Polêmica

Demagogia com fim da escala 6×1 é insulto ao povo boliviano

Esquerda pequeno-burguesa brasileira comemora "pressão das ruas" inexistente na aprovação do fim da escala 6x1

No último dia 28 de maio de 2026, o portal Opinião Socialista, órgão de imprensa do PSTU, publicou um artigo assinado por Diego Cruz intitulado Fim da Escala 6×1 na Câmara é vitória da luta e da pressão da classe trabalhadora, celebrando a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ocorrida na noite anterior, 27 de maio. Escreve Diego Cruz:

“A redução da jornada é uma reivindicação histórica que ganhou tração nos últimos anos, se massificando na sociedade e se convertendo em mobilizações nas redes sociais e nas ruas. O fim da Escala 6×1 ganhou a maioria da população, o que possibilitou que fosse votada no Congresso Nacional a despeito de uma campanha massiva de desinformação levada a cabo por grandes entidades patronais…”

E conclui com uma contradição flagrante:

“A mudança, que segue agora para o Senado, estabelece a redução da jornada das atuais 44h para 40h semanais (…) A votação mostra que trabalhadores devem confiar em suas próprias forças, e não em acordos com o centrão e a direita.”

Qualquer observador minimamente honesto da realidade política brasileira deve se perguntar: onde estão as greves de massa, as ocupações de fábrica e os comitês de greve capazes de encurralar a burguesia e arrancar uma redução de jornada? Eles simplesmente não existem neste momento. O movimento operário atual está profundamente desorganizado e paralisado.

Para desmascarar a farsa desse “milagre” parlamentar chancelado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), basta olhar para a história real do movimento operário brasileiro. Há algumas décadas, quando a Central Única dos Trabalhadores (CUT) era uma organização de massas combativa e o movimento de trabalhadores estava em pleno ascenso e mais de 100 mil metalúrgicos do ABC paulista cruzaram os braços em uma greve heróica que durou 40 dias. O centro da pauta era justamente a redução da jornada de trabalho. E o que eles conquistaram daquele Congresso após 40 dias de paralisação real da produção? Absolutamente nada.

Agora, em 2026, sem que haja uma única fábrica parada, o Congresso resolve aprovar a redução da jornada para 40 horas semanais por “ampla maioria” — com apenas pouco mais de vinte votos contrários. Se a tese do Opinião Socialista estivesse correta, a esquerda deveria mudar de discurso imediatamente e passar a chamar o parlamento de “Congresso amigo do povo”, já que ele teria entregue de bandeja uma reivindicação histórica sem que os patrões sofressem o prejuízo de uma greve.

A burguesia não dá nada de graça para a classe trabalhadora. Se Hugo Motta e a bancada patronal aprovaram o projeto sorrindo, é porque eles têm total consciência de duas coisas: primeiro, de que o texto aprovado na Câmara já nasceu rebaixado e recheado de armadilhas mortais contra os trabalhadores; segundo, de que a proposta agora segue para o Senado Federal, onde o terreno está preparado para que o projeto seja completamente desfigurado e transformado em um ataque aberto contra quem trabalha.

Em vez de utilizar o espaço de um jornal que se reivindica operário para alertar a classe contra as armadilhas do parlamento, o articulista prefere alimentar a crença de que é possível arrancar direitos reais de dentro de um Estado apodrecido. O texto encerra insistindo que o caminho para a emancipação do trabalhador é continuar orbitando em torno das salas acarpetadas do Congresso Nacional:

“Esse episódio reforça a necessidade de se intensificar a mobilização pelo fim da Escala 6×1 no Senado, impedindo qualquer ataque e manobra por parte do centrão ou da extrema direita. (…) A primeira votação na Câmara foi importante, ainda que parcial, e mostra a força do movimento. (…) A luta segue, é preciso exigir do governo e do Congresso Nacional a redução da jornada para 36h, com a Escala 4X3, sem redução dos salários e direitos…”

Essa ladainha de que basta “intensificar a mobilização” para “exigir do Congresso” a jornada de 36 horas é a definição clássica do cretinismo parlamentar. O PSTU quer fazer o trabalhador acreditar em um verdadeiro conto de fadas: o de que, se a esquerda souber pressionar “direitinho” os deputados e senadores da burguesia, o socialismo ou as conquistas históricas virão por meio de votações nominais e destaques de bancada. Essa perspectiva não passa de demagogia e ilusão. Ninguém vai mudar a estrutura do Brasil por dentro das instituições atuais. Sem que haja uma revolução política profunda, o Congresso Nacional não vai mudar o país para melhor; e todas as vezes que ele muda algo, muda para pior.

Enquanto a esquerda pequeno-burguesa brasileira se ajoelha diante da agenda de Hugo Motta e espera pacientemente pela tramitação no Senado, as massas operárias da Bolívia apontam para o caminho oposto. Os trabalhadores bolivianos não ficaram esperando que o parlamento reacionário votasse uma emenda constitucional ou que o governo costurasse um acordo rebaixado com os partidos da direita. Eles olharam para o sistema político e compreenderam o óbvio: não há nada a esperar das instituições políticas; é preciso resolver o problema nas ruas.

Gostou do artigo? Faça uma doação!

Rolar para cima

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Diferentemente de outros portais , mesmo os progressistas, você não verá anúncios de empresas aqui. Não temos financiamento ou qualquer patrocínio dos grandes capitalistas. Isso porque entre nós e eles existe uma incompatibilidade absoluta — são os nossos inimigos. 

Estamos comprometidos incondicionalmente com a defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo pobre e oprimido. Somos um jornal classista, aberto e gratuito, e queremos continuar assim. Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.

Quero saber mais antes de contribuir

 

Apoie um jornal vermelho, revolucionário e independente

Em tempos em que a burguesia tenta apagar as linhas que separam a direita da esquerda, os golpistas dos lutadores contra o golpe; em tempos em que a burguesia tenta substituir o vermelho pelo verde e amarelo nas ruas e infiltrar verdadeiros inimigos do povo dentro do movimento popular, o Diário Causa Operária se coloca na linha de frente do enfrentamento contra tudo isso. 

Se já houve um momento para contribuir com o DCO, este momento é agora. ; Qualquer contribuição, grande ou pequena, faz tremenda diferença. Apoie o DCO com doações a partir de R$ 20,00 . Obrigado.