A crise capitalista está reduzindo rapidamente o peso da Europa na economia mundial. No Reino Unido, o preço da energia tornou-se um dos principais obstáculos à indústria, aos salários e ao crescimento.
Os números mostram a dimensão da decadência. Em 2008, a economia da União Europeia era cerca de 10% maior que a dos Estados Unidos. Em 2023, depois da crise iniciada no sistema bancário norte-americano, passou a representar apenas 67% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.
Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 18% do PIB mundial em valor de mercado.
As projeções mantêm a mesma tendência. Para 2027, prevê-se crescimento de 2,2% nos Estados Unidos. Alemanha, França e Itália aparecem abaixo da média mundial prevista, de 3,4%.
Parte importante desse retrocesso está ligada ao encarecimento da energia. Os países europeus abandonaram o fornecimento barato proveniente da Rússia e aumentaram a dependência do gás natural liquefeito (GNL) norte-americano, vendido a preços mais elevados.
Não se tratou de uma necessidade econômica. Foi resultado da decisão dos governos europeus de acompanhar a ofensiva dirigida pelos Estados Unidos contra a Rússia, mesmo às custas de sua própria indústria.
O Reino Unido é um dos países mais atingidos. Antiga principal potência industrial do mundo, enfrenta hoje custos energéticos que reduzem sua capacidade de competir e pesam diretamente sobre a população.
Danny Kruger, deputado do direitista Reform UK, reconheceu o tamanho do problema:
“Temos as contas de energia mais elevadas do mundo, o que é uma das principais razões do nosso lento crescimento, dos baixos salários e do fato de não sermos competitivos com o resto do mundo.”
Kruger pediu ao recém-empossado governo trabalhista que utilize rapidamente todas as fontes de energia disponíveis no território britânico.
A guerra no Irã acrescentou nova pressão. Setores da imprensa britânica já apontam uma aceleração da inflação e o risco de outro choque no custo de vida.
A crise britânica, porém, não surgiu apenas dos acontecimentos mais recentes. Ela faz parte da crise geral do capitalismo, que atinge em graus diferentes as principais potências imperialistas.
No Reino Unido, esse processo foi agravado pela estreita submissão de Londres aos interesses norte-americanos. O governo britânico acompanhou as decisões de Washington mesmo quando elas significavam preços maiores para sua economia e perda de competitividade para suas empresas.
A ruptura com a Rússia sintetiza o problema. Os britânicos e os demais europeus abriram mão de energia barata em nome de uma ofensiva que favoreceu sobretudo os Estados Unidos, inclusive como fornecedores do gás que passou a substituir o russo.
Essa orientação foi impulsionada especialmente pelos setores do imperialismo norte-americano ligados ao Partido Democrata, que estiveram à frente da política de confronto com Moscou.
O resultado aparece agora na própria economia britânica. Uma potência que durante séculos dominou grande parte do mundo perde espaço enquanto sacrifica seus interesses econômicos para acompanhar a política dos Estados Unidos.





