No último dia 17, o jornal O Estado de S. Paulo publicou a matéria Gastômetro de Lula mostra que presidente já gastou R$278,3 bilhões para tentar reeleição, pressionando o governo a reduzir ainda mais os gastos sociais e adotar, em um eventual quarto mandato, um ajuste fiscal mais duro.
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (SECOM) contestou a interpretação do jornal. Segundo o órgão, o chamado “Gastômetro” reúne medidas de naturezas diferentes e contabiliza como despesas eleitorais programas permanentes do Estado, como o Pé-de-Meia, ações de proteção ao emprego e medidas adotadas diante de choques externos.
O próprio Estadão informa que boa parte dos 278,3 bilhões de reais corresponde a programas de crédito e subsídios para setores da economia, entre eles caminhoneiros e motoristas de aplicativo, além de financiamentos para a casa própria.
Também entram nessa conta a isenção e o desconto do Imposto de Renda para quem recebe até R$7.000,00 mensais e programas como o Pé-de-Meia e o Gás do Povo.
Ou seja, o jornal apresenta como excesso de despesas recursos dirigidos aos trabalhadores, às famílias de baixa renda e a setores atingidos pela crise.
A campanha fica ainda mais clara quando o Estadão critica medidas que não aparecem diretamente no Orçamento, como modalidades do Desenrola Brasil e o Luz do Povo, que garante gratuidade na conta de energia para famílias de menor renda.
A cobrança é por maior “contenção fiscal”: menos recursos para programas sociais e mais garantias para o pagamento dos juros da dívida pública.
Quando se trata dos bancos, porém, não aparece a mesma preocupação.
Nos 12 meses encerrados em junho de 2026, os juros da dívida pública chegaram a 1,16 trilhão de reais. O montante corresponde a 8,80% do Produto Interno Bruto (PIB) e é 4,2 vezes maior que o valor reunido pelo chamado “Gastômetro”.
Não há campanha semelhante contra essa transferência gigantesca de recursos aos bancos e especuladores. O problema, para a imprensa capitalista, começa quando uma parcela muito menor do dinheiro público é destinada aos trabalhadores.
A chamada “responsabilidade fiscal” serve justamente para impor limites aos gastos sociais enquanto o pagamento dos juros permanece intocável.
A pressão sobre Lula mostra o que a burguesia exige de um eventual novo governo petista: cortes maiores nas despesas destinadas à população e a manutenção do fluxo de recursos para o capital financeiro.
A resposta necessária é a suspensão do pagamento da fraudulenta dívida pública, o fim do teto de gastos e da política de “responsabilidade fiscal”, além da ampliação dos investimentos sociais.
Também é preciso taxar pesadamente as grandes fortunas e os bancos e lutar pela nacionalização do sistema bancário, retirando das mãos de um pequeno grupo de capitalistas o controle de uma parcela gigantesca da riqueza produzida no País.




