O governo russo anunciou nesta sexta-feira (3) a liberação de Constantinovka, cidade estratégica na República Popular de Donetsk. A informação foi divulgada pelo porta-voz do Crêmlin, Dmitri Pescov, segundo quem o presidente Vladimir Putin foi informado da vitória durante visita a um posto auxiliar de comando, ao lado de chefes militares e representantes do Ministério da Defesa.
Segundo Pescov, Constantinovka passou ao controle completo das tropas russas. A cidade era uma das posições mais importantes mantidas pelo regime ucraniano no Donbas e integrava o chamado eixo Esloviansk-Cramatorsque, um conjunto de localidades fortificadas desde 2014, quando o golpe de Maidan abriu a guerra civil na região.
“Constantinovka foi colocada sob controle total. Segundo o presidente, é a primeira, mas muito importante etapa na tomada de toda a importante fortaleza Esloviansk-Cramatorsque”, afirmou o porta-voz russo.
A cidade fica a cerca de 15 quilômetros de Cramatorsque, separada dela por Drujkovka. Sua posição torna a vitória russa um acontecimento militar de grande importância. Constantinovka funciona como uma das portas de entrada para o restante das posições ucranianas no norte de Donetsk, área que o regime ucraniano transformou, ao longo de mais de uma década, em uma linha defensiva de grande porte.
O Ministério da Defesa russo informou que os combates na região se intensificaram nas últimas semanas. As tropas russas avançaram por mais de uma direção, dividiram a defesa ucraniana e cercaram parte da guarnição que permanecia na cidade. De acordo com o governo russo, Constantinovka havia sido convertida em uma área fortificada, considerada praticamente inexpugnável pelos comandantes ucranianos.
A Ucrânia não comentou o anúncio até o momento. Mesmo assim, a situação da cidade já era descrita como precária por veículos da própria imprensa burguesa internacional, que registravam combates de rua, dificuldades de movimentação e infiltração de pequenas unidades russas nas linhas ucranianas.
A tomada de Constantinovka mostra o avanço constante da Rússia no Donbass. Ao contrário da propaganda imperialista, que apresenta a guerra como uma sucessão de derrotas russas imaginárias, o que se verifica no terreno é a perda gradual das posições ucranianas. O regime de Kiev depende cada vez mais do envio de armas, dinheiro e mercenários pelos países imperialistas, mas não consegue reverter a situação na frente oriental.
A imprensa burguesa brasileira, como sempre, procurou diminuir o significado da vitória russa. A Folha de S.Paulo apresentou o anúncio com a expressão “sob pressão”, tentando sugerir que a tomada de uma das principais fortalezas ucranianas seria uma resposta desesperada de Putin a ataques contra refinarias russas.
Constantinovka era uma posição importante, preparada durante anos, localizada em uma das áreas mais decisivas da guerra. Sua perda enfraquece a defesa ucraniana em Donetsk e aumenta a pressão sobre Cramatorsque e Esloviansk.
Desde 2014, o Donbas é o centro da resistência contra o regime instalado pelo imperialismo em Kiev. A população da região recusou o governo golpista, apoiado pelos Estados Unidos e pela União Europeia, e foi submetida a anos de bombardeios, perseguição política e guerra. A intervenção russa, iniciada em 2022, modificou a correlação de forças e colocou em crise toda a estratégia da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na fronteira russa.
A linha Esloviansk-Cramatorsque é uma das últimas grandes estruturas militares ucranianas em Donetsk. A perda de Constantinovka não significa a queda imediata de todo o sistema defensivo, mas é um passo importante nesse sentido. A região é urbanizada, tem terreno irregular e concentra várias localidades preparadas para combate prolongado. Justamente por isso, cada avanço russo tem grande peso.





