Palestina ocupada

Colonos e Exército israelenses fazem palestinos passar fome na Cisjordânia

Cerca de 15 pessoas, entre elas crianças, permanecem cercadas em Qusra enquanto soldados dificultam a entrada de alimentos

Cerca de 15 palestinos, incluindo crianças, permaneciam cercados em três casas na cidade de Qusra, ao sul de Nablus, enquanto o bloqueio imposto por colonos israelenses chegava ao 12º dia.

Aisha Hassan, que está numa das residências com sua mãe e seu irmão, afirmou ao Middle East Eye que a família estava ficando sem comida.

A prefeitura tentou levar mantimentos até as casas, mas soldados israelenses impediram a entrega.

Funcionários do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) conseguiram enviar alimentos, mas até essa entrega enfrentou restrições.

Segundo o prefeito de Qusra, Abdul-Azim Wadi, caixas levadas pela entidade ficaram aproximadamente 24 horas do lado de fora antes de os moradores receberem autorização para recolhê-las. Parte do conteúdo já havia começado a estragar.

Os colonos montaram acampamentos ao redor das residências. As famílias afirmam que o objetivo é forçá-las a abandonar suas propriedades.

Uma das casas pertence a Youssef Hassan, sua mulher, Ruqaya, e suas duas filhas, Kinda, de quatro anos, e Hoor, de dois.

A família passou a permanecer em outra residência depois que soldados israelenses ocuparam sua casa e a transformaram numa posição militar.

No início do cerco, colonos cortaram o fornecimento de água e eletricidade. Quando moradores tentaram restabelecer os serviços, foram atacados na presença dos militares.

Depois disso, o Exército declarou a área zona militar fechada e passou a restringir a circulação dos palestinos.

Os colonos, no entanto, continuaram no local.

Ruqaya contou que as duas filhas vivem assustadas e passaram a sofrer alterações durante o sono por causa do medo.

As famílias relatam ataques há aproximadamente oito meses, desde a instalação de um posto de colonização nas proximidades.

Em julho, colonos conseguiram tomar uma residência depois de cercá-la na aldeia vizinha de Jalud.

A Anistia Internacional classificou o cerco de Qusra como parte de uma política de violência de colonos apoiada pelo Estado israelense e destinada a expulsar palestinos de suas terras.

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