A presidente em exercício da Venezuela, Delcy Rodríguez, deu início, neste domingo (19), à Grande Peregrinação Nacional por uma Venezuela sem Sanções e em Paz, uma ampla mobilização que atravessará o país até 1º de maio com o objetivo de denunciar o bloqueio imposto pelo imperialismo norte-americano e exigir o fim das medidas coercitivas unilaterais. A jornada começou no marco do 216º aniversário da Proclamação da Independência venezuelana.
A mobilização começou simultaneamente em Zulia, Táchira e Amazonas, nos extremos do território nacional, e deve convergir em Caracas no Dia Internacional dos Trabalhadores. Segundo os materiais divulgados pelos meios e organismos venezuelanos, a proposta é percorrer o país em três grandes eixos: a Rota 1, partindo do Zulia; a Rota 2, desde o Táchira; e a Rota 3, desde Amazonas, Bolívar e a Guiana Esequiba. O lema central é “Venezuela Vuela Libre”, isto é, uma Venezuela que quer avançar sem tutela estrangeira, sem sanções e sem o estrangulamento econômico promovido pelo imperialismo.
Delcy Rodríguez liderou pessoalmente o arranque da caravana ocidental, no Ponte General Rafael Urdaneta, sobre o Lago de Maracaibo, no estado de Zulia. Já o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, acompanhou o início da rota sul-oriental em Puerto Ayacucho, no Amazonas. Em Táchira, a mobilização foi encabeçada por Diosdado Cabello, que destacou que “toda Venezuela sai às ruas para exigir o fim das sanções, o fim do bloqueio”.
O centro da mobilização é a denúncia de que as sanções não são uma questão diplomática abstrata, mas um ataque direto às condições de vida do povo venezuelano. O governo denuncia que essas medidas afetam o acesso das famílias a serviços públicos essenciais, medicamentos, estabilidade econômica e bem-estar social.
Esse aspecto aparece de forma muito marcada nas declarações oficiais. Delcy afirmou, no início do percurso, que a jornada representa um desdobramento de fé, compromisso e determinação para consolidar a prosperidade do país e exigir o direito ao desenvolvimento.
O governo venezuelano convocou a sociedade civil como um todo para participar da mobilização sob a bandeira da soberania nacional. Em vez de apresentar o problema como uma disputa entre governo e oposição, a campanha procura colocar a questão em outro terreno: o do direito do país de existir sem asfixia econômica, sem chantagem internacional e sem ingerência estrangeira.
A peregrinação não será composta apenas por marchas. Ela envolverá também atividades culturais, manifestações de fé, atos populares e eventos regionais ao longo das próximas duas semanas. Há inclusive a previsão de atividades na Guiana Esequiba. Outro elemento importante é o papel destacado das mulheres. O Ministério da Mulher enfatiza a participação massiva de trabalhadoras, estudantes, camponesas, índias e dirigentes populares nas rotas já iniciadas.
Nos dias que antecederam o início da peregrinação, houve também um esforço para enquadrar a iniciativa dentro de uma política nacional de distensionamento político. Foi lembrado, por exemplo, o encontro realizado em fevereiro no Palácio Federal Legislativo, quando Jorge Rodríguez se reuniu com representantes de diversos partidos de oposição para consolidar o chamado Programa para a Paz e a Convivência Democrática.
Em meio a uma situação difícil, marcada por sanções, bloqueio e pressões externas, a presidente em exercício se coloca na linha de frente de uma campanha nacional contra a ingerência imperialista, projetando uma imagem de continuidade do chavismo.




