A Diferencial Energia protocolou pedido de recuperação judicial na Justiça do Rio de Janeiro na quinta-feira (28). O pedido envolve passivo de cerca de R$154 milhões e inclui empresas do Grupo Diferencial. A companhia tenta impedir o desligamento da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) e renegociar dívidas provocadas por variação de preços, inadimplência de outras empresas e mudanças regulatórias.
O pedido envolve a Diferencial Comercializadora de Energia, a Diferencial Energia Participações e a Marina Grande Participações. A empresa atua no setor elétrico desde 2005 e afirma ter movimentado cerca de R$6 bilhões em contratos de compra e venda de energia em duas décadas, com mais de 4,5 mil contrapartes.
A companhia afirma que a crise foi causada por mudanças na formação do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), perda de liquidez no Ambiente de Contratação Livre (ACL), aumento da variação de preços e inadimplência de outras comercializadoras. Segundo a empresa, oscilações abruptas ao longo do mesmo dia tornaram mais cara a recomposição de contratos já assumidos.
A Diferencial também cita problemas financeiros de outras empresas, como América Energia, BID Comercializadora e Gama Comercializadora. No caso da Gama, a manutenção judicial de contratos inadimplidos registrados na CCEE teria afetado a contabilização do mercado de curto prazo. A Diferencial registrou inadimplência de R$1,6 milhão na última liquidação, após descumprimento de contrato por uma contraparte.
Um dos principais pontos do pedido é a tutela de urgência para impedir eventual desligamento da CCEE. A empresa argumenta que a exclusão da câmara paralisaria suas operações, pois o funcionamento no mercado livre depende de registros, contabilizações, validações contratuais e liquidações feitas pela entidade. A Diferencial já estava enquadrada em operação balanceada pela CCEE desde março.
A empresa também pediu a liberação de aproximadamente R$1,3 milhão em garantias financeiras vinculadas a uma operação que, segundo ela, já havia sido quitada antes do pedido de recuperação judicial. Os recursos estariam bloqueados em favor do Aurum Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC/KS), apesar do pagamento integral de uma nota comercial emitida em abril de 2025 no valor de R$1,53 milhão.



