A esquerda que chama a todos de negacionistas, assina embaixo do que diz a Anvisa, órgão que ninguém sabe direito quem controla

Bebendo detergente

O artigo Resposta social à contaminação dos produtos Ypê relembra que o bolsonarismo é um perigo à saúde pública, publicada no sítio Esquerda Online neste sábado (16) levanta questões que precisam ser debatidas.

De início, o texto diz que “no início do mês de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão da fabricação, distribuição, comercialização e uso, bem como o recolhimento de saneantes da marca Ypê. A medida resultou de diligência realizada junto às instâncias sanitárias estadual e municipal, que identificou descumprimentos relevantes de etapas críticas da cadeia produtiva, com possibilidade de contaminação microbiológica”.

Da maneira como está dito, tem-se a impressão que um órgão, chamado Anvisa, seria uma entidade neutra, e isso está longe de ser verdade. Recentemente, a Anvisa proibiu a compra de canetas emagrecedoras fora do país e jogou praticamente o monopólio do medicamento no colo de uma multinacional.

Portanto, é permitido duvidar, e é até benéfico, das decisões desse órgão que ninguém sabe ao certo quem controla.

Embora se diga que “caso de contaminação após contato com detergente da marca já foi documentado e é investigado pela vigilância epidemiológica”, a maneira autoritária como certas medidas são tomadas, acabam produzindo reações, como “imagens de pessoas supostamente ingerindo detergente ou passando o produto no corpo não param de surgir nas mídias digitais”. E o que decorre daí é igualmente negativo: “a Anvisa a avaliar medidas jurídicas”.

Atualmente, tudo virou motivo para cadeia, e a esquerda pequeno-burguesa aplaude. Supondo que algum maluco tenha bebido detergente, isso só diz respeito a ele, é como a decisão de fumar, ou beber; dizem que é prejudicial, mas cada um decide o que fazer.

Em vez disso, o Esquerda Online diz que “além de irresponsável do ponto de vista da preservação da saúde de consumidores, a partidarização da medida sanitária e a reincidência de oposição à Anvisa se inscreve no contexto de negacionismo científico e obscurantismo político, latente durante a pandemia de covid19 – quando chegou a resultar em tentativa de interferência política na gestão da Agência”. E segue o longo parágrafo dizendo que “à época, o bolsonarismo empenhou esforços para descredibilizar a Anvisa enquanto atuava sobre o acesso à vacinação para a população brasileira, adicionalmente ao trabalho realizado junto a setores do Ministério da Saúde para frear pesquisas antiéticas com seres humanos, as quais buscaram favorecer a comercialização de medicamentos inefetivos para infecções virais, cujo objetivo era o enriquecimento ilícito de grupos empresariais ligados ao bolsonarismo, à custa da vida do povo brasileiro”.

É bom que tragam de volta essa questão do “negacionismo científico”, pois a esquerda pequeno-burguesa é a primeira a negar a Biologia para dizer que não existe sexo, mas gênero. Além disso, trata como “negacionista” quem contesta as questões sobre o clima, uma política que nasceu nos Estados Unidos, na NASA nos anos 1980, e que serve como base de políticas de coerção contra países atrasados.

Há cientistas que contestam o aquecimento global, buraco na camada de ozônio e, efetivamente, o prometido derretimento das calotas polares nunca aconteceu e muito menos a inundação das cidades litorâneas.

Covid-19 e Saúde Pública

Durante a pandemia, quem contestou a eficácia das vacinas foi chamado de negacionista. O Supremo Tribunal Federal aproveitou para censurar quem se opusesse. Hoje, é sabido que existem inúmeros problemas relativos às vacinas e efeitos colaterais que dia após dia vão sendo revelados. Ou seja, era correta a postura de duvidar, muitas pessoas se vacinaram porque preferiam arriscar um tratamento pouco testado a enfrentar um vírus.

O texto do Esquerda Online virou uma espécie de defesa de uma saúde pública que só existe no papel. Em outro parágrafo longo se lê que “o alvo comum aos dois ataques, um organismo sanitário, inscreve-se na tradição brasileira de vigilância em saúde, constituída pelo avanço da saúde pública enquanto direito fundamental e do Sistema Único de Saúde (SUS) como expressão de um marco civilizatório. A Reforma Sanitária Brasileira, para além de um amplo movimento que estruturou a organização da oferta de ações e serviços de saúde no Brasil no contexto de redemocratização, está no bojo da elaboração coletiva de um projeto emancipatório de sociedade – projeto este cuja efetivação é, ainda, dependente de uma convocatória atual de continuidade de seu processo e disputa de seus rumos”.

A tradição brasileira, na verdade, é deixar o povo sem saúde. O SUS, que utiliza sabe, está longe de ser “civilizatório”. A cada dia que passa, fica mais difícil conseguir uma consulta ou remédios.

Seja lá o que signifique “contexto de redemocratização, está no bojo da elaboração coletiva de um projeto emancipatório de sociedade”, o fato é que os bancos estão ficando com praticamente todo o orçamento público e não sobra dinheiro para gastos sociais.

Enquanto o texto diz que “a saúde é pauta prioritária para a população e, por isso, é tão visada pela extrema direita como ferramenta de propaganda, cujos mecanismos não renunciam ao negacionismo científico e ao obscurantismo político.” Os bancos, muito democráticos, estão fazendo afundar a saúde.

Frente aos danos causados pelo sistema financeiro à saúde, o “negacionismo”, a “sátira” e a “ridicularização”, que o texto aponta, são inofensivos.

O texto termina falando da necessidade de lutar contra os “neofascistas no Brasil”. Diz que “esta é, cada vez mais, uma exigência, posto que limpar o Brasil do bolsonarismo ainda é a medida sanitária mais urgente a ser implementada”.

Seria interessante saber como farão isso. Da última vez, para “acabar com o fascismo”, vimos a esquerda pequeno-burguesa se juntado ao MBL e a João Doria, que também atendia pelo nome de “Bolsodoria”.

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