A presidente da Petrobrás, Magda Chambriard, confirmou, no último dia 17, em Oiapoque, a descoberta de petróleo no poço Morpho, situado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. Ainda não há estimativa definitiva sobre o volume da reserva.
O anúncio reforça o potencial petrolífero da Margem Equatorial, enquanto países vizinhos, como Guiana e Suriname, avançaram durante anos na exploração de suas reservas. No Brasil, a Petrobrás enfrentou uma sucessão de obstáculos antes de conseguir realizar as pesquisas necessárias.
Uma das principais responsáveis por esse atraso foi Marina Silva. À frente do Ministério do Meio Ambiente, a ex-ministra sustentou uma orientação que dificultou por mais de dois anos o avanço dos trabalhos da Petrobrás e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O principal argumento contra a pesquisa era o suposto risco para a foz do Amazonas. A localização dos poços, porém, desmonta a imagem de que a atividade ocorreria praticamente dentro do rio. As áreas envolvidas na disputa estão a centenas de quilômetros da foz. O poço Morpho, onde a estatal confirmou petróleo, fica a cerca de 175 quilômetros da costa e a quase três mil metros de profundidade.
A proteção ambiental exige estudos e cuidados técnicos. Isso é muito diferente de utilizar o meio ambiente como justificativa para impedir o País de pesquisar e aproveitar uma de suas maiores riquezas.
O atraso custou ao Brasil investimentos, empregos, arrecadação e desenvolvimento para uma das regiões mais pobres do País. Durante anos, sequer foi possível conhecer adequadamente o tamanho das reservas existentes.
A descoberta no Amapá reforça, portanto, a denúncia feita contra a política de Marina. O petróleo existe e outros países da região já tiraram proveito de reservas semelhantes, enquanto o Brasil teve seus projetos retardados.
Impedir ou atrasar a utilização de uma riqueza estratégica dessa magnitude é uma política contrária aos interesses nacionais. Em um país que defendesse sua soberania, uma atuação desse tipo deveria ser investigada e seus responsáveis chamados a responder por ela. Trata-se de uma política que pode ser caracterizada como crime de lesa-pátria.
A atuação de Marina também deve ser considerada diante de suas relações políticas. A ex-ministra mantém proximidade conhecida com Neca Setubal, integrante da família controladora do Banco Itaú, e teve relações com setores ligados ao especulador internacional George Soros. Em 2014, apoiou Aécio Neves contra Dilma Rousseff e, posteriormente, colocou-se ao lado da ofensiva política que desembocou no golpe de Estado de 2016.
A descoberta do poço Morpho não permite ainda saber a dimensão das reservas existentes, mas deixa claro o prejuízo de uma política que procurou impedir antecipadamente a pesquisa na região. Enquanto Guiana e Suriname avançaram, o Brasil perdeu anos por uma orientação que colocou obstáculos à exploração de seu próprio petróleo.




